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A expansão global da oferta de café pressiona os preços nos mercados Barchart
Os preços das commodities de café recuaram acentuadamente nas últimas negociações, com o café arábica de março fechando a 0,15 cêntimos (-0,05%), enquanto o robusta de março caiu 68 pontos (-1,82%). Ambas as variedades atingiram mínimos de vários meses, refletindo uma mudança significativa no panorama da oferta global. Segundo a análise de commodities da Barchart, a recente fraqueza decorre de uma perspetiva melhorada para a produção mundial de café, impulsionada principalmente por colheitas maiores previstas para os principais países produtores.
O principal fator que explica a recente fraqueza nos preços do café é a previsão de produção drasticamente melhorada do Brasil. Em 5 de fevereiro, a Conab, agência de previsão de culturas do Brasil, divulgou projeções indicando que a produção de café do Brasil em 2026 irá aumentar 17,2% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 66,2 milhões de sacos. Dentro deste total, a produção de arábica deve subir 23,2%, para 44,1 milhões de sacos, enquanto a de robusta aumentará 6,3%, para 22,1 milhões de sacos. Esta expectativa de colheita recorde tem pesado fortemente sobre os preços do café de ambas as variedades.
Força de produção regional e dinâmicas de oferta de café
As condições meteorológicas nas principais regiões produtoras de café do Brasil reforçaram ainda mais as perspetivas de produção. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, a maior região produtora de arábica do mundo, recebeu 72,6 milímetros de chuva na semana até 6 de fevereiro — representando 113% da média histórica. Condições de humidade adequadas sustentam a base para a colheita recorde prevista na produção de café brasileira.
Vietname, o maior produtor mundial de robusta, continua a impulsionar a expansão da oferta de café através de uma atividade de exportação agressiva. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname reportou que as exportações de café de janeiro aumentaram 38,3% em relação ao ano anterior, para 198.000 toneladas métricas, enquanto as exportações anuais de 2025 subiram 17,5%, para 1,58 milhões de toneladas métricas. Para o futuro, a produção de café de 2025/26 no Vietname está projetada para aumentar 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas — o valor mais alto em quatro anos. Este aumento nas exportações reforça o fluxo robusto de oferta, pressionando os preços do café, especialmente as variedades robusta.
Recuperação de inventários de café e previsões de produção global
A recuperação nos inventários monitorados de café representa outro fator baixista para os preços. Os inventários de arábica acompanhados pelo ICE, que haviam caído para um mínimo de 1,75 anos de 396.513 sacos em 18 de novembro, recuperaram-se para 461.829 sacos até 7 de janeiro. De forma semelhante, os inventários de robusta do ICE, após atingirem um mínimo de 13 meses de 4.012 lotes em dezembro, subiram para 4.662 lotes no final de janeiro. Esta reposição de inventários indica uma diminuição na pressão de oferta no mercado físico.
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA divulgou sua projeção semestral de dezembro, prevendo que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. A previsão indica uma redução de 4,7% na produção de arábica, para 95,515 milhões de sacos, compensada por um aumento de 10,9% na produção de robusta, para 83,333 milhões de sacos. Especificamente para o Brasil, o FAS prevê uma queda de 3,1% na produção, para 63 milhões de sacos, enquanto a produção do Vietname deve subir 6,2%, atingindo um máximo de quatro anos de 30,8 milhões de sacos.
Novos constrangimentos de oferta e equilíbrio do mercado de café
Embora as perspetivas de oferta global de café tenham melhorado substancialmente, alguns obstáculos na produção oferecem suporte limitado aos preços. A Colômbia, o segundo maior produtor de arábica do mundo, reportou uma queda significativa na produção. A Federação Nacional dos Cafeicultores indicou que a produção de janeiro caiu 34% em relação ao ano anterior, para 893.000 sacos, oferecendo algum suporte modesto aos preços do arábica, apesar do excesso de oferta mais amplo. Além disso, as exportações de café de janeiro do Brasil diminuíram 42,4% em relação ao ano anterior, para 141.000 toneladas métricas, sugerindo que os padrões sazonais de exportação estão a influenciar as dinâmicas de preços de curto prazo.
A Organização Internacional do Café reportou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (outubro a setembro) caíram marginalmente 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos. No entanto, a projeção do FAS indica que os stocks finais de 2025/26 cairão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, em comparação com 21,307 milhões de sacos no ano anterior — uma redução modesta que reforça o excesso estrutural no mercado de café. Esta combinação de previsões de produção recorde, recuperação de inventários e aumento das exportações do Vietname continua a exercer pressão de baixa sobre os valores do café, tanto no mercado de arábica quanto no de robusta.
Informações baseadas em relatórios da Conab, Somar Meteorologia, Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname, ICE, Organização Internacional do Café e do Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA.