Brenda Castillo no triplo crime de Florencio Varela: três novos processados por homicídio agravado

O juiz federal Jorge Rodríguez processou três novos suspeitos em relação ao brutal homicídio de Brenda del Castillo, Morena Verdi e Lara Gutiérrez, cujos corpos foram descobertos no final de setembro de 2025 numa residência localizada em Florencio Varela. Os três processados — Mónica Mujica (37 anos), Joseph Cubas Zavaleta (31 anos, apelidado de “Senhor J”) e Bernabé Jesús Mallon (42 anos) — foram formalmente acusados de privação ilegal de liberdade coactiva agravada reiterada e homicídio agravado reiterado, de acordo com a decisão emitida em 30 de dezembro de 2025.

As vítimas: Brenda Castillo, Morena Verdi e Lara Gutiérrez

Brenda Castillo tinha vinte anos quando foi sequestrada junto com Morena Verdi, também de vinte anos, e Lara Gutiérrez, de apenas quinze. As três jovens foram enganadas para subir numa caminhonete Chevrolet Tracker branca nas proximidades da Quila e El Tiburón, em Ciudad Evita, La Matanza, na tarde de 19 de setembro de 2025. Segundo registros de câmeras de segurança que documentaram o trajeto, foram levadas de La Tablada até uma casa em Florencio Varela, onde supostamente ocorreria uma festa. Uma vez dentro da residência, os agressores revelaram suas verdadeiras intenções: recuperar um carregamento de droga que havia sido roubado.

O crime: subtração de narcóticos e retaliação mortal

A investigação revelou que o motivo do crime foi o roubo de um carregamento de substâncias ilícitas destinadas à venda ao varejo em Florencio Varela. O carregamento havia sido furtado de uma organização de tráfico de drogas de estrutura celular que atuava na região. Os autores do roubo tinham conexões com as vítimas e usaram enganos e artimanhas, aproveitando sua vulnerabilidade, para estabelecer um vínculo de confiança que lhes permitisse atraí-las para a armadilha.

O juiz Rodríguez descreveu em sua decisão como os agressores submeteram as vítimas a “violências físicas extremas, por meio de socos, pontapés e uso de elementos cortopunzantes, provocando lesões gravíssimas”. Enfatizou que o sofrimento infligido “não foi instantâneo nem necessário para causar a morte, mas envolveu um aumento deliberado e desumano do sofrimento”, configurando assim o crime de crueldade. Após a morte das jovens, os perpetradores esconderam os corpos por meio de enterro clandestino e procederam à eliminação de rastros e descarte dos veículos utilizados.

A investigação inicial e a transferência para a justiça federal

Inicialmente, o caso foi tramitado na Justiça provincial de Buenos Aires sob a direção do promotor de La Matanza, Adrián Arribas, com a colaboração de Claudio Fornaro e Diego Rulli. O juiz de Garantias Fernando Pinos Guevara também participou na fase inicial. Os promotores apresentaram um parecer de 227 páginas fundamentando o pedido de prisão preventiva para oito detidos inicialmente.

O caso foi transferido para a esfera federal devido à participação de uma organização narcotraficante multiterritorial vinculada à lei 23.737 sobre delitos de drogas. Os promotores argumentaram que “a intervenção da Justiça Federal se via como a melhor solução para garantir maior eficácia na investigação”. O juiz federal Jorge Rodríguez assumiu então a investigação, buscando assegurar uma persecução penal estratégica e eficaz.

Os suspeitos e seus papéis na conspiração

Os três novos processados desempenharam papéis específicos no crime. O juiz estabeleceu que “os nomeados forneceram contribuições essenciais para a concretização do iter criminis, participando de diferentes fases da ação delituosa: desde o planejamento prévio, a logística de captação e transporte das vítimas, o asseguramento do local de cativeiro, até o controle e subjugação das mesmas”.

Mónica Mujica, esposa de Víctor Sotacuro Lázaro (um membro-chave da organização narcotraficante), teve papel na logística do crime. Segundo depoimentos de testemunhas, após o homicídio de Brenda Castillo e suas companheiras, Mujica teria descartado o telefone celular de seu marido. Joseph Cubas Zavaleta, identificado como um traficante de origem peruana, teria exercido um papel de coordenação. Bernabé Jesús Mallon participou ativamente nas fases de planejamento e execução.

Tony Janzen Valverde Victoriano e a rede criminosa

Inicialmente, Tony Janzen Valverde Victoriano, apelidado de “Pequeno J” e na época detido no Peru aguardando extradição, foi apontado como o autor intelectual do triplo homicídio. No entanto, as investigações demonstraram uma rede mais complexa de participantes. A organização narcotraficante era composta por múltiplos membros incluindo Víctor Sotacuro Lázaro (apelidado de “El Duro”), Alex Roger Ydone Castillo, Celeste González Guerrero, Milagros Florencia Ibañez, Iara Daniela Ibarra, Matías Agustín Ozorio, Maximiliano Parra, Miguel Ángel Villanueva Silva, e outros indivíduos não identificados.

Evidências e depoimentos-chave

Entre as provas apresentadas estão os rastreamentos veiculares realizados por câmeras de segurança que documentaram o trajeto da caminhonete Chevrolet Tracker branca de La Tablada até Florencio Varela. Ao chegar na área do conurbano, se juntou um Volkswagen Fox conduzido por Alex Ydone Castillo, Sotacuro e Ibañez, aprofundando a coordenação da operação.

Depoimentos de identidade reservada foram essenciais para vincular Cubas Zavaleta à coordenação do crime. Uma testemunha afirmou que o traficante peruano, mesmo desde sua detenção em uma cela da Polícia Federal Argentina em Palermo, continuava ordenando operações e possuía uma agenda onde anotava dados que comprovariam sua participação intelectual. Este caderno foi apreendido durante a operação na cela.

Fundamentos da decisão judicial

O juiz Rodríguez concluiu que os acusados agiram “de modo seguro, por traição e sem possibilidade de defesa”. Enfatizou que o objetivo dos perpetradores era causar a morte das vítimas “para ocultar o fato delitivo cometido anteriormente”, usando “socos, pontapés, bem como com o uso de elementos cortantes e pontiagudos”, o que demonstrava uma intenção deliberada de aumentar o sofrimento de forma “desumana”.

A decisão destaca que o comportamento dos acusados demonstra “um desprezo total pela vida humana em sua máxima expressão”. O ocultamento posterior dos corpos por meio de enterro clandestino e a eliminação de rastros evidenciam uma conduta voltada a garantir a impunidade do fato, agravando ainda mais a responsabilidade penal dos envolvidos no triplo homicídio de Brenda Castillo, Morena Verdi e Lara Gutiérrez.

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