Análise do especialista Wang Yongli, ex-Vice-Diretor Geral do Banco Popular da China
Contexto: A corrida global pelo stablecoin já começou
Desde que a Tether lançou o USDT em 2014, os stablecoins em dólares americanos têm operado há mais de uma década. Até agora, eles controlam mais de 99% da participação de mercado global de stablecoins, dominando tanto em valor de mercado quanto em volume de transações.
Após a reeleição do Presidente Trump, ele declarou publicamente apoio ao bitcoin e aos ativos criptográficos, desencadeando uma nova onda de especulação e negociação. Os EUA e Hong Kong aceleraram a implementação de legislação sobre stablecoins, levantando debates acalorados: outros países deveriam desenvolver suas próprias stablecoins fiduciárias, especialmente stablecoins de RMB ( tanto doméstica quanto offshore)?
Para a China, essa questão não é apenas uma tendência tecnológica—ela está diretamente relacionada à orientação da política monetária nacional, segurança financeira e posição global.
Por que stablecoins não-dolar podem ter dificuldades de desenvolvimento?
Qualquer país que queira emitir stablecoins fiduciárias que não sejam em dólares enfrenta uma questão fundamental: falta de um ecossistema forte.
Os stablecoins em dólares americanos tiveram sucesso graças a três fatores:
O dólar é a moeda de reserva internacional com maior liquidez
Os EUA adotam há anos uma política de tolerância com ativos criptográficos
Sistema operacional completo que suporta transações globais 24/7
Por outro lado, stablecoins não-dólar têm espaço de crescimento limitado:
Dentro do âmbito da soberania monetária do país emissor (é muito restrito)
Sobre plataformas de comércio eletrônico específicas de cada empresa (difícil de expandir)
Nível internacional: Quase inexistente
Quando falta uma plataforma de aplicação ampla, sem características distintas do USDT, stablecoins não-dólar terão dificuldades de sobreviver em um cenário de aumento da supervisão governamental.
Legislação de stablecoins nos EUA: Compromissos modestos e riscos ocultos
A legislação de stablecoins nos EUA (entra em vigor a partir de 18 de julho) exige:
Controle de reservas:
Os ativos de reserva devem ser 100% ou mais (em dinheiro, títulos do governo de curto prazo, contratos de recompra)
Clientes americanos devem depositar em bancos nos EUA
Proibido pagar juros ou lucros
Supervisão rigorosa:
KYC, AML, FTC obrigatórios
Sistema deve ter capacidade de congelar contas por ordem do governo
Auditoria mensal dos ativos de reserva
No entanto, essas regulamentações ainda apresentam lacunas:
❌ Risco de reserva: Apesar da exigência de 100% de reserva, se os títulos do governo perderem valor, pode haver déficits.
❌ Diversidade de stablecoins: Se diferentes emissores tiverem estruturas de reserva distintas, o USDT não será totalmente uniforme—abrindo oportunidades para diferenças de preço e manipulação de mercado.
❌ Risco de DeFi: Mesmo sem emissão excessiva, permitir empréstimos de stablecoins na finança descentralizada pode gerar stablecoins derivadas e emissão acima do limite.
❌ Desafios de supervisão: Organizações não financeiras que emitirem stablecoins são muito difíceis de controlar na prática.
Efeito dominó: Legislação de stablecoins pode se autodestruir
Uma consequência inesperada da legislação é: Quando as stablecoins forem legalizadas, os bancos entrarão no mercado.
Fase atual (antes da legislação):
Bancos não podem participar de transações com ativos criptográficos
Oportunidade será capturada por empresas privadas
Stablecoins não supervisionadas → Lucros enormes → Atraentes
Fase futura (após a legislação):
Bancos terão permissão para participar plenamente
Eles tokenizarão depósitos fiduciários (depósitos tokenizados) na blockchain
Isso pode substituir completamente as stablecoins como ponte entre o mundo cripto e o mundo real
Produtos financeiros tradicionais (ações, títulos, ETFs) serão trazidos para a blockchain na forma de RWA (Ativos do Mundo Real)
Resultado: Stablecoins tradicionais podem se tornar obsoletas. Os bancos—com toda sua infraestrutura de supervisão e credibilidade—se tornarão as verdadeiras “stablecoins”.
Essa tendência já começou nos EUA e é difícil de impedir. A legislação de stablecoins pode causar um impacto reverso severo, até mesmo eliminando as stablecoins como as conhecemos.
Por que a China rejeita o caminho das stablecoins?
###Vantagem atual sem necessidade de stablecoin de RMB
A China já possui o que outros países estão tentando construir:
Vantagem líder global em pagamentos móveis
O yuan digital já é amplamente implementado
Sistema de pagamento doméstico completo
Desenvolver uma stablecoin de RMB não traria benefícios adicionais internamente. E internacionalmente? Stablecoin de RMB terá dificuldades de competir com o USDT, que já detém 99% do mercado.
###Risco de segurança nacional é máximo
Stablecoins têm uma característica perigosa: aproveitam a blockchain sem fronteiras para realizar transações 24/7 que são pouco supervisionadas.
Lavagem de dinheiro, transferências transfronteiriças ilegais, captação de recursos fraudulentos—essas atividades se tornam muito mais fáceis.
Ainda pior: Os EUA controlam as principais blockchains globais e as maiores exchanges. Se a China desenvolver uma stablecoin de RMB seguindo o modelo do USDT:
Não apenas será difícil desafiar a posição do USDT
Mas também aceitará dependência do sistema dos EUA
Impactando a gestão de impostos, câmbio e capitais transfronteiriços
Ameaça direta à segurança da soberania do RMB
Este não é um problema de tecnologia ou eficiência. É uma questão de segurança nacional.
###Ao invés disso: Promover a inovação do yuan digital
Em novembro, o Banco Popular da China anunciou:
Otimizar a posição do yuan digital no sistema monetário (ajustando de M0 para uma posição mais adequada)
Estabelecer o Centro de Operações Internacional do yuan digital em Xangai (para cooperação transfronteiriça)
Criar um Centro de Gestão em Pequim (para construir e manter o sistema)
Este é um sinal claro: A China escolhe acelerar o yuan digital, não a stablecoin.
Decisão oficial: Stablecoins serão proibidas
Em 28 de novembro, o Banco Popular da China e 13 ministérios realizaram uma reunião de emergência para:
Confirmar que stablecoins são uma forma de moeda virtual
Proibir totalmente a emissão e transação de stablecoins
Intensificar a repressão às atividades especulativas com ativos criptográficos
Isso decepciona aqueles que esperavam que a China “abrisse” para stablecoins. Na realidade—essa política é totalmente clara e não mudará.
Conclusão: Dois caminhos diferentes
EUA: Criar legislação de stablecoins para controle, expandindo a influência do dólar, do USDT e do sistema de pagamento dos EUA.
China: Rejeitar o caminho das stablecoins porque:
Não há benefícios econômicos reais
Os riscos à segurança nacional são muito altos
Possui uma ferramenta melhor: o yuan digital
Ao invés de seguir a tendência das stablecoins, a China opta por focar no desenvolvimento do yuan digital, criando uma vantagem internacional, construindo um novo sistema monetário financeiro global mais justo e seguro.
Wang Yongli e outros especialistas continuam alertando: em um cenário de competição internacional por moedas, a segurança não é negociável. A China está certa ao rejeitar um caminho fácil, porém arriscado.
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A história por trás da decisão da China: Por que rejeitar firmemente as stablecoins?
Análise do especialista Wang Yongli, ex-Vice-Diretor Geral do Banco Popular da China
Contexto: A corrida global pelo stablecoin já começou
Desde que a Tether lançou o USDT em 2014, os stablecoins em dólares americanos têm operado há mais de uma década. Até agora, eles controlam mais de 99% da participação de mercado global de stablecoins, dominando tanto em valor de mercado quanto em volume de transações.
Após a reeleição do Presidente Trump, ele declarou publicamente apoio ao bitcoin e aos ativos criptográficos, desencadeando uma nova onda de especulação e negociação. Os EUA e Hong Kong aceleraram a implementação de legislação sobre stablecoins, levantando debates acalorados: outros países deveriam desenvolver suas próprias stablecoins fiduciárias, especialmente stablecoins de RMB ( tanto doméstica quanto offshore)?
Para a China, essa questão não é apenas uma tendência tecnológica—ela está diretamente relacionada à orientação da política monetária nacional, segurança financeira e posição global.
Por que stablecoins não-dolar podem ter dificuldades de desenvolvimento?
Qualquer país que queira emitir stablecoins fiduciárias que não sejam em dólares enfrenta uma questão fundamental: falta de um ecossistema forte.
Os stablecoins em dólares americanos tiveram sucesso graças a três fatores:
Por outro lado, stablecoins não-dólar têm espaço de crescimento limitado:
Quando falta uma plataforma de aplicação ampla, sem características distintas do USDT, stablecoins não-dólar terão dificuldades de sobreviver em um cenário de aumento da supervisão governamental.
Legislação de stablecoins nos EUA: Compromissos modestos e riscos ocultos
A legislação de stablecoins nos EUA (entra em vigor a partir de 18 de julho) exige:
Controle de reservas:
Supervisão rigorosa:
No entanto, essas regulamentações ainda apresentam lacunas:
❌ Risco de reserva: Apesar da exigência de 100% de reserva, se os títulos do governo perderem valor, pode haver déficits.
❌ Diversidade de stablecoins: Se diferentes emissores tiverem estruturas de reserva distintas, o USDT não será totalmente uniforme—abrindo oportunidades para diferenças de preço e manipulação de mercado.
❌ Risco de DeFi: Mesmo sem emissão excessiva, permitir empréstimos de stablecoins na finança descentralizada pode gerar stablecoins derivadas e emissão acima do limite.
❌ Desafios de supervisão: Organizações não financeiras que emitirem stablecoins são muito difíceis de controlar na prática.
Efeito dominó: Legislação de stablecoins pode se autodestruir
Uma consequência inesperada da legislação é: Quando as stablecoins forem legalizadas, os bancos entrarão no mercado.
Fase atual (antes da legislação):
Fase futura (após a legislação):
Resultado: Stablecoins tradicionais podem se tornar obsoletas. Os bancos—com toda sua infraestrutura de supervisão e credibilidade—se tornarão as verdadeiras “stablecoins”.
Essa tendência já começou nos EUA e é difícil de impedir. A legislação de stablecoins pode causar um impacto reverso severo, até mesmo eliminando as stablecoins como as conhecemos.
Por que a China rejeita o caminho das stablecoins?
###Vantagem atual sem necessidade de stablecoin de RMB
A China já possui o que outros países estão tentando construir:
Desenvolver uma stablecoin de RMB não traria benefícios adicionais internamente. E internacionalmente? Stablecoin de RMB terá dificuldades de competir com o USDT, que já detém 99% do mercado.
###Risco de segurança nacional é máximo
Stablecoins têm uma característica perigosa: aproveitam a blockchain sem fronteiras para realizar transações 24/7 que são pouco supervisionadas.
Lavagem de dinheiro, transferências transfronteiriças ilegais, captação de recursos fraudulentos—essas atividades se tornam muito mais fáceis.
Ainda pior: Os EUA controlam as principais blockchains globais e as maiores exchanges. Se a China desenvolver uma stablecoin de RMB seguindo o modelo do USDT:
Este não é um problema de tecnologia ou eficiência. É uma questão de segurança nacional.
###Ao invés disso: Promover a inovação do yuan digital
Em novembro, o Banco Popular da China anunciou:
Este é um sinal claro: A China escolhe acelerar o yuan digital, não a stablecoin.
Decisão oficial: Stablecoins serão proibidas
Em 28 de novembro, o Banco Popular da China e 13 ministérios realizaram uma reunião de emergência para:
Isso decepciona aqueles que esperavam que a China “abrisse” para stablecoins. Na realidade—essa política é totalmente clara e não mudará.
Conclusão: Dois caminhos diferentes
EUA: Criar legislação de stablecoins para controle, expandindo a influência do dólar, do USDT e do sistema de pagamento dos EUA.
China: Rejeitar o caminho das stablecoins porque:
Ao invés de seguir a tendência das stablecoins, a China opta por focar no desenvolvimento do yuan digital, criando uma vantagem internacional, construindo um novo sistema monetário financeiro global mais justo e seguro.
Wang Yongli e outros especialistas continuam alertando: em um cenário de competição internacional por moedas, a segurança não é negociável. A China está certa ao rejeitar um caminho fácil, porém arriscado.