A criptomoeda não gosta de compartilhar poder. As últimas semanas têm sido uma lição viva sobre o que acontece quando uma organização autônoma descentralizada (DAO) e uma empresa privada de desenvolvimento não conseguem concordar sobre quem realmente “possui” o protocolo.
Aave, uma rede com mais de 33 bilhões de dólares bloqueados em seus contratos, enfrentou justamente uma crise de identidade. A disputa gira em torno de uma questão fundamental: o direito à marca, domínios, contas sociais e distribuição deve pertencer à equipe do Aave Labs (a equipe por trás do código e infraestrutura), ou ao DAO — ou seja, aos detentores de tokens que realmente mantêm o protocolo em funcionamento?
O que acendeu a discussão?
Tudo começou com a integração com o CoW Swap. A ferramenta de execução de transações direcionou as taxas de troca diretamente para o Aave Labs em vez do tesouro do DAO. Teoricamente: as empresas precisam lucrar. Na prática: isso revelou uma profunda incerteza sobre quem, no final, controla os ativos do protocolo e suas receitas.
Este debate hoje vai muito além do próprio Aave. Trata-se de um conflito fundamental de qualquer projeto de criptomoeda: quem deve ter o poder — a equipe que constrói a tecnologia ou a comunidade que mantém seu valor?
Meio mundo acha que os Labs estão certos
Os apoiantes do Aave Labs argumentam com um fato simples: sem autonomia operacional, o protocolo não funciona. Nader Dabit, ex-funcionário do Labs, vai ao ponto: organizações descentralizadas estruturalmente não podem fornecer software competitivo. Cada decisão de produto requer votação. Cada oportunidade surge e desaparece nos tópicos do fórum, enquanto os concorrentes já a estão implementando.
George Djuric, da KPMG, vai além: forçar os Labs a operarem sob um modelo de grants transforma engenheiros em políticos. Inovações se perdem em vazios de consenso. Os apoiantes desse lado também argumentam que as receitas na interface financeira financiam o desenvolvimento contínuo — e isso realmente fortalece todo o ecossistema, ao invés de enfraquecê-lo.
Além disso, destacam: formar parcerias com finanças tradicionais exige uma entidade legal reconhecível. Algo que o DAO nunca será.
A outra metade diz: estrutura ruim, resultados ruins
Os apoiantes do DAO não negam o papel do Labs. Mas dizem: o verdadeiro poder já mudou de mãos. É o DAO que toma as decisões de atualização. É o DAO que financia inovações por meio de grants para equipes criativas. É o DAO que, em última análise, assume o risco de mercado.
Marc Zeller, arquiteto do Aave há anos, vê a questão claramente: o DAO tornou-se uma “máquina de manutenção de risco e geração de receita”, e os ativos da marca são simplesmente uma “vitrine”.
Problema? Uma empresa privada controla a vitrine, enquanto a comunidade mantém o motor. A maior parte do crescimento do Aave vem de equipes independentes financiadas e supervisionadas pelo DAO — mas o DAO tem uma influência limitada sobre como essa marca e suas receitas são utilizadas.
Louis Thomazeau, parceiro de investimentos, chamou isso de “a discussão mais importante de hoje sobre os direitos dos detentores de tokens”. Não é só sobre o Aave. É sobre se os detentores de tokens terão poder real ou serão apenas investidores passivos.
Onde está o consenso?
Em outro lugar. Segundo os resultados mais recentes da votação, cerca de 58% dos participantes são contra a transferência dos ativos da marca para o DAO, e cerca de um terço se abstiveram. A votação termina na sexta-feira.
Mas os números não contam toda a história. Rushkin, da Messari, observa: se os líderes do Labs acham que a comunidade está “cansada” de discutir os direitos dos detentores de tokens — eles estão interpretando mal os sinais do mercado.
Este debate hoje moldará o futuro não apenas do Aave, mas de todo o modelo de governança de criptomoedas. Os DAOs serão uma verdadeira autoridade ou um teatro para o público? A resposta do Aave pode influenciar toda a indústria.
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
Dilemas de controlo: Como a discussão do Aave hoje revela tensões na gestão de protocolos
A criptomoeda não gosta de compartilhar poder. As últimas semanas têm sido uma lição viva sobre o que acontece quando uma organização autônoma descentralizada (DAO) e uma empresa privada de desenvolvimento não conseguem concordar sobre quem realmente “possui” o protocolo.
Aave, uma rede com mais de 33 bilhões de dólares bloqueados em seus contratos, enfrentou justamente uma crise de identidade. A disputa gira em torno de uma questão fundamental: o direito à marca, domínios, contas sociais e distribuição deve pertencer à equipe do Aave Labs (a equipe por trás do código e infraestrutura), ou ao DAO — ou seja, aos detentores de tokens que realmente mantêm o protocolo em funcionamento?
O que acendeu a discussão?
Tudo começou com a integração com o CoW Swap. A ferramenta de execução de transações direcionou as taxas de troca diretamente para o Aave Labs em vez do tesouro do DAO. Teoricamente: as empresas precisam lucrar. Na prática: isso revelou uma profunda incerteza sobre quem, no final, controla os ativos do protocolo e suas receitas.
Este debate hoje vai muito além do próprio Aave. Trata-se de um conflito fundamental de qualquer projeto de criptomoeda: quem deve ter o poder — a equipe que constrói a tecnologia ou a comunidade que mantém seu valor?
Meio mundo acha que os Labs estão certos
Os apoiantes do Aave Labs argumentam com um fato simples: sem autonomia operacional, o protocolo não funciona. Nader Dabit, ex-funcionário do Labs, vai ao ponto: organizações descentralizadas estruturalmente não podem fornecer software competitivo. Cada decisão de produto requer votação. Cada oportunidade surge e desaparece nos tópicos do fórum, enquanto os concorrentes já a estão implementando.
George Djuric, da KPMG, vai além: forçar os Labs a operarem sob um modelo de grants transforma engenheiros em políticos. Inovações se perdem em vazios de consenso. Os apoiantes desse lado também argumentam que as receitas na interface financeira financiam o desenvolvimento contínuo — e isso realmente fortalece todo o ecossistema, ao invés de enfraquecê-lo.
Além disso, destacam: formar parcerias com finanças tradicionais exige uma entidade legal reconhecível. Algo que o DAO nunca será.
A outra metade diz: estrutura ruim, resultados ruins
Os apoiantes do DAO não negam o papel do Labs. Mas dizem: o verdadeiro poder já mudou de mãos. É o DAO que toma as decisões de atualização. É o DAO que financia inovações por meio de grants para equipes criativas. É o DAO que, em última análise, assume o risco de mercado.
Marc Zeller, arquiteto do Aave há anos, vê a questão claramente: o DAO tornou-se uma “máquina de manutenção de risco e geração de receita”, e os ativos da marca são simplesmente uma “vitrine”.
Problema? Uma empresa privada controla a vitrine, enquanto a comunidade mantém o motor. A maior parte do crescimento do Aave vem de equipes independentes financiadas e supervisionadas pelo DAO — mas o DAO tem uma influência limitada sobre como essa marca e suas receitas são utilizadas.
Louis Thomazeau, parceiro de investimentos, chamou isso de “a discussão mais importante de hoje sobre os direitos dos detentores de tokens”. Não é só sobre o Aave. É sobre se os detentores de tokens terão poder real ou serão apenas investidores passivos.
Onde está o consenso?
Em outro lugar. Segundo os resultados mais recentes da votação, cerca de 58% dos participantes são contra a transferência dos ativos da marca para o DAO, e cerca de um terço se abstiveram. A votação termina na sexta-feira.
Mas os números não contam toda a história. Rushkin, da Messari, observa: se os líderes do Labs acham que a comunidade está “cansada” de discutir os direitos dos detentores de tokens — eles estão interpretando mal os sinais do mercado.
Este debate hoje moldará o futuro não apenas do Aave, mas de todo o modelo de governança de criptomoedas. Os DAOs serão uma verdadeira autoridade ou um teatro para o público? A resposta do Aave pode influenciar toda a indústria.