Acabei de analisar a história dos irmãos Winklevoss e tenho que admitir — é um dos exemplos mais interessantes de como uma má decisão de alguém pode mudar toda a vida.



Tudo começou com o acordo com o Facebook. Em 2008, durante as negociações, o mediador anunciou: 65 milhões de dólares. A maioria aceitaria em dinheiro. Mas os irmãos Winklevoss olharam um para o outro e disseram: ações. Ações de uma empresa privada que poderia falir. Todos pensaram que estavam loucos. Quando o Facebook abriu na bolsa quatro anos depois, essas ações valiam quase 500 milhões de dólares. Foi um jogo de grande escala e eles venceram.

Mas não acabou aí. Após esse movimento de ações, tentaram tornar-se investidores-anjo no Vale do Silício. Cada empresa os rejeitou. Por quê? O seu dinheiro estava contaminado — ninguém queria investir em pessoas ligadas ao Zuckerberg. Isso os afetou profundamente e fugiram para Ibiza. Num clube, um estranho mostrou-lhes uma nota e disse uma palavra: revolução. Ele falava sobre bitcoin.

Em 2013, quando Wall Street ainda não sabia o que era uma criptomoeda, os irmãos Winklevoss já tinham investido 11 milhões de dólares a um preço de 100 dólares por bitcoin. Era cerca de 100 mil bitcoins — quase 1% de toda a oferta na altura. Os seus amigos deviam pensar que estavam loucos pela segunda vez.

Mas eles entendiam algo que os outros não viam. Foram testemunhas de como uma ideia de um estudante de faculdade se transformou numa empresa avaliada em centenas de bilhões. Sabiam o quão rápido o impossível se torna inevitável.

Quando o bitcoin atingiu 20 mil dólares em 2017, o seu investimento transformou-se em mais de um bilhão de dólares. Tornaram-se alguns dos primeiros bilionários de bitcoin confirmados no mundo.

Mas os irmãos Winklevoss não ficaram só à espera do aumento do valor. Começaram a construir infraestrutura. A Winklevoss Capital financiou bolsas, protocolos, ferramentas de armazenamento. Em 2014, quando o ecossistema do bitcoin estava em caos — Mt. Gox foi hackeado, as principais bolsas estavam a falir — eles fundaram a Gemini. Colaboraram com reguladores, e não contra eles. Criaram um sistema transparente de conformidade regulatória.

Foi uma jogada inteligente. Enquanto outras plataformas de criptomoedas operavam na zona cinzenta, a Gemini obteve licença do estado de Nova York. Até 2021, a avaliação da Gemini atingiu 7,1 mil milhões de dólares. Hoje, a bolsa suporta mais de 80 criptomoedas e possui ativos avaliados em mais de 10 mil milhões de dólares.

Os irmãos Winklevoss entenderam algo fundamental: a tecnologia por si só não basta. A aceitação regulatória decide o destino. Por isso, não evitaram os reguladores, mas tentaram educá-los. Era uma estratégia de longo prazo.

Atualmente, os irmãos possuem cerca de 70 mil bitcoins, avaliados em 4,48 mil milhões de dólares, além de participações significativas em outros ativos digitais. A sua riqueza líquida total é de cerca de 9 mil milhões de dólares.

O que me fascina? Os irmãos Winklevoss, durante anos, foram vistos como aqueles que perderam a festa. Acontece que, na verdade, chegaram cedo demais para a próxima festa. A primeira decisão — escolher ações em vez de dinheiro — ensinou-os a acreditar numa visão de longo prazo. A segunda decisão — investir em bitcoin — mostrou que eles entendem quando algo impossível se torna o futuro.

É uma lição de que, às vezes, as maiores oportunidades surgem após as maiores desilusões.
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