O Chile tem levado a sério o controlo da sua indústria de lítio, e o último movimento entre a SQM e a Codelco é basicamente o modelo de como estão a fazer isso na prática. A mineradora estatal de cobre Codelco acabou de fazer uma parceria com a SQM para desenvolver conjuntamente o lítio no Salar de Atacama, com a Codelco a deter a maioria da participação. Isto é exatamente o que a estratégia de nacionalização do lítio do Chile parece na prática.



Aqui está o que chamou a minha atenção sobre a estrutura do acordo. Estão a fundir operações para aumentar significativamente a produção - visando um extra de 300.000 toneladas métricas de equivalente de carbonato de lítio entre 2025 e 2030, mantendo depois entre 280.000 a 300.000 toneladas por ano até 2060. A parte interessante é que estão a fazer isto através de ganhos de eficiência e melhorias tecnológicas, não aumentando a extração de salmouras ou explorando fontes de água continentais. Isso é realmente uma jogada inteligente, dado as preocupações ambientais em torno da mineração de lítio.

O ângulo financeiro também é bastante revelador. Para 2031, o Chile fica com 85 por cento da margem operacional da joint venture. Essa é a peça de nacionalização a funcionar - benefício público a partir de operações privadas. A SQM também transfere as suas propriedades em Maricunga para a Codelco e entrega licenças de propriedade intelectual. Tudo deve estar finalizado até meados de 2025, embora tecnicamente o acordo possa fechar já em janeiro de 2025.

Mas aqui é que fica complicado. Tianqi Lithium, que detém 22 por cento da SQM após investir 4 mil milhões de dólares em 2018, está a resistir com força. A empresa chinesa exige uma votação dos acionistas, alegando que a SQM não divulgou corretamente os termos da negociação. Entretanto, os legisladores estão a trazer à tona velhas questões - o principal acionista da SQM, Julio Ponce, enfrentou multas por negociações ilegais em 2014, e a própria empresa foi envolvida em escândalos de financiamento político na mesma época.

Apesar do atrito, o Ministro das Finanças do Chile, Mario Marcel, parece confiante de que o acordo vai avançar. Ele basicamente disse que esses grandes acordos levam tempo a implementar, além de apenas assinar papéis. Na minha opinião, esta parceria de nacionalização do lítio no Chile é mais sobre estabelecer o controlo estatal sobre o recurso mais valioso do país do que apenas mais um negócio corporativo. É um modelo de como países ricos em recursos estão a repensar a propriedade de minerais críticos.
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