Quando “Meme coin ao estilo gato de olho” apareceu pela primeira vez em 2013 na forma de Dogecoin (com o símbolo do cão Shiba Inu), poucos suspeitavam que uma brincadeira evoluiria para uma máquina de fazer bilhões de dólares. Uma década depois, desse círculo de circulação livre surgiu um mercado repleto de conspirações, corrupção e personagens misteriosos que controlam tudo.
Quando política encontra criptomoedas: A febre começa
No final de semana do início de 2025, a família Trump deu um passo que causou impacto: lançou dois tokens com nomes pessoais. Primeiro foi o “TRUMP”, e poucos dias depois, “MELANIA”. Em apenas algumas horas, o valor desses tokens disparou de quase nada para 74 USD e 13 USD, respectivamente. Relatórios da Chainalysis e Bubblemaps estimam que a família Trump e seus associados possam ter arrecadado mais de 350 milhões de USD.
Mas a história não é apenas sobre ganhar dinheiro. Após essa valorização, ambos os tokens caíram rapidamente. Em dezembro de 2025, o TRUMP caiu 92% do pico, ficando em 5,9 USD; MELANIA despencou 99%, chegando a 0,11 USD. Centenas de milhares de investidores menores ficaram no prejuízo, enquanto alguns insiders lucraram bastante.
Meme coin: Cassino sem controle
Para entender essa febre, é preciso voltar às origens. Meme coin inicialmente era apenas uma brincadeira, produto do humor mais do que de ambições financeiras. Mas quando Elon Musk começou a elogiá-las, a quantidade de Meme coins entrando no mercado aumentou exponencialmente.
A principal diferença: ao contrário de qualquer outro ativo, Meme coin não possui valor intrínseco. Não há fluxo de caixa, nem produto real, apenas a “confiança coletiva da comunidade” – ou, em outras palavras, uma “especulação sobre a própria especulação”.
Alon Cohen, de 22 anos, cofundador da plataforma Pump.fun (que apoia a emissão de cerca de 1.400 Meme coins), admite que esse modelo “vai contra todos os princípios básicos de finanças”. Mas ele gera dinheiro – muito dinheiro. Desde janeiro de 2024, só com taxas de transação, Pump.fun arrecadou cerca de 1 bilhão de USD.
Os controladores do mercado
Por trás da febre de Meme coins de Trump estão personagens das sombras. Uma empresa fictícia chamada “Fight Fight Fight LLC” aparece no site do token, mas as informações reais estão ocultas. No entanto, ao analisar registros públicos de empresas, investigadores descobriram o nome Bill Zanker – um empresário que escreveu livros com Trump e participou de vários outros “projetos de ganhar dinheiro” bizarros.
Mas Zanker não é a figura principal. A verdadeira pista leva a um grupo de pessoas que arrecadaram centenas de milhões de dólares: Hayden Davis (consultor de criptomoedas do presidente argentino Milei), e especialmente Ng Ming Yeow – usuário com o nickname “Meow”, avatar de um gato astronauta, cofundador da exchange Meteora.
Escândalo do presidente argentino: A chave desbloqueada
A investigação realmente começou quando o presidente argentino Javier Milei também lançou um Meme coin chamado “Libra” em fevereiro de 2025. O token caiu em poucas horas, e Milei rapidamente apagou a postagem. Esse incidente se tornou uma “peça” que permitiu analistas de blockchain como Nicolas Vaiman, da Bubblemaps, detectar irregularidades.
Através da análise de dados blockchain, Vaiman descobriu que pessoas compraram tokens logo na emissão, em questão de segundos – claramente com conhecimento prévio. Depois, venderam em poucos dias, com lucros de até 100 milhões de USD. Trata-se de uma negociação de inside trading, mas no mercado de Meme coins, essa ação “é totalmente legal”.
Logo após, Vaiman identificou uma conexão de rede entre “carteira de criação do MILEI” e “carteira de criação do MELANIA” – ambos tokens de líderes diferentes. A ponte principal é Hayden Davis.
Davis e os “parceiros secretos”
Hayden Davis, de 29 anos, consultor de criptomoedas, virou o centro do escândalo. Através de mensagens vazadas, ele admitiu ter ganho 100 milhões de USD com a emissão de Libra, chamando isso de “guardar o dinheiro”. Também se gabou de que seu grupo “vendia o máximo possível” dos tokens que emitia.
Quando questionado sobre seu papel na MELANIA, Davis sugeriu que “deveria vender de forma anônima” – um sinal claro de atividades ilícitas. Moty Povolotski, ex-parceiro de Davis na startup DefiTuna, revelou publicamente que o próprio pai e o filho de Davis coordenaram operações de pump and dump em grande escala, lucrando mais de 150 milhões de USD.
Meow: O controlador por trás das câmeras
No entanto, Davis não é o verdadeiro “chefão”. Por trás está Ng Ming Yeow (Meow), um homem de Cingapura com mais de 40 anos, cofundador da exchange Meteora. Essa plataforma foi a primeira a lançar três grandes tokens: TRUMP, MELANIA e LIBRA.
Ng Ming Yeow era um programador comum, mas quando a Meteora apoiou a febre de Meme coins, ela se transformou em uma máquina de fazer dinheiro. A Blockworks informa que 90% da receita de 134 milhões de USD da plataforma no último ano veio de negociações de Meme coins – criptomoedas com as maiores taxas.
Questionado diretamente sobre seu papel, Ng Ming Yeow afirmou que a Meteora apenas “oferece suporte técnico” e não participa de negociações ou atividades ilegais. Ele segue a filosofia de “não controlar como as pessoas usam a tecnologia”, embora sua tecnologia claramente tenha se tornado o principal meio para realizar pump and dump em escala sem precedentes.
A febre diminui, mas as lições permanecem
Até novembro de 2025, o volume total de negociações de Meme coins caiu 92% em relação ao pico de janeiro. A febre diminuiu, mas as marcas ainda estão lá: centenas de milhares de investidores foram “roubados”, enquanto insiders como Davis, Zanker e Ng Ming Yeow permanecem em silêncio, mais ricos do que nunca.
O que se chama de “conflito de interesses” do governo Trump continua: a família Trump segue envolvida em novos projetos de criptomoedas, o filho Eric possui uma empresa de mineração de Bitcoin, enquanto o presidente promove a compra de reservas estratégicas de Bitcoin pelo governo dos EUA.
O advogado Max Burwick chama todo esse sistema de “máquina de extração de valor suprema” – uma criação dos mais talentosos para explorar traders desinformados. E, quando as autoridades entram, eles apenas dizem “fraude é fraude”, sem ações concretas.
Desde Dogecoin com o símbolo do gato de olho em 2013 até a febre de Meme coins em 2025, o mercado de criptomoedas revelou uma dura verdade: quando as regras são impostas por aqueles que criam hype, o mercado fica tão caótico quanto possível – e quem lucra nesse caos.
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Olhos vermelhos por causa das criptomoedas: A história desde Trump até os verdadeiros "detentores do poder" por trás
Quando “Meme coin ao estilo gato de olho” apareceu pela primeira vez em 2013 na forma de Dogecoin (com o símbolo do cão Shiba Inu), poucos suspeitavam que uma brincadeira evoluiria para uma máquina de fazer bilhões de dólares. Uma década depois, desse círculo de circulação livre surgiu um mercado repleto de conspirações, corrupção e personagens misteriosos que controlam tudo.
Quando política encontra criptomoedas: A febre começa
No final de semana do início de 2025, a família Trump deu um passo que causou impacto: lançou dois tokens com nomes pessoais. Primeiro foi o “TRUMP”, e poucos dias depois, “MELANIA”. Em apenas algumas horas, o valor desses tokens disparou de quase nada para 74 USD e 13 USD, respectivamente. Relatórios da Chainalysis e Bubblemaps estimam que a família Trump e seus associados possam ter arrecadado mais de 350 milhões de USD.
Mas a história não é apenas sobre ganhar dinheiro. Após essa valorização, ambos os tokens caíram rapidamente. Em dezembro de 2025, o TRUMP caiu 92% do pico, ficando em 5,9 USD; MELANIA despencou 99%, chegando a 0,11 USD. Centenas de milhares de investidores menores ficaram no prejuízo, enquanto alguns insiders lucraram bastante.
Meme coin: Cassino sem controle
Para entender essa febre, é preciso voltar às origens. Meme coin inicialmente era apenas uma brincadeira, produto do humor mais do que de ambições financeiras. Mas quando Elon Musk começou a elogiá-las, a quantidade de Meme coins entrando no mercado aumentou exponencialmente.
A principal diferença: ao contrário de qualquer outro ativo, Meme coin não possui valor intrínseco. Não há fluxo de caixa, nem produto real, apenas a “confiança coletiva da comunidade” – ou, em outras palavras, uma “especulação sobre a própria especulação”.
Alon Cohen, de 22 anos, cofundador da plataforma Pump.fun (que apoia a emissão de cerca de 1.400 Meme coins), admite que esse modelo “vai contra todos os princípios básicos de finanças”. Mas ele gera dinheiro – muito dinheiro. Desde janeiro de 2024, só com taxas de transação, Pump.fun arrecadou cerca de 1 bilhão de USD.
Os controladores do mercado
Por trás da febre de Meme coins de Trump estão personagens das sombras. Uma empresa fictícia chamada “Fight Fight Fight LLC” aparece no site do token, mas as informações reais estão ocultas. No entanto, ao analisar registros públicos de empresas, investigadores descobriram o nome Bill Zanker – um empresário que escreveu livros com Trump e participou de vários outros “projetos de ganhar dinheiro” bizarros.
Mas Zanker não é a figura principal. A verdadeira pista leva a um grupo de pessoas que arrecadaram centenas de milhões de dólares: Hayden Davis (consultor de criptomoedas do presidente argentino Milei), e especialmente Ng Ming Yeow – usuário com o nickname “Meow”, avatar de um gato astronauta, cofundador da exchange Meteora.
Escândalo do presidente argentino: A chave desbloqueada
A investigação realmente começou quando o presidente argentino Javier Milei também lançou um Meme coin chamado “Libra” em fevereiro de 2025. O token caiu em poucas horas, e Milei rapidamente apagou a postagem. Esse incidente se tornou uma “peça” que permitiu analistas de blockchain como Nicolas Vaiman, da Bubblemaps, detectar irregularidades.
Através da análise de dados blockchain, Vaiman descobriu que pessoas compraram tokens logo na emissão, em questão de segundos – claramente com conhecimento prévio. Depois, venderam em poucos dias, com lucros de até 100 milhões de USD. Trata-se de uma negociação de inside trading, mas no mercado de Meme coins, essa ação “é totalmente legal”.
Logo após, Vaiman identificou uma conexão de rede entre “carteira de criação do MILEI” e “carteira de criação do MELANIA” – ambos tokens de líderes diferentes. A ponte principal é Hayden Davis.
Davis e os “parceiros secretos”
Hayden Davis, de 29 anos, consultor de criptomoedas, virou o centro do escândalo. Através de mensagens vazadas, ele admitiu ter ganho 100 milhões de USD com a emissão de Libra, chamando isso de “guardar o dinheiro”. Também se gabou de que seu grupo “vendia o máximo possível” dos tokens que emitia.
Quando questionado sobre seu papel na MELANIA, Davis sugeriu que “deveria vender de forma anônima” – um sinal claro de atividades ilícitas. Moty Povolotski, ex-parceiro de Davis na startup DefiTuna, revelou publicamente que o próprio pai e o filho de Davis coordenaram operações de pump and dump em grande escala, lucrando mais de 150 milhões de USD.
Meow: O controlador por trás das câmeras
No entanto, Davis não é o verdadeiro “chefão”. Por trás está Ng Ming Yeow (Meow), um homem de Cingapura com mais de 40 anos, cofundador da exchange Meteora. Essa plataforma foi a primeira a lançar três grandes tokens: TRUMP, MELANIA e LIBRA.
Ng Ming Yeow era um programador comum, mas quando a Meteora apoiou a febre de Meme coins, ela se transformou em uma máquina de fazer dinheiro. A Blockworks informa que 90% da receita de 134 milhões de USD da plataforma no último ano veio de negociações de Meme coins – criptomoedas com as maiores taxas.
Questionado diretamente sobre seu papel, Ng Ming Yeow afirmou que a Meteora apenas “oferece suporte técnico” e não participa de negociações ou atividades ilegais. Ele segue a filosofia de “não controlar como as pessoas usam a tecnologia”, embora sua tecnologia claramente tenha se tornado o principal meio para realizar pump and dump em escala sem precedentes.
A febre diminui, mas as lições permanecem
Até novembro de 2025, o volume total de negociações de Meme coins caiu 92% em relação ao pico de janeiro. A febre diminuiu, mas as marcas ainda estão lá: centenas de milhares de investidores foram “roubados”, enquanto insiders como Davis, Zanker e Ng Ming Yeow permanecem em silêncio, mais ricos do que nunca.
O que se chama de “conflito de interesses” do governo Trump continua: a família Trump segue envolvida em novos projetos de criptomoedas, o filho Eric possui uma empresa de mineração de Bitcoin, enquanto o presidente promove a compra de reservas estratégicas de Bitcoin pelo governo dos EUA.
O advogado Max Burwick chama todo esse sistema de “máquina de extração de valor suprema” – uma criação dos mais talentosos para explorar traders desinformados. E, quando as autoridades entram, eles apenas dizem “fraude é fraude”, sem ações concretas.
Desde Dogecoin com o símbolo do gato de olho em 2013 até a febre de Meme coins em 2025, o mercado de criptomoedas revelou uma dura verdade: quando as regras são impostas por aqueles que criam hype, o mercado fica tão caótico quanto possível – e quem lucra nesse caos.