Satoshi Nakamoto completou 50 anos, mas quem será realmente essa pessoa misteriosa? O mistério da identidade do fundador do Bitcoin

Em 05 de abril de 2025, há um dia especial: de acordo com registros, teoricamente, o criador do Bitcoin, Satoshi Nakamoto, completará 50 anos. Mas quem exatamente é esse indivíduo? Por que até hoje nunca apareceu publicamente?

Se falarmos da influência do Bitcoin, não há o que discutir — essa moeda digital já reescreveu o cenário financeiro global, atingindo uma nova máxima histórica de mais de 10,9 mil milhões de dólares no início deste ano. Mas, ironicamente, a pessoa que o criou desapareceu completamente após 2011, como se tivesse evaporado no ar.

Satoshi Nakamoto não é apenas uma pessoa, é mais um símbolo lendário

Satoshi Nakamoto apareceu pela primeira vez em 31 de outubro de 2008. Naquele dia, uma pessoa misteriosa, alegando ter 37 anos e morando no Japão, publicou um white paper de 9 páginas com um título simples: 《Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto》. Este documento foi divulgado numa lista de discussão de criptografia, mudando o mundo de imediato.

Este white paper resolveu um problema de longa data das moedas digitais — o problema do gasto duplo. Soluções anteriores de moedas digitais sempre ficaram presas aqui, mas Nakamoto, combinando mecanismos de prova de trabalho e uma rede descentralizada, conseguiu resolver isso de vez.

Em 3 de janeiro de 2009, Nakamoto minerou o primeiro bloco do Bitcoin — o “bloco gênese”. Curiosamente, esse bloco continha uma mensagem: “The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks”. Essa foi a manchete do The Times, sugerindo a motivação de Nakamoto ao criar o Bitcoin: uma rebelião contra o sistema bancário tradicional.

Aquele aniversário guarda um segredo

A data de 5 de abril parece aleatória, mas na verdade não é. Essa data simboliza dois eventos históricos importantes:

Em 5 de abril de 1933, o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, assinou a Ordem Executiva 6102, proibindo os americanos de possuírem ouro. Essa proibição só foi revogada em 1975, quando os americanos recuperaram o direito de possuir ouro.

Nakamoto escolheu seu aniversário como “5 de abril de 1975”. O que isso sugere? Ele vê o Bitcoin como ouro digital, uma reserva de valor que transcende o controle do governo. Isso revela uma inclinação libertária de Nakamoto.

Curiosamente, linguistas analisando o estilo de escrita de Nakamoto descobriram que ele usa inglês britânico (por exemplo, “colour” ao invés de “color”) e frequentemente termina frases com duplo espaço — um hábito da era das máquinas de escrever dos anos 70. Isso indica que ele pode ser muito mais velho do que a idade alegada, possivelmente na faixa dos 60 anos ou mais.

O mistério da riqueza: quanto dinheiro é preciso para desaparecer?

Através da análise de dados da blockchain, pesquisadores estimam que Nakamoto minerou entre 750 mil e 1,1 milhão de bitcoins nos primeiros anos. Com o preço atual em abril de 2025 (~85.000 dólares por bitcoin), essa fortuna equivale a aproximadamente 638 bilhões a 935 bilhões de dólares, colocando-o entre os 20 mais ricos do mundo.

Mas aqui está o mais louco: nenhum desses bitcoins foi movido até hoje.

Desde 2011, todas as carteiras associadas a Nakamoto estão inativas. Ninguém mexeu nesses fundos, ninguém tentou vendê-los, nada aconteceu. E se, algum dia, Nakamoto mover esses ativos? O que aconteceria no mercado? Ninguém ousa imaginar.

Sobre essa “fortuna adormecida”, há várias hipóteses:

  • Nakamoto já morreu
  • Perdeu a chave privada e não consegue mais acessá-los
  • Deixou esses fundos como um presente para a comunidade do Bitcoin
  • Ainda está vivo, mas mantém esses bitcoins inativos para não revelar sua identidade

Quem é essa pessoa? Os cinco principais suspeitos

Como Nakamoto nunca apareceu, só podemos especular. Comunidades de criptografia e criptografia levantaram alguns nomes como os mais prováveis:

Hal Finney (1956-2014)

  • Especialista em criptografia, um dos primeiros apoiadores do Bitcoin
  • Recebeu a primeira transação de Nakamoto
  • Morava na Califórnia, perto de outro suspeito — Dorian Nakamoto
  • Mas, antes de falecer de esclerose lateral amiotrófica em 2014, negou ser Nakamoto

Nick Szabo

  • Cientista da computação, propôs o conceito de “Bitcoin Gold” em 1998
  • Análises linguísticas mostram que seu estilo é surpreendentemente semelhante ao de Nakamoto
  • Seu profundo entendimento de teoria monetária, criptografia e contratos inteligentes combina perfeitamente com o design do Bitcoin
  • Ele nega: “Tenho medo de que vocês me confundam com Nakamoto por causa do meu dox, mas já estou acostumado.”

Adam Back

  • Criador do Hashcash (mencionado na white paper do Bitcoin)
  • Foi um dos primeiros contatos de Nakamoto
  • Possui todo o conhecimento criptográfico necessário
  • Charles Hoskinson, fundador da Cardano, afirmou que Back é um dos candidatos mais prováveis

Peter Todd

  • Desenvolvedor inicial do Bitcoin
  • Em 2024, o documentário da HBO “O Segredo do Bitcoin” apontou para ele
  • Baseado em conversas e comentários técnicos
  • Todd chamou essas acusações de “absurdas” e “tentativas de pegar no pêlo”

Craig Wright

  • Cientista da computação australiano, recentemente afirmou publicamente ser Nakamoto
  • Registrou direitos autorais do white paper do Bitcoin
  • Mas, em março de 2024, o tribunal superior do Reino Unido declarou oficialmente que “Dr. Wright não é o autor do white paper do Bitcoin”
  • O tribunal concluiu que todas as provas apresentadas por ele eram falsificadas

Por que o anonimato é tão importante?

O desaparecimento de Nakamoto não é uma questão de privacidade pessoal, mas sim do núcleo do próprio design do Bitcoin.

Se Nakamoto fosse uma figura pública, como seria? Governos poderiam pressionar, ameaçar ou até prender. Hackers e criminosos poderiam sequestrá-lo. Cada palavra sua seria amplamente interpretada pelo mercado, podendo causar oscilações drásticas no preço. Mais importante, o Bitcoin perderia sua essência de “descentralização” — ele se tornaria “o Bitcoin de Nakamoto”, e não “o Bitcoin de todos”.

O anonimato de Nakamoto representa a filosofia fundamental do Bitcoin: confiar no código e na matemática, e não confiar em indivíduos ou instituições. Essa é a grande diferença do Bitcoin em relação ao sistema financeiro tradicional.

Impacto cultural: de estátuas a tênis

Embora Nakamoto tenha desaparecido, sua lenda só cresce.

Em 2021, uma estátua de bronze de Nakamoto foi erguida em Budapeste, com o rosto feito de material refletivo — simbolizando “todos somos Nakamoto”. Também há uma estátua em Lugano, na Suíça.

Em março de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva criando uma reserva estratégica de Bitcoin. Isso, há pouco mais de uma década, era inimaginável — o Bitcoin saiu do experimento underground para se tornar um ativo nacional.

A marca famosa Vans lançou, em 2022, uma linha de tênis de edição limitada “Nakamoto”. Roupas, bonés e acessórios com o nome de Nakamoto estão por toda parte. Essa figura que desapareceu virou um ícone cultural.

O poder do white paper

A white paper de 2008, com suas 9 páginas, mudou tudo. Não é apenas um documento técnico, mas uma declaração — um manifesto de um sistema financeiro sem bancos, sem poder central, possível de existir.

Esse documento inspirou milhares de desenvolvedores. Plataformas de contratos inteligentes como Ethereum e Solana se basearam nesses princípios. Bancos centrais ao redor do mundo começaram a desenvolver suas próprias moedas digitais.

A influência de Nakamoto transcende tecnologia e finanças, tornando-se uma espécie de espírito — uma busca eterna por liberdade financeira, independência e desconfiança no poder.

Por fim, um mistério sem solução

Quando Nakamoto enviou seu último e-mail ao desenvolvedor principal do Bitcoin, Gavin Andresen, em abril de 2011, ele disse: “Espero que você não me veja mais como uma figura misteriosa por trás das cortinas. A mídia só vai transformar isso na história do pirata.”

Depois disso, desapareceu.

Até hoje, ninguém sabe se ele está vivo ou morto, se é uma pessoa ou um grupo, onde mora ou qual é seu nome. Mas o que ele criou ainda existe, e só fica mais forte — essa é, por si só, a maior das lendas.

E esses 750 mil a 1,1 milhão de bitcoins? Ainda estão lá, adormecidos, esperando por um momento que talvez nunca chegue.

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