13 de dezembro, um documento interno de financiamento lançou uma bomba na Wall Street. A última rodada de financiamento da SpaceX avaliou a empresa em 80 bilhões de dólares, e de acordo com fontes próximas, Musk está ativamente preparando um IPO para 2026, com uma captação superior a 30 bilhões de dólares. Se considerarmos a ambição de Musk, a avaliação final da SpaceX pode atingir 1,5 trilhão de dólares, superando o recorde criado pela estreia da Saudi Aramco em 2019.
Mas o começo desta história foi muito menos brilhante.
À beira do desespero em 2008
Voltando ao inverno de 2008, ninguém acreditaria na situação de hoje.
Naquela época, a SpaceX era vista por Boeing e Lockheed Martin como uma formiga prestes a ser esmagada. A empresa estava passando por uma crise sem fim.
Musk tinha 30 anos na época, acabara de liquidar centenas de milhões de dólares do PayPal. Ele poderia ter comprado fundos de ações e vivido de forma despreocupada, como outros empreendedores do Vale do Silício. Mas escolheu um caminho louco — construir foguetes, ir para Marte.
Em 2001, ele até viajou até a Rússia, tentando comprar foguetes do Dnepr Design Bureau. Foi ridicularizado na frente de um engenheiro russo, que zombou dele: “Você não entende nada de tecnologia espacial.” No avião de volta, todos estavam desanimados, exceto Musk, que digitava no teclado. De repente, virou-se e disse uma frase que mudaria a história: “Podemos fazer nós mesmos.”
Em fevereiro de 2002, a SpaceX foi fundada em um armazém de 75 mil pés quadrados nos arredores de Los Angeles. Musk investiu 100 milhões de dólares, com o objetivo de se tornar a “Southwest Airlines do espaço”.
Mas a realidade logo lhe deu um tapa na cara. Construir foguetes não só é difícil, como extremamente caro. Uma frase do setor diz: “Sem um bilhão de dólares, você nem consegue acordar a Boeing.” 100 milhões de dólares neste setor é como uma gota no oceano.
Pior ainda, a SpaceX enfrentava um mercado monopolizado pela Boeing e Lockheed Martin. Esses gigantes não só lideravam tecnologicamente, como também tinham uma forte rede de relações governamentais. Para um intruso como a SpaceX, a única atitude era zombar.
O preço do fracasso contínuo
Em 2006, o foguete Falcon 1 foi lançado pela primeira vez. Após 25 segundos, explodiu.
Em 2007, na segunda tentativa. Fracasso novamente.
Em agosto de 2008, na terceira tentativa, os estágios primário e secundário colidiram, transformando-se em destroços sobre o Pacífico.
As zombarias eram constantes. Alguém dizia: “Ele acha que fazer foguetes é como programar, que dá para corrigir com patches?”
Foi o ano mais sombrio da vida de Musk. A crise financeira global eclodiu, a Tesla quase quebrou, e sua esposa, com quem tinha 10 anos de casamento, o deixou. E o pior: o dinheiro da SpaceX estava no limite.
A última rodada de financiamento foi suficiente apenas para manter as operações. Se falhasse uma quarta vez, a SpaceX se dissolveria, e Musk ficaria com nada.
E então, um golpe cruel aconteceu. Seus ídolos de infância — os astronautas Armstrong e Cernan, que pisaram na Lua — publicamente disseram que não acreditavam no foguete de Musk. Armstrong chegou a dizer: “Você não entende o que não sabe.”
Anos depois, em uma entrevista, Musk falou sobre esse episódio com os olhos marejados. Ele não chorou quando o foguete explodiu, nem quando a empresa quase quebrou, mas ao ser negado por seus ídolos. Disse ao apresentador: “São meus heróis, é muito difícil. Gostaria que eles pudessem ver o quanto meu trabalho é difícil.”
Um segundo que virou a maré
28 de setembro de 2008, essa data será escrita na história da exploração espacial.
O dia do lançamento não teve discursos grandiosos, nem slogans motivacionais, apenas um grupo em silêncio na sala de controle assistindo às telas.
O foguete decolou. Sem explodir. Após 9 minutos, o motor foi desligado conforme o planejado, e a carga entrou na órbita prevista.
“Conseguimos!” — gritos e aplausos explodiram na sala de controle. Musk levantou as mãos, seu irmão Kimbal, ao seu lado, chorou.
O Falcon 1 foi o primeiro foguete de uma empresa privada a colocar algo em órbita com sucesso. A SpaceX não só sobreviveu, como também encontrou uma redenção crucial.
Quatro dias antes do Natal, o diretor da NASA, William Gerstenmaier, ligou para encerrar a crise de 2008. A SpaceX recebeu um contrato de 1,6 bilhão de dólares para realizar 12 missões de transporte de ida e volta à Estação Espacial.
Musk ficou tão empolgado que trocou sua senha do computador para “ilovenasa”.
Redefinindo foguetes
Depois de sobreviver, Musk se apegou a um objetivo aparentemente louco: foguetes devem ser reutilizáveis.
Praticamente todos os engenheiros da empresa eram contra. Não por falta de tecnologia, mas por risco comercial. Assim como ninguém gastaria dinheiro para recuperar copos de papel descartáveis, ninguém via lucro em recuperar foguetes.
Mas a lógica de Musk era simples: se aviões só podem voar uma vez antes de serem descartados, ninguém voa; se foguetes não podem ser reutilizados, a exploração espacial será sempre um jogo de poucos.
Essa obsessão vem de um princípio fundamental dele: ao analisar os custos dos foguetes no Excel, descobriu que os preços das grandes fabricantes tradicionais estavam artificialmente inflacionados por dezenas de vezes. Uma porca custa algumas centenas de dólares, enquanto alumínio e titânio, negociados na London Metal Exchange, são muito mais baratos. Como os custos podem ser manipulados para cima, também podem ser manipulados para baixo.
Com base nesse primeiro princípio, a SpaceX iniciou uma jornada sem volta. Lançamentos, explosões, análises, novas explosões, tentativas de recuperação…
Em 21 de dezembro de 2015, um milagre aconteceu.
O foguete Falcon 9, carregando 11 satélites, decolou de Cabo Canaveral. Após 10 minutos, o primeiro estágio retornou ao local de lançamento, pousando verticalmente, como em um filme de ficção científica.
Naquele momento, todas as regras antigas da indústria espacial foram quebradas. A era do espaço barato começou oficialmente por esse “azarão” que foi subestimado.
Usando materiais baratos para tecnologia de ponta
Se recuperar foguetes é o desafio físico da SpaceX, construir a Starship com aço inoxidável é uma derrota de Musk na engenharia.
Durante o desenvolvimento da Starship, o consenso era usar materiais caros, como fibra de carbono composta. A SpaceX investiu pesado nisso, construindo equipamentos gigantes de fibra de carbono. Mas o alto custo e os atrasos alertaram Musk.
Ele voltou ao primeiro princípio, fez as contas: fibra de carbono custa 135 dólares por quilo, é difícil de processar; já o aço inoxidável 304 — usado para panelas e utensílios — custa apenas 3 dólares por quilo.
Os engenheiros se opuseram: “O inox é pesado demais!”
Musk destacou uma verdade física ignorada: fibra de carbono tem baixa resistência ao calor, precisa de isolamento térmico pesado e caro; o inox tem ponto de fusão de 1400 graus, e seu desempenho é mais estável em ambientes de oxigênio líquido em baixas temperaturas. Com um sistema de isolamento, o peso total da foguete de inox é semelhante ao de fibra de carbono, mas o custo é 40 vezes menor!
Essa decisão libertou completamente a SpaceX. Agora, eles não precisam de salas limpas — basta montar um acampamento no deserto do Texas e, como soldar um tambor de água, construir foguetes. Explosões acontecem, os pedaços são varridos e a solda continua.
“Usar materiais baratos para tecnologia de ponta” — essa é a verdadeira vantagem competitiva da SpaceX.
Starlink é a verdadeira mina de ouro
De uma avaliação de 1,3 bilhão de dólares em 2012, para 400 bilhões em julho de 2024, e agora chegando a 800 bilhões, a avaliação da SpaceX realmente “decolou”.
Mas o que sustenta esse valor astronômico não são os foguetes, mas o Starlink.
Antes do Starlink, a SpaceX era apenas uma imagem impressionante nas notícias — ou explodia, ou aterrissava. O Starlink mudou tudo.
Essa rede de milhares de satélites em órbita baixa está se tornando o maior provedor de internet do mundo. Transformou a “exploração espacial” de uma visão intangível em uma infraestrutura como água e eletricidade.
No iate no Pacífico, em ruínas de guerra, basta um receptor do tamanho de uma caixa de pizza para que o sinal caia de uma órbita a centenas de quilômetros de distância. Não só está remodelando o cenário global de comunicações, como também virou uma máquina de imprimir dinheiro, fornecendo fluxo contínuo de caixa para a SpaceX.
Até novembro de 2025, o número de usuários registrados do Starlink no mundo atingiu 7,65 milhões, com mais de 24,5 milhões de usuários ativos. O mercado norte-americano responde por 43% das assinaturas, enquanto Coreia e Sudeste Asiático contribuem com 40% dos novos usuários.
Essa é a verdadeira razão pela qual Wall Street se atreve a oferecer avaliações tão altas para a SpaceX — não pela frequência de lançamentos, mas pela receita periódica gerada pelo Starlink.
Segundo dados financeiros, a receita da SpaceX em 2025 deve atingir 15 bilhões de dólares, podendo chegar a 22-24 bilhões em 2026, sendo mais de 80% proveniente do negócio Starlink.
A SpaceX já fez uma transformação espetacular, evoluindo de uma simples contratada espacial para uma gigante de telecomunicações que domina o cenário global.
Última corrida antes do IPO
Se a SpaceX conseguir uma rodada de financiamento de 30 bilhões de dólares, superará o recorde de 29 bilhões de dólares da Saudi Aramco em 2019, tornando-se o maior IPO da história.
Segundo algumas previsões de bancos de investimento, a avaliação final da SpaceX pode chegar a 1,5 trilhão de dólares, entrando diretamente no grupo das 20 maiores empresas listadas por valor de mercado.
Para os funcionários das fábricas de Boca Chica e Hawthorne, o que isso significa? Na última rodada de financiamento interno, o preço das ações foi fixado em 420 dólares por ação. Aqueles que dormiram no chão da fábrica, enfrentando o “inferno da fabricação” inúmeras vezes, podem se tornar milionários, ou até bilionários.
Mas para Musk, o IPO não é uma simples “venda de ações”. Ele sempre foi contra a abertura de capital. Em uma reunião de funcionários da SpaceX em 2022, ele deu uma ducha de água fria: “O IPO é um convite para a dor, o preço das ações só vai distrair.”
Três anos depois, o que mudou sua atitude?
Sonhar grande requer combustível. Segundo Musk, nos próximos dois anos, a missão é realizar testes de pouso no Marte com Starship sem tripulação; em quatro anos, os humanos devem pisar na superfície marciana; o objetivo final é usar 1000 Starships para construir uma cidade autossuficiente em Marte em 20 anos. Tudo isso exige uma quantidade astronômica de recursos.
Ele revelou em várias entrevistas que o único objetivo de acumular riqueza é tornar a humanidade uma “espécie multiplanetária”.
Sob essa perspectiva, os bilhões arrecadados no IPO não serão usados para iates ou mansões, mas como combustível, aço e oxigênio, para pavimentar o longo caminho até Marte.
Essa pode ser a maior e mais grandiosa rodada de financiamento da história humana — e seu destino não está na Terra.
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
Quão longe está a SpaceX de uma avaliação de 1,5 triliões de dólares? Aquelas horas à beira do desespero
Elon Musk quase perdeu tudo.
13 de dezembro, um documento interno de financiamento lançou uma bomba na Wall Street. A última rodada de financiamento da SpaceX avaliou a empresa em 80 bilhões de dólares, e de acordo com fontes próximas, Musk está ativamente preparando um IPO para 2026, com uma captação superior a 30 bilhões de dólares. Se considerarmos a ambição de Musk, a avaliação final da SpaceX pode atingir 1,5 trilhão de dólares, superando o recorde criado pela estreia da Saudi Aramco em 2019.
Mas o começo desta história foi muito menos brilhante.
À beira do desespero em 2008
Voltando ao inverno de 2008, ninguém acreditaria na situação de hoje.
Naquela época, a SpaceX era vista por Boeing e Lockheed Martin como uma formiga prestes a ser esmagada. A empresa estava passando por uma crise sem fim.
Musk tinha 30 anos na época, acabara de liquidar centenas de milhões de dólares do PayPal. Ele poderia ter comprado fundos de ações e vivido de forma despreocupada, como outros empreendedores do Vale do Silício. Mas escolheu um caminho louco — construir foguetes, ir para Marte.
Em 2001, ele até viajou até a Rússia, tentando comprar foguetes do Dnepr Design Bureau. Foi ridicularizado na frente de um engenheiro russo, que zombou dele: “Você não entende nada de tecnologia espacial.” No avião de volta, todos estavam desanimados, exceto Musk, que digitava no teclado. De repente, virou-se e disse uma frase que mudaria a história: “Podemos fazer nós mesmos.”
Em fevereiro de 2002, a SpaceX foi fundada em um armazém de 75 mil pés quadrados nos arredores de Los Angeles. Musk investiu 100 milhões de dólares, com o objetivo de se tornar a “Southwest Airlines do espaço”.
Mas a realidade logo lhe deu um tapa na cara. Construir foguetes não só é difícil, como extremamente caro. Uma frase do setor diz: “Sem um bilhão de dólares, você nem consegue acordar a Boeing.” 100 milhões de dólares neste setor é como uma gota no oceano.
Pior ainda, a SpaceX enfrentava um mercado monopolizado pela Boeing e Lockheed Martin. Esses gigantes não só lideravam tecnologicamente, como também tinham uma forte rede de relações governamentais. Para um intruso como a SpaceX, a única atitude era zombar.
O preço do fracasso contínuo
Em 2006, o foguete Falcon 1 foi lançado pela primeira vez. Após 25 segundos, explodiu.
Em 2007, na segunda tentativa. Fracasso novamente.
Em agosto de 2008, na terceira tentativa, os estágios primário e secundário colidiram, transformando-se em destroços sobre o Pacífico.
As zombarias eram constantes. Alguém dizia: “Ele acha que fazer foguetes é como programar, que dá para corrigir com patches?”
Foi o ano mais sombrio da vida de Musk. A crise financeira global eclodiu, a Tesla quase quebrou, e sua esposa, com quem tinha 10 anos de casamento, o deixou. E o pior: o dinheiro da SpaceX estava no limite.
A última rodada de financiamento foi suficiente apenas para manter as operações. Se falhasse uma quarta vez, a SpaceX se dissolveria, e Musk ficaria com nada.
E então, um golpe cruel aconteceu. Seus ídolos de infância — os astronautas Armstrong e Cernan, que pisaram na Lua — publicamente disseram que não acreditavam no foguete de Musk. Armstrong chegou a dizer: “Você não entende o que não sabe.”
Anos depois, em uma entrevista, Musk falou sobre esse episódio com os olhos marejados. Ele não chorou quando o foguete explodiu, nem quando a empresa quase quebrou, mas ao ser negado por seus ídolos. Disse ao apresentador: “São meus heróis, é muito difícil. Gostaria que eles pudessem ver o quanto meu trabalho é difícil.”
Um segundo que virou a maré
28 de setembro de 2008, essa data será escrita na história da exploração espacial.
O dia do lançamento não teve discursos grandiosos, nem slogans motivacionais, apenas um grupo em silêncio na sala de controle assistindo às telas.
O foguete decolou. Sem explodir. Após 9 minutos, o motor foi desligado conforme o planejado, e a carga entrou na órbita prevista.
“Conseguimos!” — gritos e aplausos explodiram na sala de controle. Musk levantou as mãos, seu irmão Kimbal, ao seu lado, chorou.
O Falcon 1 foi o primeiro foguete de uma empresa privada a colocar algo em órbita com sucesso. A SpaceX não só sobreviveu, como também encontrou uma redenção crucial.
Quatro dias antes do Natal, o diretor da NASA, William Gerstenmaier, ligou para encerrar a crise de 2008. A SpaceX recebeu um contrato de 1,6 bilhão de dólares para realizar 12 missões de transporte de ida e volta à Estação Espacial.
Musk ficou tão empolgado que trocou sua senha do computador para “ilovenasa”.
Redefinindo foguetes
Depois de sobreviver, Musk se apegou a um objetivo aparentemente louco: foguetes devem ser reutilizáveis.
Praticamente todos os engenheiros da empresa eram contra. Não por falta de tecnologia, mas por risco comercial. Assim como ninguém gastaria dinheiro para recuperar copos de papel descartáveis, ninguém via lucro em recuperar foguetes.
Mas a lógica de Musk era simples: se aviões só podem voar uma vez antes de serem descartados, ninguém voa; se foguetes não podem ser reutilizados, a exploração espacial será sempre um jogo de poucos.
Essa obsessão vem de um princípio fundamental dele: ao analisar os custos dos foguetes no Excel, descobriu que os preços das grandes fabricantes tradicionais estavam artificialmente inflacionados por dezenas de vezes. Uma porca custa algumas centenas de dólares, enquanto alumínio e titânio, negociados na London Metal Exchange, são muito mais baratos. Como os custos podem ser manipulados para cima, também podem ser manipulados para baixo.
Com base nesse primeiro princípio, a SpaceX iniciou uma jornada sem volta. Lançamentos, explosões, análises, novas explosões, tentativas de recuperação…
Em 21 de dezembro de 2015, um milagre aconteceu.
O foguete Falcon 9, carregando 11 satélites, decolou de Cabo Canaveral. Após 10 minutos, o primeiro estágio retornou ao local de lançamento, pousando verticalmente, como em um filme de ficção científica.
Naquele momento, todas as regras antigas da indústria espacial foram quebradas. A era do espaço barato começou oficialmente por esse “azarão” que foi subestimado.
Usando materiais baratos para tecnologia de ponta
Se recuperar foguetes é o desafio físico da SpaceX, construir a Starship com aço inoxidável é uma derrota de Musk na engenharia.
Durante o desenvolvimento da Starship, o consenso era usar materiais caros, como fibra de carbono composta. A SpaceX investiu pesado nisso, construindo equipamentos gigantes de fibra de carbono. Mas o alto custo e os atrasos alertaram Musk.
Ele voltou ao primeiro princípio, fez as contas: fibra de carbono custa 135 dólares por quilo, é difícil de processar; já o aço inoxidável 304 — usado para panelas e utensílios — custa apenas 3 dólares por quilo.
Os engenheiros se opuseram: “O inox é pesado demais!”
Musk destacou uma verdade física ignorada: fibra de carbono tem baixa resistência ao calor, precisa de isolamento térmico pesado e caro; o inox tem ponto de fusão de 1400 graus, e seu desempenho é mais estável em ambientes de oxigênio líquido em baixas temperaturas. Com um sistema de isolamento, o peso total da foguete de inox é semelhante ao de fibra de carbono, mas o custo é 40 vezes menor!
Essa decisão libertou completamente a SpaceX. Agora, eles não precisam de salas limpas — basta montar um acampamento no deserto do Texas e, como soldar um tambor de água, construir foguetes. Explosões acontecem, os pedaços são varridos e a solda continua.
“Usar materiais baratos para tecnologia de ponta” — essa é a verdadeira vantagem competitiva da SpaceX.
Starlink é a verdadeira mina de ouro
De uma avaliação de 1,3 bilhão de dólares em 2012, para 400 bilhões em julho de 2024, e agora chegando a 800 bilhões, a avaliação da SpaceX realmente “decolou”.
Mas o que sustenta esse valor astronômico não são os foguetes, mas o Starlink.
Antes do Starlink, a SpaceX era apenas uma imagem impressionante nas notícias — ou explodia, ou aterrissava. O Starlink mudou tudo.
Essa rede de milhares de satélites em órbita baixa está se tornando o maior provedor de internet do mundo. Transformou a “exploração espacial” de uma visão intangível em uma infraestrutura como água e eletricidade.
No iate no Pacífico, em ruínas de guerra, basta um receptor do tamanho de uma caixa de pizza para que o sinal caia de uma órbita a centenas de quilômetros de distância. Não só está remodelando o cenário global de comunicações, como também virou uma máquina de imprimir dinheiro, fornecendo fluxo contínuo de caixa para a SpaceX.
Até novembro de 2025, o número de usuários registrados do Starlink no mundo atingiu 7,65 milhões, com mais de 24,5 milhões de usuários ativos. O mercado norte-americano responde por 43% das assinaturas, enquanto Coreia e Sudeste Asiático contribuem com 40% dos novos usuários.
Essa é a verdadeira razão pela qual Wall Street se atreve a oferecer avaliações tão altas para a SpaceX — não pela frequência de lançamentos, mas pela receita periódica gerada pelo Starlink.
Segundo dados financeiros, a receita da SpaceX em 2025 deve atingir 15 bilhões de dólares, podendo chegar a 22-24 bilhões em 2026, sendo mais de 80% proveniente do negócio Starlink.
A SpaceX já fez uma transformação espetacular, evoluindo de uma simples contratada espacial para uma gigante de telecomunicações que domina o cenário global.
Última corrida antes do IPO
Se a SpaceX conseguir uma rodada de financiamento de 30 bilhões de dólares, superará o recorde de 29 bilhões de dólares da Saudi Aramco em 2019, tornando-se o maior IPO da história.
Segundo algumas previsões de bancos de investimento, a avaliação final da SpaceX pode chegar a 1,5 trilhão de dólares, entrando diretamente no grupo das 20 maiores empresas listadas por valor de mercado.
Para os funcionários das fábricas de Boca Chica e Hawthorne, o que isso significa? Na última rodada de financiamento interno, o preço das ações foi fixado em 420 dólares por ação. Aqueles que dormiram no chão da fábrica, enfrentando o “inferno da fabricação” inúmeras vezes, podem se tornar milionários, ou até bilionários.
Mas para Musk, o IPO não é uma simples “venda de ações”. Ele sempre foi contra a abertura de capital. Em uma reunião de funcionários da SpaceX em 2022, ele deu uma ducha de água fria: “O IPO é um convite para a dor, o preço das ações só vai distrair.”
Três anos depois, o que mudou sua atitude?
Sonhar grande requer combustível. Segundo Musk, nos próximos dois anos, a missão é realizar testes de pouso no Marte com Starship sem tripulação; em quatro anos, os humanos devem pisar na superfície marciana; o objetivo final é usar 1000 Starships para construir uma cidade autossuficiente em Marte em 20 anos. Tudo isso exige uma quantidade astronômica de recursos.
Ele revelou em várias entrevistas que o único objetivo de acumular riqueza é tornar a humanidade uma “espécie multiplanetária”.
Sob essa perspectiva, os bilhões arrecadados no IPO não serão usados para iates ou mansões, mas como combustível, aço e oxigênio, para pavimentar o longo caminho até Marte.
Essa pode ser a maior e mais grandiosa rodada de financiamento da história humana — e seu destino não está na Terra.