## As stablecoins não estão a "afundar" os bancos: como a concorrência calcula a força de atrito no sistema financeiro



O medo de uma fuga massiva de depósitos dos bancos para as stablecoins revelou-se largamente infundado. Segundo pesquisas empíricas recentes, apesar da explosão da capitalização de mercado das stablecoins, não existe uma correlação evidente entre a sua difusão e a perda de depósitos bancários tradicionais. Os dados demonstram que os alertas catastróficos eram exageros motivados pelo pânico, ignorando as reais "leis físicas" da economia.

### Porque os depósitos permanecem "colados" aos bancos

O modelo bancário tradicional apoia-se num princípio fundamental: o atrito sistémico. A conta corrente funciona como um nó central de convergência de todos os serviços financeiros — salário direto, hipoteca, cartão de crédito, tudo passa por lá. Este "efeito feixe" é tão potente que os consumidores aceitam taxas de juro reduzidas e comissões, apenas para manter tudo integrado num único local.

Mesmo quando surge uma alternativa tecnológica como a moeda digital totalmente garantida, a força desta ligação integrada permanece intacta. A conveniência de não ter que transferir poupanças fragmentadas para diferentes carteiras digitais vence a promessa de ganhos de poucos pontos base. Em termos de física económica, é como se a força de atrito entre o cliente e o banco fosse ainda demasiado elevada para permitir um "escorregamento" massivo para outras soluções.

### A concorrência como motor de inovação

No entanto, é aqui que surge a verdadeira mudança: as stablecoins não vão matar os bancos, mas obrigá-los a evoluir. A simples presença de uma alternativa credível altera a equação: quando os consumidores têm realmente uma escolha, os bancos já não podem contar apenas com a inércia dos utilizadores. Devem oferecer taxas competitivas e sistemas operacionais eficientes.

Neste cenário, a força que impulsiona o mercado não é a "fuga", mas a concorrência. Como em qualquer sistema físico, a "força de atrito" entre as diferentes opções de custódia do dinheiro diminui: os bancos têm que pagar mais para reter os depósitos, e essa pressão leva-os a inovar continuamente os serviços.

### O quadro regulatório que desbloqueia o potencial

O GENIUS Act representa o ponto de viragem decisivo. Exigindo que as stablecoins sejam integralmente garantidas por dinheiro em espécie, títulos do tesouro dos EUA a curto prazo ou depósitos assegurados, estabelece um padrão institucional robusto. Isto não é um novo regime regulatório, mas a aplicação inteligente dos princípios consolidados de gestão de liquidez aos sistemas baseados em blockchain.

As autoridades de supervisão — Federal Reserve e Office of the Comptroller of the Currency — transformarão estes princípios em regras operacionais concretas, garantindo que os emissores gerenciem adequadamente os riscos operacionais e a custódia. O resultado é uma "desbloqueio" regulatório que transporta as stablecoins da sombra bancária para dentro da infraestrutura financeira nacional.

### O valor real: a eficiência transfronteiriça

Uma vez superada a retórica sobre a "desaparecimento dos bancos", surge o verdadeiro potencial: as próprias fundações do sistema de pagamento global estão prontas para uma atualização radical.

O sistema atual de transferências internacionais é dispendioso e lento — os fundos permanecem "em viagem" durante dias enquanto passam por uma cadeia de intermediários. As stablecoins comprimem este processo numa única transação on-chain, irreversível e instantânea. Isto não é apenas uma melhoria de velocidade: é uma libertação da liquidez global anteriormente bloqueada pelas arquiteturas bancárias antiquadas.

Até mesmo nas transferências domésticas, a mesma eficiência promete pagamentos mais rápidos e económicos para os comerciantes. Para o setor bancário, é uma oportunidade rara de modernizar infraestruturas de regulamentação mantidas com esforço com tecnologias obsoletas como COBOL.

### O dólar digital como estratégia geopolítica

Os Estados Unidos enfrentam uma escolha crucial: governar o desenvolvimento da tecnologia a nível nacional ou permitir que o futuro das finanças tome forma em jurisdições offshore. O dólar continua a ser o produto financeiro dominante globalmente, mas as "viações" que o suportam estão claramente obsoletas.

O GENIUS Act não é uma defesa passiva: é uma transformação ofensiva. Incorporando as stablecoins dentro dos limites regulatórios, os Estados Unidos convertem os fatores de risco da intermediação em sombra numa "solução de atualização global do dólar" transparente e segura. Uma tecnologia nascida offshore torna-se parte central da infraestrutura financeira nacional.

### A lição para o setor bancário

Os bancos não devem resistir a esta transformação, mas reconhecê-la como uma oportunidade. A verdadeira competição não é sobre a "lentidão" — já não podem lucrar com o atraso. Devem aprender a monetizar a "velocidade" através de serviços sofisticados construídos sobre as novas fundações.

Quando perceberem que o modelo futuro não se baseia em atrito e inércia, mas em utilidade e velocidade, descobrirão que as stablecoins não são inimigas, mas catalisadoras de um renascimento financeiro que as salvará do risco de se tornarem obsoletas.
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