Como o esquema de Bitcoin de Douver Torres Braga enganou mais de 100.000 investidores—e o que as autoridades acabaram de apreender

Os Números que Contam a História

Mais de 100.000 pessoas perderam as suas poupanças. R$ 1,5 mil milhões em ativos foram apenas congelados pela Polícia Federal brasileira. 139 propriedades adquiridas em menos de dois anos por um único indivíduo. Estes não são apenas estatísticas—são a anatomia de um dos esquemas Ponzi mais elaborados do mundo cripto, orquestrado por Douver Torres Braga através de uma operação chamada Trade Coin Club.

Na terça-feira, as autoridades federais lançaram a Fase 2 da Operação Fantasos, visando propriedades residenciais e comerciais em Rio de Janeiro, Niterói, Petrópolis e Duque de Caxias. Mas esta não foi a primeira fase—em abril, a Fase 1 já recuperou mais R$ 1,6 mil milhões em ativos apreendidos, incluindo iates, veículos de luxo, joias e holdings de criptomoedas.

O Esquema do Fraude: Como Funcionava o Trade Coin Club

A história de Douver Torres Braga é uma aula magistral de como a promessa de disrupção das criptomoedas pode tornar-se uma ferramenta de engano. Antes de lançar o Trade Coin Club em 2016, Braga atuava no setor de equipamentos de áudio automotivo—um mundo completamente diferente. Mas o TCC aproveitou o boom do Bitcoin com uma proposta simples: um algoritmo de negociação supostamente revolucionário que executaria milhares de transações de Bitcoin por segundo, gerando retornos garantidos.

A atratividade era magnética. Os investidores reuniram 82.000 BTC—valendo aproximadamente $290 milhões na altura. Isso equivale a cerca de $290 milhões em capital fresco entrando de vítimas que acreditavam estar a enriquecer através de rendimentos passivos.

Aqui está a realidade: não havia robô de negociação. Não havia transações reais de Bitcoin a gerar lucros. A SEC confirmou posteriormente o que os investigadores suspeitavam: o Trade Coin Club operava como um clássico esquema de pirâmide financeira. Os lucros pagos aos primeiros investidores provinham de dinheiro depositado por membros mais recentes, não de atividades de negociação reais. É o mais antigo golpe do livro, apenas disfarçado na linguagem das criptomoedas.

Segundo investigações da SEC, Braga desviou pessoalmente pelo menos 8.396 bitcoins para contas sob seu controlo. Isso é um roubo sistemático em escala industrial.

De Operador de Pirâmide a Fugitivo do FBI

Em fevereiro de 2024, a operação de Braga começou a desmoronar-se. O FBI rastreou-o até à Suíça, onde foi detido. Posteriormente, foi extraditado para os Estados Unidos e apresentou-se perante o Tribunal Distrital de Seattle, onde se declarou culpado das acusações—uma admissão significativa que efetivamente pôs fim a qualquer defesa legal.

O esquema mais amplo não existia isoladamente. Três outros indivíduos desempenharam papéis de apoio:

  • Joff Paradise: Atuou como diretor do Trade Coin Club nos EUA, ajudando a gerir a base de investidores americanos
  • Keleionalani Taylor: A maior beneficiária do esquema, lucrando substancialmente com as operações fraudulentas
  • Jonathan Tetreault: Promotor baseado em Massachusetts que recrutava ativamente novas vítimas para a pirâmide

O que as Autoridades Encontraram

Durante as buscas de terça-feira, a polícia federal executou mandados de busca em cinco locais diferentes ligados à rede de Braga. Para além do congelamento de ativos de R$ 1,5 mil milhões, as autoridades recuperaram itens de luxo e registros financeiros que documentaram os padrões suspeitos de gastos. O centro comercial e o negócio de vestuário listados entre as propriedades apreendidas indicam como Braga usou negócios aparentemente legítimos para lavar os lucros fraudulentos.

As Implicações Mais Amplas

O colapso do Trade Coin Club serve como um lembrete brutal: por mais sofisticada que seja a tecnologia ou convincente o marketing, esquemas de pirâmide seguem uma espiral de morte previsível. Quando os retornos dependem totalmente do recrutamento de novos investidores, em vez de receitas reais, a inevitabilidade matemática toma conta.

A prisão de Douver Torres Braga e a apreensão de ativos representam uma vitória significativa para as autoridades brasileiras e os órgãos reguladores dos EUA. Mas para os mais de 100.000 investidores que perderam dinheiro, a recuperação continua incerta. A SEC continua a buscar pedidos de restituição, mas as vítimas frequentemente recuperam apenas uma fração do que perderam.

À medida que os mercados de cripto evoluem e surgem novas oportunidades, o caso Trade Coin Club deve ficar na memória de todo investidor—não como um aviso sobre o Bitcoin em si, mas como uma prova de que a psicologia humana continua a ser a vulnerabilidade mais explorável do universo cripto.

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