Quando os gigantes do setor apostam com dinheiro de verdade, isso é uma recompensa no nosso setor e também uma indicação clara da direção do mercado.
A recente doação de Vitalik Buterin causou impacto na comunidade cripto — ele transferiu 128 ETH para duas aplicações de comunicação privada, Session e SimpleX, totalizando mais de 76 mil dólares. O momento dessa doação merece atenção: justamente na véspera da aprovação da proposta “Chat Control” na União Europeia, uma medida considerada pelos defensores da privacidade como uma ameaça à criptografia de ponta a ponta.
Vitalik afirmou em um tweet: a comunicação criptografada é fundamental para a proteção da privacidade digital, e o próximo passo de avanço está na implementação de contas sem permissão e na proteção real de metadados.
Com base na reação do mercado, o aumento do interesse na narrativa de privacidade
Após o anúncio da doação, o token SESH da Session disparou de 0,04 dólares para cerca de 0,40 dólares em poucas horas, com uma alta semanal superior a 450%. Por trás dessa reação do mercado está uma reavaliação dos investidores sobre a narrativa de infraestrutura de privacidade.
Mas o mais interessante é que essas duas aplicações escolhidas por Vitalik são praticamente desconhecidas pelo público geral. Por que não ferramentas de comunicação privada já consolidadas? O valor doado também esconde uma mensagem — 128 parece aleatório em decimal, mas em binário representa 2 elevado à sétima potência. A comunidade interpreta isso como uma declaração de investimento estrutural consciente, e não apenas uma gorjeta aleatória.
Diferenças fundamentais entre duas abordagens de privacidade
Session: incentivo por tokens para construir uma rede descentralizada
Lançada em 2020, a Session utiliza uma arquitetura de privacidade semelhante ao roteamento onion. Cada mensagem, após três camadas de criptografia, passa por três nós aleatórios, cada um decodificando apenas sua camada, impossibilitando rastrear a origem e o destino da mensagem de forma completa.
A inovação central está no modelo de contas: usa uma string aleatória de 66 caracteres como Session ID, sem necessidade de vinculação a número de telefone ou verificação por email, eliminando qualquer relação com identidade real. Atualmente, há mais de 1500 nós de Session distribuídos em mais de 50 países, acessíveis a qualquer pessoa que aposte 25.000 SESH para operar um nó.
Em maio deste ano, a Session completou a migração da rede Oxen para sua própria Session Network, usando consenso de prova de participação. Os operadores de nós, ao fazerem staking, recebem recompensas em SESH. O circulating atual é de aproximadamente 79 milhões, com um máximo de 240 milhões, e mais de 62 milhões de SESH estão bloqueados em pools de staking.
Na prática, a experiência do usuário inclui suporte a texto, voz, imagens, transferência de arquivos e grupos de até 100 pessoas, mas a latência de notificações e a sincronização entre múltiplos dispositivos ainda são pontos fracos — uma consequência natural de sua arquitetura descentralizada.
SimpleX: despersonalização completa sob privacidade extrema
Se a inovação da Session é “sem necessidade de número de telefone”, o SimpleX vai além — ele elimina até mesmo o ID do usuário.
Criado em 2021 por Evgeny Poberezkin em Londres, o aplicativo gera uma nova conta de mensagem única toda vez que se comunica com um novo contato. Os endereços de conversa com A e B são completamente isolados, sem metadados comuns, e mesmo sob monitoramento simultâneo, não é possível provar que vêm da mesma pessoa.
O processo de registro também é revolucionário — basta inserir um nome de exibição, todos os arquivos ficam armazenados localmente no dispositivo, e o servidor do SimpleX não mantém nenhuma informação de conta. Para adicionar contatos, é necessário usar um link de convite ou QR code, não há função de busca por nome de usuário.
Tecnicamente, o SimpleX Messaging Protocol encaminha temporariamente mensagens criptografadas por servidores intermediários, que não se comunicam entre si, e as mensagens são deletadas após o envio. O código está aberto no Github e passou por auditoria de segurança pela Trail of Bits. Em 2022, recebeu um investimento seed de cerca de 370 mil dólares da Village Global, e o ex-CEO do Twitter, Jack Dorsey, já elogiou publicamente.
A desvantagem é que esse design de privacidade extrema limita funcionalidades — trocar de dispositivo exige reestabelecer todas as conexões, e a experiência com grandes grupos é prejudicada pela ausência de gerenciamento centralizado de membros.
Divergências no modelo de negócio: tokens como incentivo vs desfinanceirização
Embora ambos busquem privacidade, os dois aplicativos adotaram modelos de financiamento completamente opostos.
A Session segue a rota típica de Web3, com o token SESH desempenhando três funções: garantia de staking de nós, recompensas de operação, e pagamento de serviços futuros como membros e domínios. Essa lógica usa incentivos econômicos para garantir estabilidade da rede e participação de longo prazo dos operadores. A alta após a doação de Vitalik reflete, em certa medida, uma reavaliação do mercado sobre a narrativa de infraestrutura de privacidade.
O SimpleX opta por uma abordagem contrária. O fundador Poberezkin rejeita explicitamente a emissão de tokens negociáveis, acreditando que a especulação desviaria o projeto de seu propósito inicial. Atualmente, mantém-se com financiamento de venture capital e doações de usuários (acumulando mais de 25 mil dólares), com planos para lançar em 2026 os Community Vouchers — um tipo de voucher pré-pago para uso de servidores, sem possibilidade de negociação, sem pré-mineração e sem venda pública, com preço fixo.
Essa diferença não é apenas estratégica, mas também filosófica — sobre como a privacidade deve ser financiada. O modelo de tokens da Session consegue mobilizar capital e participantes rapidamente, mas fica exposto à volatilidade de preço e riscos regulatórios; o SimpleX, ao manter a desfinanceirização, preserva sua pureza, mas o financiamento limitado pode afetar sua expansão.
Desafios estruturais na pista de comunicação privada
Na mensagem de Vitalik, ele não esconde que ambos os aplicativos têm limitações claras — a experiência do usuário e a segurança ainda precisam de melhorias a longo prazo. Os problemas que ele aponta representam uma dificuldade comum a toda comunicação privada descentralizada:
Custo da descentralização: aplicações centralizadas entregam mensagens rápidas e estáveis por usar servidores unificados; descentralizadas precisam de múltiplos saltos, aumentando a latência.
Sincronização entre múltiplos dispositivos: aplicações tradicionais recuperam histórico ao logar; na descentralização, sem servidor central, a sincronização de chaves de ponta a ponta é complexa.
Prevenção de abusos: eliminar o vínculo com número de telefone protege a privacidade, mas abre espaço para ataques Sybil e DoS. Plataformas centralizadas filtram contas por telefone, enquanto aplicações descentralizadas precisam de soluções alternativas.
O aporte de Vitalik, em certa medida, está precificando esses problemas — eles valem a pena serem resolvidos, mas requerem capital, tecnologia e paciência de longo prazo.
Posicionamento atual da infraestrutura de privacidade
Para o usuário comum, migrar agora para Session ou SimpleX ainda é prematuro, devido às limitações de experiência. Mas, para usuários com alta sensibilidade à privacidade, essas duas aplicações valem a pena serem testadas, para entender até onde a “privacidade real” pode chegar.
Quando os gigantes do setor investem de verdade, isso é uma recompensa — o mercado está votando com capital na direção do futuro da comunicação privada. Essa doação de 256 ETH não é apenas um experimento de entusiastas, mas uma validação estratégica de toda a pista de infraestrutura de privacidade.
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A exploração de comunicação privada de duplo canal: O que a escolha de Vitalik por 256 ETH revela
Quando os gigantes do setor apostam com dinheiro de verdade, isso é uma recompensa no nosso setor e também uma indicação clara da direção do mercado.
A recente doação de Vitalik Buterin causou impacto na comunidade cripto — ele transferiu 128 ETH para duas aplicações de comunicação privada, Session e SimpleX, totalizando mais de 76 mil dólares. O momento dessa doação merece atenção: justamente na véspera da aprovação da proposta “Chat Control” na União Europeia, uma medida considerada pelos defensores da privacidade como uma ameaça à criptografia de ponta a ponta.
Vitalik afirmou em um tweet: a comunicação criptografada é fundamental para a proteção da privacidade digital, e o próximo passo de avanço está na implementação de contas sem permissão e na proteção real de metadados.
Com base na reação do mercado, o aumento do interesse na narrativa de privacidade
Após o anúncio da doação, o token SESH da Session disparou de 0,04 dólares para cerca de 0,40 dólares em poucas horas, com uma alta semanal superior a 450%. Por trás dessa reação do mercado está uma reavaliação dos investidores sobre a narrativa de infraestrutura de privacidade.
Mas o mais interessante é que essas duas aplicações escolhidas por Vitalik são praticamente desconhecidas pelo público geral. Por que não ferramentas de comunicação privada já consolidadas? O valor doado também esconde uma mensagem — 128 parece aleatório em decimal, mas em binário representa 2 elevado à sétima potência. A comunidade interpreta isso como uma declaração de investimento estrutural consciente, e não apenas uma gorjeta aleatória.
Diferenças fundamentais entre duas abordagens de privacidade
Session: incentivo por tokens para construir uma rede descentralizada
Lançada em 2020, a Session utiliza uma arquitetura de privacidade semelhante ao roteamento onion. Cada mensagem, após três camadas de criptografia, passa por três nós aleatórios, cada um decodificando apenas sua camada, impossibilitando rastrear a origem e o destino da mensagem de forma completa.
A inovação central está no modelo de contas: usa uma string aleatória de 66 caracteres como Session ID, sem necessidade de vinculação a número de telefone ou verificação por email, eliminando qualquer relação com identidade real. Atualmente, há mais de 1500 nós de Session distribuídos em mais de 50 países, acessíveis a qualquer pessoa que aposte 25.000 SESH para operar um nó.
Em maio deste ano, a Session completou a migração da rede Oxen para sua própria Session Network, usando consenso de prova de participação. Os operadores de nós, ao fazerem staking, recebem recompensas em SESH. O circulating atual é de aproximadamente 79 milhões, com um máximo de 240 milhões, e mais de 62 milhões de SESH estão bloqueados em pools de staking.
Na prática, a experiência do usuário inclui suporte a texto, voz, imagens, transferência de arquivos e grupos de até 100 pessoas, mas a latência de notificações e a sincronização entre múltiplos dispositivos ainda são pontos fracos — uma consequência natural de sua arquitetura descentralizada.
SimpleX: despersonalização completa sob privacidade extrema
Se a inovação da Session é “sem necessidade de número de telefone”, o SimpleX vai além — ele elimina até mesmo o ID do usuário.
Criado em 2021 por Evgeny Poberezkin em Londres, o aplicativo gera uma nova conta de mensagem única toda vez que se comunica com um novo contato. Os endereços de conversa com A e B são completamente isolados, sem metadados comuns, e mesmo sob monitoramento simultâneo, não é possível provar que vêm da mesma pessoa.
O processo de registro também é revolucionário — basta inserir um nome de exibição, todos os arquivos ficam armazenados localmente no dispositivo, e o servidor do SimpleX não mantém nenhuma informação de conta. Para adicionar contatos, é necessário usar um link de convite ou QR code, não há função de busca por nome de usuário.
Tecnicamente, o SimpleX Messaging Protocol encaminha temporariamente mensagens criptografadas por servidores intermediários, que não se comunicam entre si, e as mensagens são deletadas após o envio. O código está aberto no Github e passou por auditoria de segurança pela Trail of Bits. Em 2022, recebeu um investimento seed de cerca de 370 mil dólares da Village Global, e o ex-CEO do Twitter, Jack Dorsey, já elogiou publicamente.
A desvantagem é que esse design de privacidade extrema limita funcionalidades — trocar de dispositivo exige reestabelecer todas as conexões, e a experiência com grandes grupos é prejudicada pela ausência de gerenciamento centralizado de membros.
Divergências no modelo de negócio: tokens como incentivo vs desfinanceirização
Embora ambos busquem privacidade, os dois aplicativos adotaram modelos de financiamento completamente opostos.
A Session segue a rota típica de Web3, com o token SESH desempenhando três funções: garantia de staking de nós, recompensas de operação, e pagamento de serviços futuros como membros e domínios. Essa lógica usa incentivos econômicos para garantir estabilidade da rede e participação de longo prazo dos operadores. A alta após a doação de Vitalik reflete, em certa medida, uma reavaliação do mercado sobre a narrativa de infraestrutura de privacidade.
O SimpleX opta por uma abordagem contrária. O fundador Poberezkin rejeita explicitamente a emissão de tokens negociáveis, acreditando que a especulação desviaria o projeto de seu propósito inicial. Atualmente, mantém-se com financiamento de venture capital e doações de usuários (acumulando mais de 25 mil dólares), com planos para lançar em 2026 os Community Vouchers — um tipo de voucher pré-pago para uso de servidores, sem possibilidade de negociação, sem pré-mineração e sem venda pública, com preço fixo.
Essa diferença não é apenas estratégica, mas também filosófica — sobre como a privacidade deve ser financiada. O modelo de tokens da Session consegue mobilizar capital e participantes rapidamente, mas fica exposto à volatilidade de preço e riscos regulatórios; o SimpleX, ao manter a desfinanceirização, preserva sua pureza, mas o financiamento limitado pode afetar sua expansão.
Desafios estruturais na pista de comunicação privada
Na mensagem de Vitalik, ele não esconde que ambos os aplicativos têm limitações claras — a experiência do usuário e a segurança ainda precisam de melhorias a longo prazo. Os problemas que ele aponta representam uma dificuldade comum a toda comunicação privada descentralizada:
Custo da descentralização: aplicações centralizadas entregam mensagens rápidas e estáveis por usar servidores unificados; descentralizadas precisam de múltiplos saltos, aumentando a latência.
Sincronização entre múltiplos dispositivos: aplicações tradicionais recuperam histórico ao logar; na descentralização, sem servidor central, a sincronização de chaves de ponta a ponta é complexa.
Prevenção de abusos: eliminar o vínculo com número de telefone protege a privacidade, mas abre espaço para ataques Sybil e DoS. Plataformas centralizadas filtram contas por telefone, enquanto aplicações descentralizadas precisam de soluções alternativas.
O aporte de Vitalik, em certa medida, está precificando esses problemas — eles valem a pena serem resolvidos, mas requerem capital, tecnologia e paciência de longo prazo.
Posicionamento atual da infraestrutura de privacidade
Para o usuário comum, migrar agora para Session ou SimpleX ainda é prematuro, devido às limitações de experiência. Mas, para usuários com alta sensibilidade à privacidade, essas duas aplicações valem a pena serem testadas, para entender até onde a “privacidade real” pode chegar.
Quando os gigantes do setor investem de verdade, isso é uma recompensa — o mercado está votando com capital na direção do futuro da comunicação privada. Essa doação de 256 ETH não é apenas um experimento de entusiastas, mas uma validação estratégica de toda a pista de infraestrutura de privacidade.