A Starlink é a chave: Por que a SpaceX está avaliada em até 1,5 triliões de dólares?

Dezembro de 2025, uma notícia que faz o mercado financeiro ficar em suspense. A SpaceX acaba de concluir uma rodada de avaliação interna em 800 bilhões de dólares, abrindo caminho para um IPO em 2026 com o objetivo de captar mais de 30 bilhões de dólares. Se atingir a avaliação de 1,5 triliões de dólares como previsto, será o maior IPO da história, superando o recorde de 29 bilhões de dólares da Saudi Aramco em 2019.

Este número parece astronômico, mas por trás dele não há uma lenda, e sim decisões técnicas e comerciais extremamente específicas.

De fracassos à monopolização: A jornada de 23 anos

Em 2002, Musk fundou a SpaceX em um armazém antigo de 75.000 pés quadrados nos arredores de Los Angeles, com um capital de 100 milhões de dólares. Na época, Boeing e Lockheed Martin zombaram da empresa — uma startup que ousou entrar no setor monopolizado pelos grandes do setor de defesa.

Três tentativas de lançamento consecutivas fracassaram. Em 2008, quando o Falcon 1 explodiu na terceira tentativa, a SpaceX tinha dinheiro suficiente apenas para mais um lançamento. A crise financeira global, a Tesla à beira da falência, e até os heróis espaciais de Musk — Neil Armstrong e Eugene Cernan — fizeram comentários sarcásticos sobre o plano de foguete dele.

Na noite de 28 de setembro de 2008, o Falcon 1 decolou pela quarta vez. No momento em que o foguete entrou em órbita, a SpaceX ressurgiu das cinzas. Dez dias depois, a NASA assinou um contrato de 1,6 bilhão de dólares para 12 missões de transporte — um verdadeiro salva-vidas no momento crítico.

Como o pensamento de “princípios first” mudou a aviação e o espaço

Mas a sobrevivência foi apenas o começo. Musk acreditava firmemente que o foguete deve ser reutilizável — uma decisão quase insana na época.

Em 2001, Musk usou uma planilha Excel para analisar custos. Descobriu que os grandes players tradicionais aumentaram artificialmente os preços em 10 a 100 vezes. Uma porca poderia ser vendida por 500 dólares, mas o material de alumínio e titânio custava apenas alguns dólares por quilo. Se os custos fossem inflacionados artificialmente, certamente poderiam ser reduzidos de forma artificial.

Em 2015, um momento histórico aconteceu. O primeiro estágio do Falcon 9 retornou à base de lançamento em Cabo Canaveral e pousou verticalmente, como em um filme de ficção científica. As “regras antigas” da indústria aeroespacial foram completamente quebradas.

Aço inoxidável substituindo carbono: “Usar materiais baratos para tecnologia de ponta”

Ao desenvolver o Starship rumo a Marte, a SpaceX também caiu na “armadilha dos materiais premium”. A indústria seguia a lógica do carbono — caro, complexo, mas “padrão do setor”.

Musk quebrou essa suposição. O carbono custa 135 dólares por quilo, mas é frágil ao calor. O aço inoxidável 304 — o mesmo tipo de aço usado em panelas de cozinha — custa apenas 3 dólares por quilo e suporta temperaturas de até 1400 graus.

Incluindo o sistema de isolamento térmico, o foguete de aço inoxidável tem peso total semelhante ao do carbono, mas o custo é reduzido em 40 vezes. Isso liberta a SpaceX de fábricas altamente sofisticadas. Eles só precisam montar tendas no Texas, soldar os foguetes como fazer um tanque de água, lançar sem medo, limpar e continuar.

Essa é a verdadeira vantagem competitiva da SpaceX — não é a tecnologia de ponta, mas uma mentalidade de redução de custos baseada nos princípios fundamentais da física.

Starlink: De tecnologia a infraestrutura lucrativa

De 1,3 bilhões de dólares (2012) → 400 bilhões de dólares (2024) → 800 bilhões de dólares (atualmente), a avaliação da SpaceX cresceu de forma extraordinária. Mas o que realmente sustenta esses números gigantescos não são os lançamentos de foguetes, e sim o Starlink.

Antes do Starlink, a SpaceX era apenas uma imagem impressionante nas notícias. O Starlink mudou tudo — transformou o setor aeroespacial de um conceito para uma infraestrutura básica, como água e eletricidade.

Até novembro de 2025:

  • 7,65 milhões de assinantes globais
  • 24,5 milhões de usuários ativos
  • América do Norte: 43% das assinaturas
  • Novos mercados (Coreia do Sul, Sudeste Asiático): 40% dos novos usuários

Receita prevista:

  • 2025: 15 bilhões de dólares
  • 2026: 22-24 bilhões de dólares (aumentando 50-60%)
  • Mais de 80% da receita vem do Starlink

A SpaceX completou sua transformação de uma contratada dependente de contratos para uma gigante global de telecomunicações com monopólio de fato. Essa é a verdadeira razão pela qual Wall Street se atreve a avaliar a empresa em patamares tão elevados — não pela frequência dos lançamentos, mas pelo fluxo de caixa recorrente proveniente da internet via satélite.

Maior IPO da história: combustível para Marte

Se conseguir captar com sucesso 30 bilhões de dólares, a SpaceX superará a Saudi Aramco, tornando-se o maior IPO da história. Uma avaliação de 1,5 trilhão de dólares pode colocar a SpaceX entre as 20 maiores empresas listadas do mundo.

Funcionários em Boca Chica e na fábrica de Hawthorne — aqueles que já dormiram no chão da fábrica, superando o “inferno da produção” — darão as boas-vindas a uma enxurrada de milionários, e até bilionários. O preço de 420 dólares por ação na rodada de venda privada recente demonstra isso.

Mas Musk não vê o IPO como uma “saída de dinheiro” no sentido tradicional. Em 2022, ele já havia dito com franqueza: “O IPO é um convite para o sofrimento”. Três anos depois, ele mudou de ideia por uma razão simples — Musk precisa de capital para seus sonhos.

O roteiro dele é:

  • 2 anos: testes de Starship com pouso automático em Marte
  • 4 anos: pegadas humanas na superfície vermelha
  • 20 anos: construir uma cidade autossuficiente com 1.000 naves Starship

Musk já declarou várias vezes que o único objetivo de acumular riqueza é fazer a humanidade se tornar uma espécie multiplanetária.

Sob essa perspectiva, centenas de bilhões de dólares de um IPO não são uma jogada de ostentação, mas sim uma “taxa de passagem interestelar” que Musk cobra da Terra. Tudo se transformará em combustível, aço e oxigênio, percorrendo o caminho até Marte.

O maior IPO da história — no final, será uma história da humanidade, não de um indivíduo.

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