## Lições do surto de tokens do presidente: Quando o "Meme coração" se transforma numa máquina de fazer dinheiro



No final de janeiro de 2025, um evento que abalou o mercado mundial de criptomoedas: a família Trump lançou duas Meme coins chamadas "TRUMP" e "MELANIA". Em poucas horas, o valor total ultrapassou 5 bilhões de dólares. Mas depois, investidores menores ficaram em pânico ao ver esses tokens caírem livremente, perdendo 90% do valor. Segundo estimativas de analistas de blockchain, o grupo Trump e parceiros relacionados podem ter arrecadado mais de 350 milhões de dólares com esse surto passageiro.

A história não se limita aos números. Ela revela todo o ecossistema Meme coin – um mercado totalmente desregulado, onde desenvolvedores dedicam-se a construir uma "comunidade meme coração" que se torna mestres em manipular preços de forma sofisticada. E quando o Presidente dos EUA entra nesse jogo, expõe uma verdade preocupante: o sistema financeiro moderno pode ser "resolvido" com um símbolo indireto e um telefone.

## Meme coin: De brincadeira a "ferramenta de privatização de lucros"

Para entender o incidente, é preciso voltar às origens do Meme coin. Em 2013, dois engenheiros de software criaram o "Dogecoin" – inicialmente uma sátira ao fluxo de dinheiro das criptomoedas, usando o meme do "cachorro Shiba Inu" como símbolo. Mas investidores correram para comprar, e em poucas semanas, o Dogecoin atingiu uma capitalização de 12 milhões de dólares. Um dos fundadores chegou a dizer: "Espero realmente que as pessoas não transformem cada meme famoso em um token."

Mas esse medo se concretizou. Ao longo de décadas, sempre que o mercado de criptomoedas enfrentava dificuldades, esse tipo de coin ressurgia. Em 2021, quando Elon Musk elogiou o Dogecoin, centenas de Meme coins surgiram como cogumelos após a chuva: Dogwifhat, Bonk, Fartcoin... O sucesso deles quase ignorava princípios financeiros básicos. Segundo padrões tradicionais de avaliação, Meme coin é totalmente sem valor – sem produto real, sem fluxo de caixa, apenas "confiança coletiva" da comunidade. A única maneira de lucrar é vendendo para outros a um preço mais alto, ou seja, "especulação sobre especulação".

"Segundo a teoria do mercado eficiente, isso não deveria acontecer, mas na prática, dá para ganhar dinheiro," admitiu Alon Cohen, cofundador da plataforma Pump.fun, que apoiou a emissão de cerca de 1.400 Meme coins, arrecadando aproximadamente 1 bilhão de dólares apenas em taxas de transação desde janeiro de 2024.

## Cadeia de benefícios: De Bill Zanker a Hayden Davis

Para decifrar o mistério por trás do token Trump, é preciso começar por uma figura estranha: Bill Zanker – empresário de 71 anos que co-escreveu um livro com Trump em 2007. Por décadas, Zanker promoveu serviços de chamadas de sensibilidade, academias de boxe, redes de spas, e ficou famoso por sua empresa Learning Annex, que ministrava cursos como "Como trair seu cônjuge". Nos anos 2000, o seminário "Exposição de enriquecimento imobiliário" dele sempre tinha ingressos esgotados, com Trump como convidado especial.

Quando Trump deixou a Casa Branca em 2021, envolvido em processos judiciais, Zanker trouxe uma nova forma de ganhar dinheiro. Em 2022, eles lançaram NFTs chamados "cartões de transação digital de 99 dólares" com uma versão cartoon musculosa de Trump. Só com essa receita de direitos autorais, Trump arrecadou pelo menos 7 milhões de dólares.

Em 2025, a parceria Zanker-Trump continuou: Meme coin. Mas o maior obstáculo era que essa ação parecia gerar controvérsia política. Segundo um investidor de criptomoedas na época, em Mar-a-Lago, o grupo Trump queria lançar o token antes da posse, porque "depois Trump ficaria mais sob supervisão". A única pista era o nome da empresa no site – "Fight Fight Fight LLC", claramente inspirado na frase de Trump após o atentado de julho de 2024.

Mas quem realmente lançou esse Meme coin? Quando a Bloomberg Businessweek investigou, um nome apareceu nos registros da Delaware: Hayden Davis – consultor de criptomoedas do presidente argentino Javier Milei, que abandonou a escola em uma instituição evangélica, e se autodenomina "especialista em startups" no LinkedIn.

## Mancha de sangue: O evento Meme coin do presidente argentino Javier Milei

A história começou a ficar clara quando um escândalo semelhante aconteceu na Argentina. Em 14/2, o presidente Javier Milei lançou o Meme coin "Libra", e poucas horas depois, o token despencou de valor, levando Milei a apagar a postagem nas redes sociais. O evento chamou atenção dos especialistas em blockchain, pois blockchain – o livro-razão público – deixa rastros que podem ser seguidos em todas as transações.

Nicolas Vaiman, cofundador da plataforma de análise Bubblemaps (, que se autodenomina "detetive de criptomoedas"), detectou irregularidades nas transações de MILEI e TRUMP. Os dados do blockchain são anônimos, mas com análise de "endereços que compraram o quê, quando, fluxo de dinheiro", Vaiman descobriu ligações suspeitas: alguém comprou 1,1 milhão de dólares em TRUMP em poucos segundos (claramente sabendo de antemão), e vendeu em três dias, com lucro de 100 milhões de dólares. Outro endereço comprou MELANIA antes de ela ser oficialmente lançada, com lucro de 2,4 milhões de dólares. Vaiman descobriu que esse endereço tinha ligação com o dono ou grupo do "endereço que criou MELANIA".

"Na Wall Street, isso é chamado de negociação com informação privilegiada, mas nenhuma autoridade quer aplicar essa regra às Meme coins," comentou Vaiman. "Na essência, no universo das criptomoedas, o crime é legal."

Mais interessante ainda, Vaiman descobriu que as "carteiras que criaram MILEI" e "que criaram MELANIA" estavam conectadas em uma rede. O responsável por MILEI é Hayden Davis – o próprio consultor de Milei, que abandonou a "Liberty University".

## Testemunha: Moty Povolotski e a aparição de Meow

Após o colapso de MILEI, Moty Povolotski, cofundador da startup de criptomoedas DefiTuna, revelou publicamente que sua empresa já havia colaborado com Davis na emissão do Meme coin, e que possui "provas de uma conspiração maior", envolvendo um diretor de uma exchange de criptomoedas. Segundo Povolotski, Davis transferiu cerca de 10 milhões de tokens MELANIA para o cofundador dele, pedindo que "quando a capitalização atingisse 100 milhões de dólares, vendessem", e ainda "deveriam vender de forma anônima".

Povolotski também revelou que o verdadeiro responsável pela operação era um diretor da exchange Meteora – uma plataforma maior que Pump.fun, onde TRUMP, MELANIA e LIBRA foram lançados inicialmente. O cofundador da Meteora usa o avatar "gato astronauta" – Meow – que seria o responsável pela administração da plataforma, embora sem cargo oficial.

## Revelação da identidade de Meow: Empresário de Singapura Ng Ming Yeow

Após investigação, a Bloomberg Businessweek descobriu que Meow se chama Ng Ming Yeow, um empresário de Singapura com mais de 40 anos. Ng Ming Yeow já desenvolveu o aplicativo de criptomoedas "Mercurial Finance", apoiado pelo fundo de Sam Bankman-Fried. Após as denúncias de fraude de Bankman-Fried, Ng mudou seu nome para "Meteora".

A plataforma Meteora permite emitir e negociar diversos tipos de criptomoedas. Segundo a Blockworks, 90% da receita total de 134 milhões de dólares do ano passado veio de negociações de Meme coins – que geralmente cobram taxas mais altas.

Quando questionado sobre seu papel na emissão do token Trump, Ng Ming Yeow afirmou que a Meteora apenas "fornece suporte técnico", sem participar das negociações ou cometer ilegalidades. No entanto, os dados indicam que o fim de semana do lançamento do token Trump foi o segundo com maior volume de negociações na história da Meteora.

Ng Ming Yeow justificou que a plataforma descentralizada foi criada para "que qualquer pessoa possa emitir qualquer token", não tendo como objetivo "controlar a intenção do emissor". Ele usou a metáfora "bebe no banho": mesmo que haja fezes, urina de bebê, e até bactérias E. coli na banheira, o "bebe" realmente existe ali.

## Manifestação da febre: Preço dispara e depois despenca

O fim de semana do lançamento de TRUMP foi o mais movimentado na história das Meme coins: o preço quase zerado saltou para 74 dólares; dois dias depois, o token MELANIA foi lançado, chegando a 13 dólares. Mas no dia seguinte, ambos despencaram sem recuperação.

Até 10/12, TRUMP caiu 92% em relação ao pico, ficando em 5,9 dólares; MELANIA caiu 99%, chegando a apenas 0,11 dólares – praticamente sem valor. Segundo a Blockworks, até novembro, o volume total de negociações de Meme coins caiu 92% em relação ao pico de janeiro.

## Quem lucra: Cadeia de benefícios oculta

É claro que, ao lançar o token, o casal Trump tinha alguém querendo "fazer dinheiro rápido". Mas, com a queda do preço, cada vez menos figuras famosas aparecem para atrair investidores. As Meme coins perdem apelo.

"Isso é uma 'máquina de extrair valor suprema' criada por um grupo de pessoas extremamente talentosas," comentou o advogado Max Burwick. Ele representa investidores que processaram Pump.fun, chamando-a de "cassino manipulado por insiders"; em outro processo, processou Davis, Ben Chow e a plataforma Meteora, acusando a plataforma de várias tentativas de scam "pump and dump".

Todos os réus negaram as acusações. O advogado da família Davis afirmou que MILEI "não é scam", e que eles nunca prometeram que o token iria valorizar. O advogado de Ben Chow disse que Ben "apenas participou do desenvolvimento do software da Meteora".

## Expansão: De Meme coin a "conflito de interesses diversificado"

Trump e sua família mudaram de foco para um "portfólio de conflitos de interesses diversificado", embora continuem negando que "finanças pessoais influenciem políticas": o presidente já apoiou planos de "comprar reservas estratégicas de Bitcoin"; o filho Eric possui uma empresa de mineração de Bitcoin; o governo promoveu a venda de caças para a Arábia Saudita, e a família Trump licenciou a marca "Trump" para um arranha-céu à beira-mar em Jeddah; Trump também concedeu perdão ao bilionário Zhao Changpeng (cofundador de uma grande exchange), enquanto a plataforma apoiou outro projeto de criptomoeda de Trump.

Vários influenciadores que promoviam Meme coins também migraram para outros setores – alguns começaram a divulgar "mercado de previsões". Sob Biden, as autoridades consideram isso "jogo de azar ilegal", mas o governo Trump foi mais relaxado, e a família Trump também aproveitou para participar.

## Conclusão: Cidade sem leis

Talvez Ng Ming Yeow esteja certo ao dizer que o mundo das criptomoedas é uma "microcosmo do mundo real" – onde as pessoas querem ganhar dinheiro imediatamente, querem viver sem trabalhar. Quando o presidente dos EUA entrou nesse jogo de Meme coins, não foi apenas uma questão de lançar tokens. Expos-se todo o ecossistema: desde desenvolvedores dedicados a construir uma "comunidade meme coração" até os manipuladores de preços sofisticados, das exchanges "de suporte técnico" às figuras misteriosas por trás do cenário. É uma cidade sem leis, onde quem sabe ganhar dinheiro primeiro, ganha; quem chega depois, perde.

Enquanto as autoridades permanecerem em silêncio, enquanto os desenvolvedores continuarem escondidos, essa febre continuará com novos tokens, novas figuras, mas sempre com o mesmo mecanismo: promessas, exploração, silêncio.
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