A fórmula TIR: como escolher melhor os seus títulos e maximizar a rentabilidade

Por que a TIR muda tudo o que acreditas saber sobre os teus investimentos

Se investiste em obrigações alguma vez, provavelmente olhaste primeiro para o cupão. Um 8% soa melhor do que um 5%, certo? Pois aqui vem a reviravolta: isso poderia ser exatamente o oposto do que deves fazer. A razão tem um nome: a fórmula TIR.

A Taxa Interna de Retorno (TIR) é esse número que ninguém te explica nas finanças básicas, mas que separa os investidores sérios daqueles que perdem dinheiro sem entender porquê. Não é apenas uma percentagem a mais, é a bússola que te mostra a rentabilidade real de uma obrigação descontando absolutamente tudo: cupons, preço de compra, reversão ao nominal.

Entender antes de calcular: o que torna a TIR especial

A TIR não é o mesmo que o cupão. O cupão é o que vês escrito no prospecto. A TIR é o que realmente ganhas.

Quando compras uma obrigação ordinária (o tipo mais comum), três coisas acontecem:

No início: Desembolsas dinheiro para comprá-la. Aqui entra o preço: pode ser a 100€ (à par), a 94€ (abaixo da par) ou a 107€ (sobre a par).

Durante a sua vida: Recebes pagamentos periódicos de juros chamados cupons, geralmente anuais, semestrais ou trimestrais. Estes podem ser fixos, variáveis ou flutuantes. Existem até obrigações cupão zero que não pagam nada durante a sua vida.

No vencimento: Devolvem-te o nominal mais o último cupão. Aqui ocorre a “reversão”: se pagaste 107€ e só recebes 100€, essa diferença é uma perda real que a TIR te mostra.

Por isso a fórmula TIR captura tanto os cupons como o ganho ou perda pelo preço. É a métrica que une tudo.

Os números nunca mentem: TIR vs TIN vs TAE

Para não confundir termos que parecem semelhantes:

O Tipo de Juros Nominal (TIN) é simplesmente a percentagem que acordaste. Se uma obrigação tem TIN de 6%, isso é fixo: 6%.

A Taxa Anual Equivalente (TAE) inclui custos adicionais. Em hipotecas, por exemplo, um TIN de 2% transforma-se em TAE de 3,26% porque inclui comissões e seguros. É o que o Banco de Espanha recomenda para comparar ofertas reais.

O Juro Técnico aparece em seguros e produtos segurados, incluindo custos de cobertura.

A TIR, por outro lado, é a rentabilidade que surge do fluxo de caixa completo: dinheiro que sai, dinheiro que entra, momento em que o faz. É a análise mais profunda.

Como a tua rentabilidade muda consoante onde compres a obrigação

Imagina dois cenários da mesma obrigação:

Obrigações A: Cotiza a 94,5€, cupão anual de 6%, vence em 4 anos. Obrigações B: A mesma obrigação cotiza agora a 107,5€.

Com a fórmula TIR, os resultados surpreendem:

No primeiro caso, comprando abaixo da par, a TIR sobe para 7,62%, superior até ao cupão de 6%. Porquê? Porque além dos cupons, recuperas essa diferença de 5,5€ até chegar a 100€ no vencimento.

No segundo caso, pagando acima da par, a TIR cai para 3,93%, quase metade do cupão anual. O sobrepreço que pagaste transforma-se numa perda garantida quando só recebes 100€ de volta.

Este é o poder real da fórmula de TIR: revela qual investimento é verdadeiramente rentável.

A fórmula TIR explicada sem matemática complexa

A expressão matemática completa considera:

  • P: preço atual da obrigação
  • C: cupons a receber em cada período
  • n: anos até ao vencimento

O cálculo desconta todos os fluxos futuros a uma taxa que iguala o preço pago com o dinheiro recebido. É por isso que calculá-la manualmente é trabalhoso, mas a lógica é clara: que taxa faz equivalentes o teu gasto hoje e os teus ganhos amanhã.

Para a aplicares sem dor de cabeça, existem calculadoras online onde inseres preço, cupão, anos e obténs o resultado instantaneamente.

O que move a TIR para cima ou para baixo

Cupão mais alto = TIR mais alta. Se a obrigação paga 8% em vez de 4%, tudo o resto igual, a tua TIR será maior.

Preço baixo = TIR mais alta. Comprar abaixo da par é como obter um desconto. Essa margem até ao nominal soma-se à tua rentabilidade.

Preço alto = TIR mais baixa. Acima da par significa que pagarás mais do que recuperarás, reduzindo o teu ganho final.

** Obrigações especiais:** Os convertíveis dependem da ação subjacente. Os ligados à inflação variam com a economia. Estes fatores adicionais movem a TIR de formas específicas.

Um caso real que mudou a história: as obrigações gregas

Durante a crise do Grexit, as obrigações gregas a 10 anos cotizavam com uma TIR superior a 19%. Isso não era uma oportunidade, era um alarme. Essa percentagem extremamente alta refletia risco de incumprimento, não rentabilidade saudável.

De facto, sem a intervenção da Zona Euro, a Grécia teria incumprido. Os investidores que viram apenas os 19% de TIR sem avaliar a solvência do emissor teriam perdido tudo.

A lição: a TIR é crítica, mas nunca suficiente. Sempre verifica a qualidade de crédito da obrigação. Uma percentagem alta às vezes esconde perigo, não ganho.

Porque isto importa para a tua carteira

Suponhamos que comparas duas obrigações:

Obrigações A: Cupão 8%, TIR 3,67%. Obrigações B: Cupão 5%, TIR 4,22%.

Se decides apenas olhando para os cupons, compras A. Se usas a TIR, compras B porque é mais rentável realmente. A diferença pode significar milhares de euros ao longo de vários anos.

A fórmula TIR evita-te armadilhas onde os cupons altos escondem preços inflacionados. Mostra-te a verdade numérica: quanto dinheiro realmente ganhas.

Conclusão: a TIR é a tua ferramenta de verdade

A Taxa Interna de Retorno é a métrica que transcende as aparências. Não te deixa enganar por cupons tentadores nem preços que parecem negócios. Sintetiza num único percentagem toda a tua experiência como bonista: o que pagas, o que recebes, quando o recebes.

Usa-a sempre, mas lembra-te que deve acompanhar-se de análise de risco de crédito. Uma obrigação com TIR de 15% que acaba em incumprimento deixa-te a zeros. A fórmula TIR é a tua bússola, mas a análise do emissor é o teu mapa.

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