Hiperinflação: quando a moeda perde valor em questão de horas

Cada economia enfrenta a inflação - é um processo natural, onde os preços dos bens aumentam lentamente. Os estados e os bancos tentam manter esse processo sob controlo. Mas o que acontece quando o controlo se perde? Quando os preços aumentam não apenas alguns por cento ao ano, mas sim dezenas ou centenas de por cento por mês?

O economista Philip Keegan, em seu trabalho, definiu o limiar a partir do qual a inflação normal se transforma em catástrofe. A hiperinflação começa quando os preços dos bens aumentam em mais de 50% durante um mês. Parece matemática pura, mas na verdade significa o colapso do sistema econômico. Na prática, esse aumento não para nesse percentual - ele acelera exponencialmente.

Como isso parece na realidade

Imagine um exemplo simples: um saco de arroz custa 10 dólares. Em um mês, seu preço subiu para 15 dólares. Parece um pequeno salto. Mas no mês seguinte, o preço já é 22,50 dólares. Em seis meses, o saco custa 114 dólares, e em um ano ultrapassa 1000 dólares.

Na fase de verdadeira hiperinflação, os ritmos aceleram radicalmente. Os preços podem mudar ao longo de uma hora, ou até mesmo em poucos minutos. O poder de compra dos cidadãos cai a cada dia. As pessoas deixam de confiar na moeda nacional, as empresas fecham as portas, o desemprego aumenta, e o orçamento do Estado desmorona.

Lições históricas: quando isso já aconteceu

Alemanha: dinheiro em papel como lenha para aquecimento

Após a Primeira Guerra Mundial, a República de Weimar enfrentou um fardo insuportável de dívidas. A Alemanha havia emprestado enormes quantias para a guerra e, em seguida, teve que pagar bilhões em reparações aos vencedores. O governo cometeu erros críticos: abandonou o padrão ouro, começou a imprimir dinheiro sem limitações, tentando comprar moeda estrangeira.

O resultado foi catastrófico. A marca alemã desvalorizou tão rapidamente que as taxas de inflação às vezes ultrapassavam 20% ao dia. A moeda tornou-se mais barata que a madeira - algumas pessoas simplesmente queimavam dinheiro nas lareiras para aquecer. Isso foi um símbolo da completa perda de confiança no sistema monetário.

Venezuela: colapso do estado petrolífero

A Venezuela tinha tudo para prosperar - enormes reservas de petróleo, uma economia desenvolvida do século XX. Mas o excesso de petróleo na década de 1980, combinado com a corrupção crónica e a má gestão, acionou o mecanismo do colapso.

A inflação começou a desacelerar. Em 2014, era de 69%, em 2015 - já 181%. Depois veio a verdadeira hiperinflação: 800% no final de 2016, 4000% em 2017, e no início de 2019 ultrapassou 2,6 milhões de porcento. O bolívar perdeu todo o valor.

Em 2018, o presidente Maduro anunciou a “renovação” da moeda - lançou um novo bolívar soberano a uma taxa de 1 para 100.000 bolívares antigos. Mas isso foi apenas um procedimento cosmético. Como afirmou corretamente o economista Steve Hanke, a redução de zeros não muda nada sem mudanças na política econômica. Os venezuelanos voltaram a buscar qualquer valor estável - incluindo criptomoedas.

Zimbábue: reformas incorretas e colapso da economia

Após a obtenção da independência em 1980, o Zimbábue tinha uma economia estável. Mas em 1991, o presidente Mugabe lançou o programa “reestruturação económica” (ESAP), que é considerado a principal causa do colapso subsequente. As reformas agrárias destruíram a produção agrícola, levando à fome e à crise social.

O dólar zimbabuense começou a cair no final dos anos 1990, e a verdadeira hiperinflação começou nos anos 2000. As taxas foram horríveis: 624% em 2004, 1730% em 2006. Em julho de 2008, o índice oficial atingiu 231 milhões de por cento. De acordo com os cálculos do professor Hanke, em novembro de 2008 a hiperinflação atingiu o pico de 89,7 sextilhões de por cento - isso representa 98% de perda de valor diariamente.

O Zimbábue tornou-se o primeiro país do século XXI a experimentar um nível tão elevado de hiperinflação, e o segundo na história, depois da Hungria, em termos de magnitude da catástrofe. Em 2008, a moeda nacional foi oficialmente abandonada, sendo substituída por dinheiro estrangeiro.

Criptomoedas como alternativa

No contexto do colapso das moedas tradicionais, cada vez mais pessoas estão a prestar atenção ao Bitcoin e a outras criptomoedas. Ao contrário do dinheiro estatal, as criptomoedas não são controladas por sistemas centralizados e governos.

A tecnologia blockchain oferece uma vantagem chave: a emissão de novas moedas segue um cronograma previamente estabelecido e não pode ser alterada por decisões políticas. Cada unidade é única e protegida contra falsificação. É por isso que em países com hiperinflação, como a Venezuela e o Zimbábue, a demanda por criptomoedas cresce exponencialmente.

Alguns bancos centrais (Suécia, Singapura, Canadá, China, EUA) estão seriamente estudando a possibilidade de lançar moedas digitais estatais em blockchain. No entanto, a maioria desses projetos provavelmente não terá o que torna o Bitcoin revolucionário - uma oferta fixa e limitada.

Conclusão

A hiperinflação não é um fenômeno acidental - é o resultado inevitável de erros críticos na política econômica. Perturbações políticas, crise de exportação ou perda de controle sobre a massa monetária podem disparar o gatilho muito rapidamente.

A resposta tradicional dos governos - imprimir mais dinheiro - apenas agrava o problema. Mas há uma curiosa tendência: quando as pessoas perdem a confiança na moeda estatal, elas tentam encontrar alternativas. Isso pode mudar fundamentalmente a atitude global em relação ao dinheiro no futuro.

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