Os preços do café ganharam impulso significativo na segunda-feira, à medida que o índice do dólar dos EUA caiu acentuadamente para mínimos recentes, criando condições favoráveis para o comércio de commodities. Os contratos de café arábica de março fecharam com ganhos de +1,52%, enquanto o café robusta ICE de março avançou +1,33%. Este movimento ascendente refletiu uma confluência de fatores que estão a remodelar o mercado global de café, desde dinâmicas cambiais até desafios de produção em regiões de cultivo importantes.
Obstáculos cambiais criam ventos favoráveis para os preços do café
A fraqueza contínua do índice do dólar revelou-se instrumental na condução do recente rally do café. Com a moeda dos EUA a recuar mais -0,5% para mínimos de 4 meses, as commodities importadas tornaram-se mais atrativas para compradores internacionais. Esta dinâmica tem apoiado historicamente os preços do café, pois um dólar mais fraco reduz o custo de compra do café em moedas estrangeiras e aumenta a procura nos mercados externos. A relação entre movimentos cambiais e avaliações de commodities sublinha como fatores macroeconómicos influenciam o comércio de café.
Desafios no Brasil remodelam a dinâmica do café arábica
O Brasil, maior produtor mundial de café arábica, enfrenta um cenário de oferta complexo. Dados recentes da Cecafe revelaram que as exportações de café verde de dezembro contraíram-se acentuadamente -18,4%, para 2,86 milhões de sacos face ao ano anterior, com as remessas de arábica a diminuir -10% para 2,6 milhões de sacos. Esta retração na oferta de café arábica brasileiro estreita o mercado global, apoiando pisos de preço.
Para além destes desafios, as condições meteorológicas nas principais regiões de cultivo de café no Brasil continuam preocupantes. Minas Gerais, que serve como o maior centro de produção de arábica do Brasil, recebeu apenas 33,9 mm de chuva durante meados de janeiro—apenas 53% da média histórica, segundo a Somar Meteorologia. Precipitações abaixo da média levantam questões sobre o desenvolvimento da colheita e o potencial de rendimento futuro, criando suporte estrutural adicional para as avaliações do café arábica.
Entretanto, a previsão atualizada da Conab sugeriu fornecimentos abundantes no futuro. Em dezembro, a agência oficial de previsão de colheitas do Brasil aumentou a sua estimativa de produção total para 2025 em +2,4%, para 56,54 milhões de sacos, partindo de uma projeção anterior de setembro de 55,20 milhões de sacos. Esta revisão ascendente introduz pressões baixistas sobre os preços do café, sugerindo que a escassez de oferta pode não persistir indefinidamente.
Surge de robusta vietnamita introduz novas dinâmicas de mercado
O papel do Vietname como maior produtor mundial de robusta tem-se tornado cada vez mais crucial. As exportações de café do país para 2025 aumentaram +17,5% face ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname. Olhando para o futuro, as projeções da Associação de Café e Cacau do Vietname indicam que a produção de 2025/26 poderá subir mais 6%, para 1,76 milhões de toneladas métricas—potencialmente o nível mais alto em quatro anos, se as condições meteorológicas forem favoráveis.
Este aumento na produção de robusta vietnamita introduz pressões concorrentes no mercado global. Enquanto a escassez de arábica sustenta os preços do café, a abundância de alternativas robusta modera o potencial de valorização na categoria mais ampla.
Sinais de inventário enviam mensagens mistas
A trajetória dos inventários de café monitorizados pela ICE revela mudanças na psicologia do mercado. Os stocks de arábica tinham caído para mínimos de vários anos, de 398.645 sacos em novembro, mas recuperaram para 461.829 sacos em meados de janeiro—uma reversão que sugere uma diminuição da escassez imediata. De forma semelhante, os inventários de robusta subiram de mínimos de 1 ano para máximos recentes, indicando maior disponibilidade à entrada de períodos de negociação chave.
Estas recuperações de inventário introduzem obstáculos aos preços do café. Mercados que enfrentam escassezes iminentes de oferta normalmente exigem avaliações premium; à medida que as disponibilidades aumentam, o suporte de preço erosiona-se proporcionalmente.
Perspetiva global: produção recorde em meio a mudanças estruturais
O panorama internacional apresenta um paradoxo para os preços do café. A Organização Internacional do Café reportou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual caíram -0,3% face ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos até novembro, sugerindo escassez. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou uma perspetiva diferente no seu relatório de dezembro.
A FAS projetou que a produção global de café de 2025/26 atingirá um recorde de 178,848 milhões de sacos, representando um crescimento de +2,0%. Dentro deste total, a produção de arábica deverá diminuir -4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a robusta dispara +10,9%, para 83,333 milhões de sacos. A FAS prevê especificamente que a produção do Brasil em 2025/26 seja de 63 milhões de sacos (queda de -3,1% face ao ano anterior) e que a produção do Vietname suba +6,2%, para 30,8 milhões de sacos.
A previsão também indicou que os preços globais do café poderão enfrentar pressões estruturais: os stocks finais para 2025/26 estão projetados a diminuir -5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos no ano anterior, embora o nível permaneça gerível relativamente aos padrões de consumo.
O que esperar para os preços do café
A perspetiva de curto prazo para os preços do café depende de se a escassez de oferta nas variedades de arábica poderá compensar a abundância de robusta. A fraqueza do dólar oferece um impulso temporário, mas as dinâmicas fundamentais de oferta parecem estar prontas para retomar o domínio com o tempo. Os principais países produtores—Brasil e Vietname—operam sob diferentes constrangimentos, criando pressões assimétricas no complexo do café. Os investidores que monitorizam os preços do café devem acompanhar de perto tanto os movimentos cambiais quanto os relatórios de produção, pois ambos continuam a ser críticos para a direção do mercado até 2026 e além.
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Os preços globais do café sobem devido à fraqueza do dólar e às dinâmicas de oferta restrita
Os preços do café ganharam impulso significativo na segunda-feira, à medida que o índice do dólar dos EUA caiu acentuadamente para mínimos recentes, criando condições favoráveis para o comércio de commodities. Os contratos de café arábica de março fecharam com ganhos de +1,52%, enquanto o café robusta ICE de março avançou +1,33%. Este movimento ascendente refletiu uma confluência de fatores que estão a remodelar o mercado global de café, desde dinâmicas cambiais até desafios de produção em regiões de cultivo importantes.
Obstáculos cambiais criam ventos favoráveis para os preços do café
A fraqueza contínua do índice do dólar revelou-se instrumental na condução do recente rally do café. Com a moeda dos EUA a recuar mais -0,5% para mínimos de 4 meses, as commodities importadas tornaram-se mais atrativas para compradores internacionais. Esta dinâmica tem apoiado historicamente os preços do café, pois um dólar mais fraco reduz o custo de compra do café em moedas estrangeiras e aumenta a procura nos mercados externos. A relação entre movimentos cambiais e avaliações de commodities sublinha como fatores macroeconómicos influenciam o comércio de café.
Desafios no Brasil remodelam a dinâmica do café arábica
O Brasil, maior produtor mundial de café arábica, enfrenta um cenário de oferta complexo. Dados recentes da Cecafe revelaram que as exportações de café verde de dezembro contraíram-se acentuadamente -18,4%, para 2,86 milhões de sacos face ao ano anterior, com as remessas de arábica a diminuir -10% para 2,6 milhões de sacos. Esta retração na oferta de café arábica brasileiro estreita o mercado global, apoiando pisos de preço.
Para além destes desafios, as condições meteorológicas nas principais regiões de cultivo de café no Brasil continuam preocupantes. Minas Gerais, que serve como o maior centro de produção de arábica do Brasil, recebeu apenas 33,9 mm de chuva durante meados de janeiro—apenas 53% da média histórica, segundo a Somar Meteorologia. Precipitações abaixo da média levantam questões sobre o desenvolvimento da colheita e o potencial de rendimento futuro, criando suporte estrutural adicional para as avaliações do café arábica.
Entretanto, a previsão atualizada da Conab sugeriu fornecimentos abundantes no futuro. Em dezembro, a agência oficial de previsão de colheitas do Brasil aumentou a sua estimativa de produção total para 2025 em +2,4%, para 56,54 milhões de sacos, partindo de uma projeção anterior de setembro de 55,20 milhões de sacos. Esta revisão ascendente introduz pressões baixistas sobre os preços do café, sugerindo que a escassez de oferta pode não persistir indefinidamente.
Surge de robusta vietnamita introduz novas dinâmicas de mercado
O papel do Vietname como maior produtor mundial de robusta tem-se tornado cada vez mais crucial. As exportações de café do país para 2025 aumentaram +17,5% face ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname. Olhando para o futuro, as projeções da Associação de Café e Cacau do Vietname indicam que a produção de 2025/26 poderá subir mais 6%, para 1,76 milhões de toneladas métricas—potencialmente o nível mais alto em quatro anos, se as condições meteorológicas forem favoráveis.
Este aumento na produção de robusta vietnamita introduz pressões concorrentes no mercado global. Enquanto a escassez de arábica sustenta os preços do café, a abundância de alternativas robusta modera o potencial de valorização na categoria mais ampla.
Sinais de inventário enviam mensagens mistas
A trajetória dos inventários de café monitorizados pela ICE revela mudanças na psicologia do mercado. Os stocks de arábica tinham caído para mínimos de vários anos, de 398.645 sacos em novembro, mas recuperaram para 461.829 sacos em meados de janeiro—uma reversão que sugere uma diminuição da escassez imediata. De forma semelhante, os inventários de robusta subiram de mínimos de 1 ano para máximos recentes, indicando maior disponibilidade à entrada de períodos de negociação chave.
Estas recuperações de inventário introduzem obstáculos aos preços do café. Mercados que enfrentam escassezes iminentes de oferta normalmente exigem avaliações premium; à medida que as disponibilidades aumentam, o suporte de preço erosiona-se proporcionalmente.
Perspetiva global: produção recorde em meio a mudanças estruturais
O panorama internacional apresenta um paradoxo para os preços do café. A Organização Internacional do Café reportou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual caíram -0,3% face ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos até novembro, sugerindo escassez. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou uma perspetiva diferente no seu relatório de dezembro.
A FAS projetou que a produção global de café de 2025/26 atingirá um recorde de 178,848 milhões de sacos, representando um crescimento de +2,0%. Dentro deste total, a produção de arábica deverá diminuir -4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a robusta dispara +10,9%, para 83,333 milhões de sacos. A FAS prevê especificamente que a produção do Brasil em 2025/26 seja de 63 milhões de sacos (queda de -3,1% face ao ano anterior) e que a produção do Vietname suba +6,2%, para 30,8 milhões de sacos.
A previsão também indicou que os preços globais do café poderão enfrentar pressões estruturais: os stocks finais para 2025/26 estão projetados a diminuir -5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos no ano anterior, embora o nível permaneça gerível relativamente aos padrões de consumo.
O que esperar para os preços do café
A perspetiva de curto prazo para os preços do café depende de se a escassez de oferta nas variedades de arábica poderá compensar a abundância de robusta. A fraqueza do dólar oferece um impulso temporário, mas as dinâmicas fundamentais de oferta parecem estar prontas para retomar o domínio com o tempo. Os principais países produtores—Brasil e Vietname—operam sob diferentes constrangimentos, criando pressões assimétricas no complexo do café. Os investidores que monitorizam os preços do café devem acompanhar de perto tanto os movimentos cambiais quanto os relatórios de produção, pois ambos continuam a ser críticos para a direção do mercado até 2026 e além.