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Drift foi hackeado por 280 milhões de dólares: vítimas processam Circle por "não salvar" e não congelar ativos roubados
No dia 1º de abril, o maior roubo de hackers na história do DeFi chocou o mundo das criptomoedas, com ativos no valor de até 280 milhões de dólares sendo saqueados do Drift Protocol. Agora, essa chama se voltou oficialmente para o emissor do stablecoin dólar USDC, a Circle — investidores vítimas iniciaram uma ação coletiva, acusando a empresa de ter “ficado de braços cruzados” em um momento crucial, perdendo a oportunidade de interceptar os fundos roubados.
O escritório de advocacia Gibbs Mura entrou com uma ação na terça-feira em nome dos investidores prejudicados, alegando que a Circle não conseguiu congelar os ativos USDC roubados de forma oportuna após o incidente de hacking. Em uma declaração divulgada na quarta-feira, a equipe de advogados afirmou:
Apesar de a Circle possuir a capacidade técnica e a autorização contratual para congelar esses fundos, eles não tomaram nenhuma ação.
ZachXBT critica duramente a Circle por perder seis horas de oportunidade de resgate
Revisando esse incidente de hacking de proporções alarmantes, a equipe do Drift revelou que os hackers não apenas obtiveram acesso ilegal à plataforma, implantaram ativos maliciosos e até alteraram o limite de saques, esvaziando instantaneamente o pool de fundos. Ainda mais assustador, a investigação posterior do Drift descobriu que o grupo de hackers se disfarçou de uma empresa de trading quantitativo e permaneceu infiltrado na plataforma por até seis meses, usando técnicas criminosas meticulosas que atraíram grande atenção do mercado.
O detetive on-chain ZachXBT também questionou as ações da Circle, apontando: “No caso do hacking de 280 milhões de dólares do Drift, a Circle tinha pelo menos seis horas de tempo de resgate, tempo suficiente para congelar esses fundos roubados.”
ZachXBT revelou ainda que, no momento do incidente, era horário comercial nos Estados Unidos, e a Circle optou por não agir, deixando os hackers utilizarem seu protocolo de transferência cross-chain para transferir, ao longo de várias horas, 230 milhões de dólares em USDC de Solana para Ethereum. Ele questiona:
Por que a indústria de criptomoedas tolera esse tipo de comportamento de ‘ver e não fazer’?
Se nem mesmo um projeto com TVL (valor total bloqueado) de mais de um bilhão de dólares consegue apoio em uma grande crise, por que as empresas de criptomoedas ainda deveriam permanecer na ecossistema da Circle?
A denúncia também levanta uma questão crucial: Apenas nove dias antes do ataque ao Drift, a Circle havia congelado de forma agressiva 16 endereços de carteiras em outro processo civil não relacionado. Os autores da ação acreditam que essa ação demonstra claramente que a Circle “não apenas tem a capacidade de congelar fundos, mas também a vontade de fazê-lo”, embora tenha adotado uma postura passiva no caso do Drift.
CEO da Circle defende-se publicamente
Diante de uma enxurrada de questionamentos e pressões judiciais, o CEO da Circle, Jeremy Allaire, enfatizou em uma coletiva de imprensa nesta semana que a Circle só congelará carteiras USDC sob instruções de autoridades legais ou do tribunal.
Allaire afirmou que, se a empresa bypassar os procedimentos legais existentes e agir por conta própria em disputas privadas, ela se colocará em uma “grave dilema moral”. Ele disse:
“Se o público acha que a Circle deve ignorar as leis, agir por conta própria e tomar decisões independentes, acho que isso é uma proposta extremamente perigosa.”
Por outro lado, o Drift anunciou na quinta-feira que obteve uma proposta de recuperação de 127,5 milhões de dólares da Tether, além de arrecadar 20 milhões de dólares de outros parceiros, totalizando aproximadamente 147,5 milhões de dólares.