Quando Austin Russell deixou o cargo de CEO da Luminar em maio deste ano, começou uma longa história de mal-entendidos e disputas legais. A empresa, especializada no desenvolvimento de tecnologias lidar, logo descobriu que obter dispositivos corporativos e informações necessárias do fundador era muito mais difícil do que esperava.
De acordo com os fatos apresentados nos documentos judiciais, a Luminar tenta recuperar pelo menos alguns computadores, o telefone de trabalho e backups digitais dos dispositivos de Russell. Embora alguns computadores já tenham sido entregues, ainda não foi possível concluir o processo. Em meados de dezembro, quando a declaração de falência se tornou inevitável, a situação agravou-se significativamente.
Origens do conflito e auditoria
A história começou muito antes. Na primavera, o comité de auditoria da Luminar realizou uma verificação do comportamento empresarial e da ética do fundador. Os resultados levantaram sérias questões sobre possíveis reivindicações legais relacionadas com empréstimos pessoais feitos por Russell à empresa.
Inicialmente, a equipa jurídica da Luminar tentou negociar diretamente com Russell a transferência de documentos e equipamentos, através de seus representantes — o escritório de advocacia McDermott Will & Schulte. No entanto, essas negociações ficaram paradas por meses. Em 12 de novembro, o conselho de administração da Luminar criou um comité especial de investigação e contratou a Weil, Gotshal & Manges para uma análise aprofundada das ações da gestão.
Atrasos festivos e requisitos de confidencialidade
A situação ganhou impulso antes das festas. Quando a McDermott soube, em 19 de dezembro, que não representaria mais Russell neste caso, a Luminar decidiu contactar diretamente o fundador. O primeiro contato ocorreu na véspera de Natal.
Russell concordou em entregar os computadores, mas colocou uma condição clara: a Luminar deve garantir a confidencialidade dos seus dados pessoais. Em uma das cartas, datada de Ano Novo, ele escreveu: «Propus colaboração direta e ações rápidas, mesmo durante as festas. Mas, se não for possível garantir essa proteção básica, aconselharam-me que futuras discussões não terão resultado».
O advogado de Russell, Leonard Schulman, explicou a posição do seu cliente: «Como a empresa não forneceu garantias necessárias, vamos confiar nos procedimentos de proteção de dados estabelecidos pelo tribunal». Ao mesmo tempo, a equipa jurídica da Luminar insistia que iria revisar apenas ficheiros relacionados com a empresa.
Verificação especializada mal-sucedida
A 2 de janeiro, a Luminar organizou a visita de um perito judicial à residência de Russell na Flórida. No entanto, o acesso foi negado pela segurança. O advogado da empresa descreveu isso como uma «violação inaceitável».
Russell, por sua vez, garantiu que estava a dormir durante a visita surpresa e expressou preocupação justificada com a sua privacidade. Em resposta, destacou: «Qualquer afirmação de minha não cooperação é totalmente falsa», acusando os advogados da Luminar de distorcer a situação fabricada.
Entrega de intimação e novos obstáculos
Insatisfeita com o progresso, a equipa jurídica tentou entregar uma intimação judicial a Russell pelo procedimento habitual. No entanto, os funcionários responsáveis pela entrega enfrentaram novamente obstáculos por parte da segurança. Os advogados da Weil expressaram frustração em mensagens internas: «Podemos tentar entregar a Austin ainda hoje? Precisamos de alguém persistente. Ele vai evitar a entrega o máximo que puder. Da última vez, ele estava em casa, mas o segurança mentiu por ele».
Falência e novas circunstâncias
Quando, em dezembro, foi declarada a falência sob o capítulo 11, a situação assumiu uma nova dimensão. A Luminar apresentou um pedido de emergência ao tribunal, solicitando permissão para entregar os documentos legais a Russell por correio ou email, uma vez que os métodos tradicionais se esgotaram.
Ao mesmo tempo, a empresa trabalha na venda de duas principais áreas de negócio: a divisão de semicondutores e a tecnologia lidar. O prazo final para submissão de propostas de compra do negócio lidar é 9 de janeiro.
A situação paradoxal com Russell AI Labs
Curiosamente, o próprio Russell, que agora lidera a Russell AI Labs, tentou anteriormente adquirir a Luminar antes do anúncio de falência e manifestou intenção de apresentar uma proposta durante o processo judicial. O seu advogado Schulman afirmou: «Nosso objetivo é focar na proposta da Russell AI Labs para reestruturar a Luminar e criar valor para os seus interessados».
Assim, a mesma pessoa, acusada de não cumprir as exigências judiciais, potencialmente busca adquirir o mesmo negócio ao qual já não está mais ligado. Isso cria uma situação jurídica e comercial complexa, que se desenvolve à medida que a falência é anunciada e novos proprietários são procurados para a empresa.
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Luminar e o fundador Russell: conflito em torno da entrega de documentos durante o procedimento de falência
Os caminhos da investigação divergem
Quando Austin Russell deixou o cargo de CEO da Luminar em maio deste ano, começou uma longa história de mal-entendidos e disputas legais. A empresa, especializada no desenvolvimento de tecnologias lidar, logo descobriu que obter dispositivos corporativos e informações necessárias do fundador era muito mais difícil do que esperava.
De acordo com os fatos apresentados nos documentos judiciais, a Luminar tenta recuperar pelo menos alguns computadores, o telefone de trabalho e backups digitais dos dispositivos de Russell. Embora alguns computadores já tenham sido entregues, ainda não foi possível concluir o processo. Em meados de dezembro, quando a declaração de falência se tornou inevitável, a situação agravou-se significativamente.
Origens do conflito e auditoria
A história começou muito antes. Na primavera, o comité de auditoria da Luminar realizou uma verificação do comportamento empresarial e da ética do fundador. Os resultados levantaram sérias questões sobre possíveis reivindicações legais relacionadas com empréstimos pessoais feitos por Russell à empresa.
Inicialmente, a equipa jurídica da Luminar tentou negociar diretamente com Russell a transferência de documentos e equipamentos, através de seus representantes — o escritório de advocacia McDermott Will & Schulte. No entanto, essas negociações ficaram paradas por meses. Em 12 de novembro, o conselho de administração da Luminar criou um comité especial de investigação e contratou a Weil, Gotshal & Manges para uma análise aprofundada das ações da gestão.
Atrasos festivos e requisitos de confidencialidade
A situação ganhou impulso antes das festas. Quando a McDermott soube, em 19 de dezembro, que não representaria mais Russell neste caso, a Luminar decidiu contactar diretamente o fundador. O primeiro contato ocorreu na véspera de Natal.
Russell concordou em entregar os computadores, mas colocou uma condição clara: a Luminar deve garantir a confidencialidade dos seus dados pessoais. Em uma das cartas, datada de Ano Novo, ele escreveu: «Propus colaboração direta e ações rápidas, mesmo durante as festas. Mas, se não for possível garantir essa proteção básica, aconselharam-me que futuras discussões não terão resultado».
O advogado de Russell, Leonard Schulman, explicou a posição do seu cliente: «Como a empresa não forneceu garantias necessárias, vamos confiar nos procedimentos de proteção de dados estabelecidos pelo tribunal». Ao mesmo tempo, a equipa jurídica da Luminar insistia que iria revisar apenas ficheiros relacionados com a empresa.
Verificação especializada mal-sucedida
A 2 de janeiro, a Luminar organizou a visita de um perito judicial à residência de Russell na Flórida. No entanto, o acesso foi negado pela segurança. O advogado da empresa descreveu isso como uma «violação inaceitável».
Russell, por sua vez, garantiu que estava a dormir durante a visita surpresa e expressou preocupação justificada com a sua privacidade. Em resposta, destacou: «Qualquer afirmação de minha não cooperação é totalmente falsa», acusando os advogados da Luminar de distorcer a situação fabricada.
Entrega de intimação e novos obstáculos
Insatisfeita com o progresso, a equipa jurídica tentou entregar uma intimação judicial a Russell pelo procedimento habitual. No entanto, os funcionários responsáveis pela entrega enfrentaram novamente obstáculos por parte da segurança. Os advogados da Weil expressaram frustração em mensagens internas: «Podemos tentar entregar a Austin ainda hoje? Precisamos de alguém persistente. Ele vai evitar a entrega o máximo que puder. Da última vez, ele estava em casa, mas o segurança mentiu por ele».
Falência e novas circunstâncias
Quando, em dezembro, foi declarada a falência sob o capítulo 11, a situação assumiu uma nova dimensão. A Luminar apresentou um pedido de emergência ao tribunal, solicitando permissão para entregar os documentos legais a Russell por correio ou email, uma vez que os métodos tradicionais se esgotaram.
Ao mesmo tempo, a empresa trabalha na venda de duas principais áreas de negócio: a divisão de semicondutores e a tecnologia lidar. O prazo final para submissão de propostas de compra do negócio lidar é 9 de janeiro.
A situação paradoxal com Russell AI Labs
Curiosamente, o próprio Russell, que agora lidera a Russell AI Labs, tentou anteriormente adquirir a Luminar antes do anúncio de falência e manifestou intenção de apresentar uma proposta durante o processo judicial. O seu advogado Schulman afirmou: «Nosso objetivo é focar na proposta da Russell AI Labs para reestruturar a Luminar e criar valor para os seus interessados».
Assim, a mesma pessoa, acusada de não cumprir as exigências judiciais, potencialmente busca adquirir o mesmo negócio ao qual já não está mais ligado. Isso cria uma situação jurídica e comercial complexa, que se desenvolve à medida que a falência é anunciada e novos proprietários são procurados para a empresa.