Com problemas relacionados com a empresa de criptomoedas Alt5 Sigma, associada à família Trump, a situação está a tornar-se cada vez mais evidente. Em apenas seis semanas, foram trocadas três entidades de auditoria, além de uma onda de saídas coletivas da equipa de gestão, que outrora se posicionava como uma «inovadora em tecnologia financeira». Atualmente, a empresa enfrenta uma forte fiscalização por parte das autoridades reguladoras do mercado de capitais.
A verdade por trás das frequentes mudanças de entidades de auditoria
A origem do problema foi a expiração da licença da firma de auditoria Victor Mokuolu CPA PLLC no Texas, em agosto. De acordo com a legislação local, durante o período em que a licença está expirada, a empresa está proibida de realizar auditorias. Apesar de o fundador da empresa, Victor Mokuolu, ter atualizado a sua licença pessoal a 31 de agosto, até 26 de dezembro, a licença a nível empresarial ainda não tinha sido renovada pela Comissão de Contabilidade Pública do Texas (TSBPA). Isto significa que a Alt5 Sigma, na prática, contratou uma entidade de auditoria «sem licença válida».
Após questionamentos do Financial Times do Reino Unido, a Alt5 Sigma despediu de emergência Victor Mokuolu CPA PLLC no dia de Natal, nomeando a LJ Soldinger Associates como nova entidade de auditoria. Esta é a terceira mudança de auditor em menos de seis meses.
O histórico regulatório desta empresa de auditoria problemática também é preocupante. A Comissão de Supervisão de Contabilidade de Empresas de Capital Aberto (PCAOB) dos EUA multou-a em 30 mil dólares em 2023, por não ter informado as autoridades de fiscalização, em 35 dias, sobre a conclusão das auditorias de seis empresas cotadas em bolsa. Posteriormente, o Texas aplicou uma multa adicional de 15 mil dólares. A firma recebeu uma classificação de insatisfatória em avaliações de pares do setor, tendo tentado corrigir várias deficiências ao longo dos anos.
Turbulência na gestão e crise de governação corporativa
As rápidas mudanças na equipa de gestão aumentaram as preocupações do mercado quanto à estabilidade da empresa. Após um acordo de posse de tokens WLFI com a família Trump, Jonathan Hugh, que assumiu como novo diretor financeiro, saiu após apenas três meses. O CEO Peter Tassiopoulos anunciou a sua saída em outubro. O membro do conselho de administração, David Danziger, resignou-se no mês passado, o que violou os requisitos mínimos de número de membros do comité de auditoria e de formação em contabilidade.
O presidente do conselho é Zack Witkoff, cofundador da World Liberty Financial e filho do enviado de paz de Trump, Steve Witkoff. Estas frequentes mudanças na alta direção levantam sérias dúvidas sobre a capacidade operacional da empresa.
Escala de posse de WLFI e risco de deslistagem
De acordo com os dados mais recentes, a Alt5 Sigma detém cerca de 7,3 mil milhões de tokens WLFI, até 8 de dezembro. Com o preço atual de $0,17 por token, este património vale aproximadamente 1,97 mil milhões de dólares, com um valor de mercado de cerca de $4,14 mil milhões. Esta grande participação em tokens tornou-se uma componente central dos ativos da empresa, além de estabelecer uma ligação crucial com o ecossistema Trump.
No entanto, a empresa recebeu um aviso de possível deslistagem na Nasdaq, por não ter apresentado atempadamente os relatórios trimestrais até ao final de setembro. A justificativa dada foi a «falta de pontualidade e capacidade de resposta» do auditor anterior, que saiu oficialmente em novembro. O atraso na apresentação dos relatórios e a mudança de auditor criaram um ciclo vicioso, aumentando o risco de a empresa ser obrigada a sair do mercado.
Mudanças de identidade e riscos legais
A Alt5 Sigma foi reestruturada em julho de 2024, a partir de uma empresa de biotecnologia chamada JanOne. A JanOne focava-se em «soluções para a crise de opioides», antes de se aventurar no setor de ativos digitais. Esta rápida mudança de direção é, por si só, um sinal de alerta para o mercado.
Mais preocupante ainda é o facto de, em agosto deste ano, a Alt5 Sigma ter divulgado às autoridades reguladoras dos EUA que a sua subsidiária canadiana e o antigo responsável, Andre Beauchesne, foram considerados, em maio, por um tribunal de Ruanda, por envolvimento em «enriquecimento ilícito e branqueamento de capitais». Andre Beauchesne e a Alt5 Sigma Canada apresentaram recurso perante o Tribunal Superior de Kigali, em Ruanda, e o processo ainda está em fase de análise judicial. Ambas as partes negam qualquer conduta imprópria, alegando serem vítimas de fraude. Este conflito legal internacional acrescenta uma nova camada de incerteza a uma empresa já turbulenta.
Desafios após a transformação
A empresa posiciona-se como uma «empresa de tecnologia financeira com uma estratégia inovadora de gestão de ativos digitais WLFI», alegando fornecer infraestruturas financeiras que permitem às instituições financeiras tradicionais aceder à economia de ativos digitais. Contudo, na prática, os relatórios financeiros confusos, o colapso dos mecanismos de auditoria e a instabilidade da equipa de gestão indicam um problema mais profundo: após uma entrada rápida no setor de ativos digitais, a empresa ainda não estabeleceu sistemas operacionais e de conformidade adequados.
Falta não apenas um auditor, mas também um compromisso firme com a operação regulamentada.
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Trump e ativos criptográficos: sinais de perigo frequentes, Alt5 Sigma mergulhado em um buraco negro de gestão
Com problemas relacionados com a empresa de criptomoedas Alt5 Sigma, associada à família Trump, a situação está a tornar-se cada vez mais evidente. Em apenas seis semanas, foram trocadas três entidades de auditoria, além de uma onda de saídas coletivas da equipa de gestão, que outrora se posicionava como uma «inovadora em tecnologia financeira». Atualmente, a empresa enfrenta uma forte fiscalização por parte das autoridades reguladoras do mercado de capitais.
A verdade por trás das frequentes mudanças de entidades de auditoria
A origem do problema foi a expiração da licença da firma de auditoria Victor Mokuolu CPA PLLC no Texas, em agosto. De acordo com a legislação local, durante o período em que a licença está expirada, a empresa está proibida de realizar auditorias. Apesar de o fundador da empresa, Victor Mokuolu, ter atualizado a sua licença pessoal a 31 de agosto, até 26 de dezembro, a licença a nível empresarial ainda não tinha sido renovada pela Comissão de Contabilidade Pública do Texas (TSBPA). Isto significa que a Alt5 Sigma, na prática, contratou uma entidade de auditoria «sem licença válida».
Após questionamentos do Financial Times do Reino Unido, a Alt5 Sigma despediu de emergência Victor Mokuolu CPA PLLC no dia de Natal, nomeando a LJ Soldinger Associates como nova entidade de auditoria. Esta é a terceira mudança de auditor em menos de seis meses.
O histórico regulatório desta empresa de auditoria problemática também é preocupante. A Comissão de Supervisão de Contabilidade de Empresas de Capital Aberto (PCAOB) dos EUA multou-a em 30 mil dólares em 2023, por não ter informado as autoridades de fiscalização, em 35 dias, sobre a conclusão das auditorias de seis empresas cotadas em bolsa. Posteriormente, o Texas aplicou uma multa adicional de 15 mil dólares. A firma recebeu uma classificação de insatisfatória em avaliações de pares do setor, tendo tentado corrigir várias deficiências ao longo dos anos.
Turbulência na gestão e crise de governação corporativa
As rápidas mudanças na equipa de gestão aumentaram as preocupações do mercado quanto à estabilidade da empresa. Após um acordo de posse de tokens WLFI com a família Trump, Jonathan Hugh, que assumiu como novo diretor financeiro, saiu após apenas três meses. O CEO Peter Tassiopoulos anunciou a sua saída em outubro. O membro do conselho de administração, David Danziger, resignou-se no mês passado, o que violou os requisitos mínimos de número de membros do comité de auditoria e de formação em contabilidade.
O presidente do conselho é Zack Witkoff, cofundador da World Liberty Financial e filho do enviado de paz de Trump, Steve Witkoff. Estas frequentes mudanças na alta direção levantam sérias dúvidas sobre a capacidade operacional da empresa.
Escala de posse de WLFI e risco de deslistagem
De acordo com os dados mais recentes, a Alt5 Sigma detém cerca de 7,3 mil milhões de tokens WLFI, até 8 de dezembro. Com o preço atual de $0,17 por token, este património vale aproximadamente 1,97 mil milhões de dólares, com um valor de mercado de cerca de $4,14 mil milhões. Esta grande participação em tokens tornou-se uma componente central dos ativos da empresa, além de estabelecer uma ligação crucial com o ecossistema Trump.
No entanto, a empresa recebeu um aviso de possível deslistagem na Nasdaq, por não ter apresentado atempadamente os relatórios trimestrais até ao final de setembro. A justificativa dada foi a «falta de pontualidade e capacidade de resposta» do auditor anterior, que saiu oficialmente em novembro. O atraso na apresentação dos relatórios e a mudança de auditor criaram um ciclo vicioso, aumentando o risco de a empresa ser obrigada a sair do mercado.
Mudanças de identidade e riscos legais
A Alt5 Sigma foi reestruturada em julho de 2024, a partir de uma empresa de biotecnologia chamada JanOne. A JanOne focava-se em «soluções para a crise de opioides», antes de se aventurar no setor de ativos digitais. Esta rápida mudança de direção é, por si só, um sinal de alerta para o mercado.
Mais preocupante ainda é o facto de, em agosto deste ano, a Alt5 Sigma ter divulgado às autoridades reguladoras dos EUA que a sua subsidiária canadiana e o antigo responsável, Andre Beauchesne, foram considerados, em maio, por um tribunal de Ruanda, por envolvimento em «enriquecimento ilícito e branqueamento de capitais». Andre Beauchesne e a Alt5 Sigma Canada apresentaram recurso perante o Tribunal Superior de Kigali, em Ruanda, e o processo ainda está em fase de análise judicial. Ambas as partes negam qualquer conduta imprópria, alegando serem vítimas de fraude. Este conflito legal internacional acrescenta uma nova camada de incerteza a uma empresa já turbulenta.
Desafios após a transformação
A empresa posiciona-se como uma «empresa de tecnologia financeira com uma estratégia inovadora de gestão de ativos digitais WLFI», alegando fornecer infraestruturas financeiras que permitem às instituições financeiras tradicionais aceder à economia de ativos digitais. Contudo, na prática, os relatórios financeiros confusos, o colapso dos mecanismos de auditoria e a instabilidade da equipa de gestão indicam um problema mais profundo: após uma entrada rápida no setor de ativos digitais, a empresa ainda não estabeleceu sistemas operacionais e de conformidade adequados.
Falta não apenas um auditor, mas também um compromisso firme com a operação regulamentada.