
O Departamento de Estado dos EUA emitiu uma ordem de emergência na segunda-feira, ordenando aos cidadãos que “saíam imediatamente” do Irã. A terceira semana de protestos já resultou em 503 mortes, 10.700 detenções, e comunicações totalmente bloqueadas. Trump anunciou tarifas de 25% sobre países que fazem negócios com o Irã, o Departamento de Estado afirmou que a prioridade é diplomática, mas que “não hesitará em usar a força”, sendo ataques aéreos uma das opções. Voos foram suspensos, e recomenda-se viajar por terra para Armênia ou Turquia.
Este aviso de viagem foi emitido na segunda-feira, quando os protestos contra o governo no Irã estavam na terceira semana. Segundo organizações de direitos humanos e relatos da mídia, centenas de pessoas já morreram e milhares foram detidas. No domingo, organizações de direitos humanos afirmaram que pelo menos 503 manifestantes foram mortos e quase 10.700 presos em todo o país. Este número de mortes faz desta a manifestação mais sangrenta no Irã desde 2019.
Uma série de eventos recentes — incluindo repressão severa por parte das forças de segurança, restrições à saída/viagem de estrangeiros, e uma quase total desconexão das redes de comunicação — tornaram a situação para estrangeiros no Irã extremamente perigosa. As autoridades iranianas bloquearam quase totalmente os serviços de telefonia móvel, telefones fixos e internet, com alguns usuários sem conexão por até quatro dias consecutivos. Ao mesmo tempo, o governo reforçou a segurança em centros urbanos, bloqueando ruas, perturbando o transporte e realizando operações de busca em residências suspeitas de uso ilegal de comunicações via satélite.
De acordo com a CNN, as autoridades afirmaram que as medidas de bloqueio de rede continuarão até que restabeleçam o que chamam de “segurança nacional”. Este bloqueio total de comunicações dificulta o acesso a informações em tempo real dentro do Irã e impede que estrangeiros presos entrem em contato com suas famílias ou embaixadas. Na segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA afirmou em seu site: “Devido ao risco de terrorismo, agitação social, sequestros, detenções arbitrárias de cidadãos americanos e detenção injusta, não viaje para o Irã. Por qualquer motivo, não viaje para o Irã. Cidadãos americanos no Irã devem sair imediatamente. Os EUA não têm embaixada no Irã.”
Detenção arbitrária: Pessoas com dupla nacionalidade EUA-Irã podem ser mantidas em prisão por longos períodos, já que a lei iraniana não reconhece a dupla nacionalidade
Falta de assistência consular: Os EUA não possuem embaixada no Irã; a embaixada da Suíça oferece apenas serviços de emergência, sem assistência regular
Comunicações totalmente interrompidas: Bloqueio de telefonia móvel, fixa e internet por até quatro dias, impossibilitando pedidos de ajuda
Aumento da violência: 503 mortes, repressão severa por parte das forças de segurança, estrangeiros potencialmente visados
Restrições de saída: Voos suspensos, fronteiras terrestres podem fechar a qualquer momento, a janela de evacuação está se fechando
Os EUA não possuem embaixada ou consulado no local. A embaixada da Suíça em Teerã oferece apenas serviços de emergência, sem assistência consular regular. Cidadãos americanos detidos — especialmente aqueles com dupla nacionalidade — quase não conseguem obter ajuda externa. No mês passado, o Departamento de Estado relatou alguns casos: americanos, especialmente com dupla nacionalidade EUA-Irã, podem ser mantidos em prisão por longos períodos e privados de processos legais adequados. Como a lei iraniana não reconhece a dupla nacionalidade, pessoas com dupla cidadania são consideradas apenas cidadãos iranianos, e os serviços consulares dos EUA ou da Suíça não podem intervir.
Na segunda-feira, o presidente dos EUA, Trump, anunciou tarifas de 25% sobre países que fazem negócios com o Irã, enquanto seu governo avalia possíveis opções militares. O Departamento da Casa Branca afirmou que, embora os oficiais iranianos tenham sinalizado disposição para negociações por meio de canais privados, suas declarações públicas continuam hostis. A CNN reportou que oficiais iranianos — incluindo o líder supremo Khamenei — atribuem a turbulência interna a interferência estrangeira e ameaçam retaliar os interesses americanos na região.
O secretário de imprensa da Casa Branca, Levitt, afirmou na segunda-feira que, diante da situação atual no Irã, Trump considera a diplomacia como “a primeira opção”, mas que “não hesitará em usar as forças militares dos EUA” se necessário, e que “ataques aéreos são apenas uma das muitas opções”. Essa postura demonstra uma estratégia de “carrot and stick” (cenoura e bastão): por um lado, sinalizando disposição para negociações, por outro, preparando-se para ações militares.
No domingo, Trump revelou que a liderança iraniana entrou em contato com os EUA para solicitar negociações, e que as reuniões estão sendo agendadas. Mas ele também afirmou que, considerando a situação interna do Irã, os EUA podem precisar agir antes das negociações, e que estão explorando algumas “opções muito fortes”. Essa ambiguidade é típica da estratégia de negociação de Trump: manter o máximo de incerteza estratégica, dificultando que o adversário determine as reais intenções americanas.
O Irã, por sua vez, afirmou estar preparado para guerra ou diálogo, e que a situação interna está “totalmente sob controle”. No entanto, os dados de 503 mortes e 10.700 detenções indicam que a situação está longe de estar sob controle. Recentemente, protestos massivos contra o governo iraniano ocorreram, e Trump advertiu várias vezes que, se o Irã usar força contra os manifestantes, os EUA intervirão. Essas advertências foram feitas várias vezes, mas o regime iraniano parece não ter recuado na repressão.
Devido à suspensão dos voos e ao aumento dos riscos, cidadãos americanos são aconselhados a deixar o Irã por terra — especialmente em direção à Armênia ou Turquia. Até segunda-feira, essas fronteiras permaneciam abertas. A embaixada alertou que quem tentar entrar no Turcomenistão precisa de autorização prévia, e que a entrada na Azerbaijão pode ser restrita.
Essa recomendação de evacuação por terra demonstra a gravidade da situação. Normalmente, evacuações de emergência são feitas por voos charter ou comerciais, mas o bloqueio aéreo do Irã torna essa opção inviável. A evacuação por terra enfrenta múltiplos riscos: fronteiras podem fechar a qualquer momento, postos de controle podem fazer inspeções, e há perigos de segurança em longas viagens. Para cidadãos presos em Teerã ou outras cidades do interior, a viagem até a fronteira pode envolver centenas de quilômetros.
Autoridades americanas continuam recomendando que os cidadãos evitem viajar ao Irã e que aqueles que já estão no país saiam imediatamente, alertando que os riscos — incluindo prisão, violência ou detenção prolongada — superam qualquer outra consideração. O governo dos EUA está monitorando de perto a situação, buscando oportunidades de ajudar cidadãos que permanecem no local, mas reforça que os americanos não devem esperar assistência do governo dos EUA.