Então, veja bem, desde o início de 2025 aconteceu algo bastante interessante no mercado financeiro. A capitalização de mercado dos tokens de ações subiu quase 3,5 vezes. Isso não é coincidência—há um grande movimento acontecendo nos bastidores.



Olha só, o mercado de ações global já é enorme, valendo mais de 150 trilhões de dólares. Mas o sistema ainda é antiquado. A negociação acontece apenas 5 dias por semana, a liquidação ainda depende de muitos intermediários, e o acesso às empresas de alto crescimento? Muito limitado. Apenas um grupo restrito de investidores institucionais consegue entrar.

Agora, a tokenização começa a mudar tudo. NYSE, Nasdaq, até a DTCC—essas grandes instituições já estão desenvolvendo infraestrutura de ações tokenizadas. Por quê? Porque a tecnologia blockchain consegue resolver três problemas de uma só vez.

Primeiro, negociação 24/7 sem parar. Atualmente, cerca de 11% das negociações de ações nos EUA ocorrem fora do horário normal. Mas um mercado que funciona dia e noite pode processar informações novas mais rápido e de forma mais alinhada com investidores globais—pois cerca de 15% das ações americanas são detidas por investidores estrangeiros.

Segundo, a propriedade se torna mais transparente e programável. Até agora, a propriedade das ações era registrada entre muitos intermediários—corretores, câmaras de compensação, depositários centrais. Com a tokenização, a propriedade pode ser rastreada diretamente na blockchain. Isso significa que o proprietário pode usar o ativo como garantia para empréstimos, colocá-lo em pools de liquidez ou criar estruturas financeiras mais complexas. No mercado tradicional, tudo isso exige muitos intermediários e custos. Essa eficiência pode economizar de 5 a 10 bilhões de dólares por ano para a indústria de ações.

Terceiro, e essa é a mais revolucionária, o acesso ao mercado privado fica mais aberto. Agora, para investir em empresas privadas, você precisa ser um investidor qualificado—com patrimônio líquido mínimo de 1 milhão de dólares, ou renda anual de 200 mil dólares. Empresas privadas também precisam limitar o número de acionistas, com máximo de 2000 acionistas registrados ou 500 investidores não qualificados antes de precisarem abrir capital.

Isso significa que a maioria dos investidores basicamente não tem oportunidade de acessar boas empresas até que façam IPO. Mas a tokenização pode mudar isso. A Robinhood recentemente lançou tokens da OpenAI e SpaceX para usuários qualificados na Europa—oferecendo aos investidores de varejo exposição às duas empresas mais procuradas do mundo.

Na verdade, este é um exemplo de como empresas de venture capital e investidores institucionais tradicionais começam a perder seu papel de gatekeepers. A estrutura de SPV, comum na prática, permite que emissores de tokens ofereçam acesso a investimentos em empresas privadas que antes eram exclusivas para venture capital e dinheiro institucional. Mas há um detalhe—esses tokens nem sempre representam propriedade direta. O token SpaceX da Robinhood, por exemplo, representa uma reivindicação econômica contra a entidade intermediária, não ações diretas. Isso significa que os direitos associados podem variar dependendo do emissor. Ações preferenciais versus ações ordinárias? Não está claro. Direitos de conversão? Também não está claro. Sem essa padronização, fica difícil para os investidores comparar ou precificar tokens com precisão.

Mas, apesar dessa incerteza estrutural, a demanda continua alta. Pesquisas mostram que 90% dos americanos estão dispostos a alocar parte de suas economias de aposentadoria em ativos privados, especialmente entre a Geração Z e os millennials. Por isso, muitas empresas permanecem privadas por mais tempo—elas podem acessar capital sem precisar abrir capital.

Portanto, esse momento de tokenização de ações é, na verdade, um grande teste: será que a tecnologia blockchain consegue escalar do camada de pagamento para a propriedade de ativos financeiros? Stablecoins já provaram o conceito—cresceram 10x nos últimos 5 anos. Agora, é a vez dos tokens de ações. Se der certo, não será apenas sobre o mercado de ações—será sobre como a propriedade e o acesso financeiro serão reestruturados na era digital.
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