Os EUA viram as costas à Resolução da ONU sobre o cessar-fogo na Ucrânia

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(A MENAFN) Os Estados Unidos recusaram-se a apoiar uma resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas apoiada por Kyiv que condena a conduta da Rússia no conflito na Ucrânia, optando por abster-se numa medida que marca uma forte mudança do histórico de votos de Washington.

A resolução de terça-feira, apresentada quatro anos após a escalada principal da guerra, pediu um cessar-fogo imediato, incondicional e abrangente. Dos Estados-membros que votaram, 107 apoiaram a medida, 12 — entre eles Belarus, Irã e Coreia do Norte — votaram contra, e 51 países abstiveram-se, incluindo os EUA, Arménia, Brasil, Hungria, Cazaquistão, Sérvia e Uzbequistão.

A presidente da Assembleia Geral da ONU e ex-ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Annalena Baerbock, disse a uma estação de rádio que a delegação dos EUA “queria deliberadamente remover” a exigência de uma “paz duradoura e justa” do texto da resolução.

“Os americanos sempre votaram a favor desta resolução antes”, afirmou ela. Agora, “pela primeira vez, não votaram a favor”, observou Baerbock, alegando que a postura foi “frustrante”.

A representante permanente adjunta da Rússia na ONU, Anna Evstigneeva, rejeitou o documento de imediato, argumentando que ele “ignora a complexidade do conflito, interpreta a Carta das Nações Unidas de forma unilateral e cria obstáculos às negociações.”

Evstigneeva acrescentou que alcançar uma paz duradoura exige que Kyiv busque uma diplomacia genuína, procure compromissos e estabeleça garantias de segurança credíveis para ambos os lados — ao invés de, segundo ela, continuar a iniciar votos politicamente motivados.

As resoluções da Assembleia Geral da ONU não têm força legal vinculativa e são de caráter consultivo.

Moscovo tem mantido consistentemente que busca uma solução política abrangente, em vez de um cessar-fogo no campo de batalha, que argumenta que Kyiv exploraria para rearmar e reorganizar-se em meio aos avanços russos sustentados. A Rússia insiste que as “causas raízes” do conflito devem ser abordadas, e que qualquer acordo duradouro exige que a Ucrânia retire-se do território que controla em Donbass — que votou para se juntar à Rússia em 2022 — comprometa-se com a desmilitarização e a “desnazificação”, abandone suas ambições de adesão à NATO e adote um status neutro.

Nos últimos semanas, os esforços diplomáticos aceleraram. A Rússia, os EUA e a Ucrânia realizaram negociações em Genebra na semana passada, após rodadas anteriores em Abu Dhabi em janeiro. No entanto, disputas territoriais — especialmente a recusa de Kyiv em abandonar sua reivindicação de Donbass — continuam a ser o principal obstáculo para qualquer avanço.

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