Por que o sinal de $22,960 milhões foi ignorado: sob o governo conservador do Chile, a adoção de criptomoedas não será tão radical quanto em El Salvador
A direita política no Chile já está consolidada. Na segunda volta das eleições presidenciais de 14 de dezembro, o candidato conservador José Antonio Kast derrotou o adversário de esquerda, conquistando cerca de 58% dos votos. Esta é a mudança mais evidente para a direita desde a retorno à democracia no Chile. A reação inicial do mercado foi forte — o peso valorizou-se, as ações subiram, e os investidores antecipam uma onda de reformas que relaxem as leis trabalhistas, reduzam os impostos às empresas e combatam o criminalidade.
Alguns apoiantes de criptomoedas começaram a esperar: será que o Chile seguirá os passos do presidente de El Salvador, Bukele, ao declarar o Bitcoin como moeda legal?
Resposta curta: não. Resposta longa: mais interessante, e que diz respeito aos mercados globais.
Parece semelhante, mas o mecanismo é completamente diferente
Na superfície, o Chile e El Salvador estão passando por uma mudança para a direita política. Mas os caminhos de adoção de criptomoedas desses dois países são totalmente distintos.
Em 2021, o presidente de El Salvador, Bukele, anunciou de cima para baixo que o Bitcoin seria moeda legal — uma decisão altamente política, que ainda é amplamente discutida. Já o caminho do Chile deve ser de baixo para cima, de forma burocrática — impulsionado por leis e regulações, e não por declarações políticas.
Três fatores determinam a singularidade do Chile:
Primeiro, a postura cautelosa do Banco Central. As ações do Banco Central do Chile (BCCh) nos últimos anos contrastam com a “performance” de criptomoedas. Ele publicou um documento de análise aprofundada sobre CBDCs e avançou na implementação de um sistema financeiro aberto sob a Lei de Tecnologia Financeira (Ley Fintech). Essa postura cautelosa indica que não haverá uma declaração repentina de que criptomoedas são moeda legal.
Segundo, o papel predominante do sistema de pensões. Até o final de 2024, os ativos sob gestão do sistema de fundos de pensão do Chile atingirão US$ 186,4 bilhões. Até meados de 2025, esse valor ultrapassará US$ 207 bilhões. Em outubro, já atingiram cerca de US$ 229,6 bilhões. Esses ativos só serão mobilizados se atenderem a todos os requisitos regulatórios, de risco, custódia e avaliação. Trata-se de um sistema que adota novas classes de ativos por meio de instrumentos regulados, e não por meio de tweets do presidente.
Terceiro, o quadro de impostos e conformidade já está pronto. As regras fiscais do Chile já consideram as criptomoedas como ativos sujeitos a impostos. Isso reforça que a adoção será feita por meio de intermediários formais (corretoras, fundos, bancos), e não por meio de caixas registradoras obrigatórias.
Infraestrutura em primeiro lugar: ETFs, custódia bancária, depois pensões
Então, o que deve surgir primeiro na prática?
Segundo Mauricio Di Bartolomeo, fundador e diretor de segurança da Ledn, o “momento cripto” do Chile não será tão dramático quanto em El Salvador ou na Argentina. Ele aponta:
“Acredito que o Banco Central do Chile e o novo governo não tentarão fazer do Bitcoin moeda legal.”
O mais provável é uma abordagem gradual, incluindo incentivos fiscais para pequenas transações e a permissão clara para bancos oferecerem serviços de custódia e compra/venda. O objetivo é permitir que cidadãos e empresas possam armazenar BTC localmente, sem incertezas legais.
Primeiro, produtos ETF locais. Referenciando o mercado dos EUA — após o lançamento do iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock em janeiro de 2024, que rapidamente se tornou uma ferramenta para instituições tradicionais obterem exposição ao Bitcoin — o Chile não precisa começar do zero; basta adaptar as ferramentas e canais de distribuição locais.
Depois, a infraestrutura bancária. Se o Banco Central e a CMF estabelecerem regras claras de custódia bancária, o acesso cotidiano se tornará realidade. Isso inclui integração com corretoras, soluções de portfólio, empréstimos com garantia e planejamento financeiro corporativo, permitindo que empresas armazenem e façam hedge de seus ativos. O Chile está construindo esse quadro de forma gradual, por meio da Lei Fintech (Lei 21.521) e da regulamentação de sistema financeiro aberto, prevista para meados de 2024.
Por fim, a questão das pensões. A visão de Di Bartolomeo é pragmática: os fundos de pensão são altamente regulados e geralmente não podem comprar fundos internacionais ou ativos não registrados no Chile. Portanto, a “escolha de jurisdição” é fundamental. Se ETFs de Bitcoin à vista internacionais não estiverem disponíveis, ETFs ou ETNs locais podem fazer a ponte.
Mesmo assim, o volume será limitado — restrito pelos padrões de custódia, métodos de avaliação, categorias de risco e sistema tributário. Esses detalhes, aparentemente entediantes, são quase sempre os que não aparecem nas manchetes.
O verdadeiro significado por trás dos números
Os US$ 229,6 bilhões em ativos de pensão, mesmo que uma pequena parcela seja alocada ao Bitcoin, representam um fluxo potencial de recursos gigantesco. Uma alocação de 25-50 pontos base por meio de instrumentos locais, ao longo do tempo, pode gerar dezenas de bilhões de dólares. Mas isso também significa que as autoridades regulatórias vão exigir, antes de agir, garantias de segregação de custódia, fontes confiáveis de avaliação e liquidez testada sob pressão.
A posição do Chile sobre stablecoins também reforça a ideia de “infraestrutura regulada”. Análises jurídicas deste ano indicam como a Lei Fintech pode identificar e orientar o uso de stablecoins dentro do sistema formal. Essa abordagem cautelosa reduz o risco de dollarization não regulada, ao mesmo tempo em que mantém o controle monetário.
O que os investidores devem acompanhar
Os catalisadores são simples: diretrizes de custódia bancária, aprovação de reguladores de valores mobiliários para ETFs/ETNs locais, e uma trajetória clara de conformidade.
Por outro lado, os principais riscos incluem: (1) restrições do Banco Central às compras e vendas de BTC no país, (2) impostos punitivos sobre investimentos em BTC, e (3) restrições a stablecoins lastreadas em dólar. Qualquer um desses fatores pode forçar atividades a migrar para o exterior ou para o mercado underground, o que contraria os esforços de aprofundamento e formalização do mercado chileno ao longo dos últimos dez anos.
Já há sinais políticos. O Banco Central publicou dois relatórios sobre CBDCs (2022 e 2024), indicando uma preferência por uma estrutura bem pensada, e não por experimentos grandiosos. A CMF está implementando um plano regulatório para 2025-26, com regras de sistema financeiro aberto a partir de 2024. Essa é a base legal para troca de dados segura e interoperável.
Qual será o primeiro sinal na prática? Acompanhar os pedidos de ETFs ou ETNs de Bitcoin locais, e declarações de bancos de disposição de oferecer serviços de custódia e compra/venda. Di Bartolomeo destaca:
“Um sinal forte será os bancos começarem a oferecer qualquer serviço ou produto relacionado ao Bitcoin, ou o início de discussões políticas para atualizar as políticas bancárias para atender a essa demanda.”
Depois, o movimento nos fundos de pensão. Qualquer expansão na lista de ativos permitidos ou esclarecimento de padrões de avaliação e custódia digital abrirá espaço para pequenas experiências de investimento — especialmente se as ferramentas locais facilitarem o acesso operacional.
Para o varejo e o setor empresarial, incentivos fiscais direcionados ajudarão a experimentar sem obrigatoriedade. Modelos de isenção de pequenas transações — como a discussão nos EUA sobre a isenção de impostos para pequenas quantias — podem ser adotados pelo Chile, permitindo que as pessoas usem Bitcoin para pagar e receber.
Di Bartolomeo também reforça a atenção às políticas de stablecoins:
“Também é importante acompanhar as políticas sobre o uso de stablecoins lastreadas em dólar (como Tether), pois elas estão sendo cada vez mais usadas como dinheiro na região.” Com o tempo, esse caminho pode levar os usuários ao Bitcoin.
Conclusão: os bancos são a chave
O futuro das criptomoedas no Chile provavelmente não será decidido em discursos, mas em planilhas, regulações e auditorias. Não é tão glamouroso quanto a declaração de moeda legal de El Salvador, mas esse caminho pode se expandir.
Segundo Di Bartolomeo:
“Atualmente, não vejo uma base direta para usar o Bitcoin como dinheiro no Chile.”
O fator-chave é a participação dos bancos. Se eles começarem a oferecer qualquer serviço relacionado, os fundos de pensão podem seguir, e uma mudança significativa pode acontecer com poucos pontos base. No governo conservador do Chile, as mudanças ocorrerão por meio de instituições, e não por declarações.
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Por que o sinal de $22,960 milhões foi ignorado: sob o governo conservador do Chile, a adoção de criptomoedas não será tão radical quanto em El Salvador
A direita política no Chile já está consolidada. Na segunda volta das eleições presidenciais de 14 de dezembro, o candidato conservador José Antonio Kast derrotou o adversário de esquerda, conquistando cerca de 58% dos votos. Esta é a mudança mais evidente para a direita desde a retorno à democracia no Chile. A reação inicial do mercado foi forte — o peso valorizou-se, as ações subiram, e os investidores antecipam uma onda de reformas que relaxem as leis trabalhistas, reduzam os impostos às empresas e combatam o criminalidade.
Alguns apoiantes de criptomoedas começaram a esperar: será que o Chile seguirá os passos do presidente de El Salvador, Bukele, ao declarar o Bitcoin como moeda legal?
Resposta curta: não. Resposta longa: mais interessante, e que diz respeito aos mercados globais.
Parece semelhante, mas o mecanismo é completamente diferente
Na superfície, o Chile e El Salvador estão passando por uma mudança para a direita política. Mas os caminhos de adoção de criptomoedas desses dois países são totalmente distintos.
Em 2021, o presidente de El Salvador, Bukele, anunciou de cima para baixo que o Bitcoin seria moeda legal — uma decisão altamente política, que ainda é amplamente discutida. Já o caminho do Chile deve ser de baixo para cima, de forma burocrática — impulsionado por leis e regulações, e não por declarações políticas.
Três fatores determinam a singularidade do Chile:
Primeiro, a postura cautelosa do Banco Central. As ações do Banco Central do Chile (BCCh) nos últimos anos contrastam com a “performance” de criptomoedas. Ele publicou um documento de análise aprofundada sobre CBDCs e avançou na implementação de um sistema financeiro aberto sob a Lei de Tecnologia Financeira (Ley Fintech). Essa postura cautelosa indica que não haverá uma declaração repentina de que criptomoedas são moeda legal.
Segundo, o papel predominante do sistema de pensões. Até o final de 2024, os ativos sob gestão do sistema de fundos de pensão do Chile atingirão US$ 186,4 bilhões. Até meados de 2025, esse valor ultrapassará US$ 207 bilhões. Em outubro, já atingiram cerca de US$ 229,6 bilhões. Esses ativos só serão mobilizados se atenderem a todos os requisitos regulatórios, de risco, custódia e avaliação. Trata-se de um sistema que adota novas classes de ativos por meio de instrumentos regulados, e não por meio de tweets do presidente.
Terceiro, o quadro de impostos e conformidade já está pronto. As regras fiscais do Chile já consideram as criptomoedas como ativos sujeitos a impostos. Isso reforça que a adoção será feita por meio de intermediários formais (corretoras, fundos, bancos), e não por meio de caixas registradoras obrigatórias.
Infraestrutura em primeiro lugar: ETFs, custódia bancária, depois pensões
Então, o que deve surgir primeiro na prática?
Segundo Mauricio Di Bartolomeo, fundador e diretor de segurança da Ledn, o “momento cripto” do Chile não será tão dramático quanto em El Salvador ou na Argentina. Ele aponta:
O mais provável é uma abordagem gradual, incluindo incentivos fiscais para pequenas transações e a permissão clara para bancos oferecerem serviços de custódia e compra/venda. O objetivo é permitir que cidadãos e empresas possam armazenar BTC localmente, sem incertezas legais.
Primeiro, produtos ETF locais. Referenciando o mercado dos EUA — após o lançamento do iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock em janeiro de 2024, que rapidamente se tornou uma ferramenta para instituições tradicionais obterem exposição ao Bitcoin — o Chile não precisa começar do zero; basta adaptar as ferramentas e canais de distribuição locais.
Depois, a infraestrutura bancária. Se o Banco Central e a CMF estabelecerem regras claras de custódia bancária, o acesso cotidiano se tornará realidade. Isso inclui integração com corretoras, soluções de portfólio, empréstimos com garantia e planejamento financeiro corporativo, permitindo que empresas armazenem e façam hedge de seus ativos. O Chile está construindo esse quadro de forma gradual, por meio da Lei Fintech (Lei 21.521) e da regulamentação de sistema financeiro aberto, prevista para meados de 2024.
Por fim, a questão das pensões. A visão de Di Bartolomeo é pragmática: os fundos de pensão são altamente regulados e geralmente não podem comprar fundos internacionais ou ativos não registrados no Chile. Portanto, a “escolha de jurisdição” é fundamental. Se ETFs de Bitcoin à vista internacionais não estiverem disponíveis, ETFs ou ETNs locais podem fazer a ponte.
Mesmo assim, o volume será limitado — restrito pelos padrões de custódia, métodos de avaliação, categorias de risco e sistema tributário. Esses detalhes, aparentemente entediantes, são quase sempre os que não aparecem nas manchetes.
O verdadeiro significado por trás dos números
Os US$ 229,6 bilhões em ativos de pensão, mesmo que uma pequena parcela seja alocada ao Bitcoin, representam um fluxo potencial de recursos gigantesco. Uma alocação de 25-50 pontos base por meio de instrumentos locais, ao longo do tempo, pode gerar dezenas de bilhões de dólares. Mas isso também significa que as autoridades regulatórias vão exigir, antes de agir, garantias de segregação de custódia, fontes confiáveis de avaliação e liquidez testada sob pressão.
A posição do Chile sobre stablecoins também reforça a ideia de “infraestrutura regulada”. Análises jurídicas deste ano indicam como a Lei Fintech pode identificar e orientar o uso de stablecoins dentro do sistema formal. Essa abordagem cautelosa reduz o risco de dollarization não regulada, ao mesmo tempo em que mantém o controle monetário.
O que os investidores devem acompanhar
Os catalisadores são simples: diretrizes de custódia bancária, aprovação de reguladores de valores mobiliários para ETFs/ETNs locais, e uma trajetória clara de conformidade.
Por outro lado, os principais riscos incluem: (1) restrições do Banco Central às compras e vendas de BTC no país, (2) impostos punitivos sobre investimentos em BTC, e (3) restrições a stablecoins lastreadas em dólar. Qualquer um desses fatores pode forçar atividades a migrar para o exterior ou para o mercado underground, o que contraria os esforços de aprofundamento e formalização do mercado chileno ao longo dos últimos dez anos.
Já há sinais políticos. O Banco Central publicou dois relatórios sobre CBDCs (2022 e 2024), indicando uma preferência por uma estrutura bem pensada, e não por experimentos grandiosos. A CMF está implementando um plano regulatório para 2025-26, com regras de sistema financeiro aberto a partir de 2024. Essa é a base legal para troca de dados segura e interoperável.
Qual será o primeiro sinal na prática? Acompanhar os pedidos de ETFs ou ETNs de Bitcoin locais, e declarações de bancos de disposição de oferecer serviços de custódia e compra/venda. Di Bartolomeo destaca:
Depois, o movimento nos fundos de pensão. Qualquer expansão na lista de ativos permitidos ou esclarecimento de padrões de avaliação e custódia digital abrirá espaço para pequenas experiências de investimento — especialmente se as ferramentas locais facilitarem o acesso operacional.
Para o varejo e o setor empresarial, incentivos fiscais direcionados ajudarão a experimentar sem obrigatoriedade. Modelos de isenção de pequenas transações — como a discussão nos EUA sobre a isenção de impostos para pequenas quantias — podem ser adotados pelo Chile, permitindo que as pessoas usem Bitcoin para pagar e receber.
Di Bartolomeo também reforça a atenção às políticas de stablecoins:
Conclusão: os bancos são a chave
O futuro das criptomoedas no Chile provavelmente não será decidido em discursos, mas em planilhas, regulações e auditorias. Não é tão glamouroso quanto a declaração de moeda legal de El Salvador, mas esse caminho pode se expandir.
Segundo Di Bartolomeo:
O fator-chave é a participação dos bancos. Se eles começarem a oferecer qualquer serviço relacionado, os fundos de pensão podem seguir, e uma mudança significativa pode acontecer com poucos pontos base. No governo conservador do Chile, as mudanças ocorrerão por meio de instituições, e não por declarações.