Começando por uma entrevista com Marc Andreessen, fundador da a16z
Recentemente, com o mercado em baixa, tive mais tempo para assistir a entrevistas detalhadas com investidores de destaque. Desta vez, assisti a um podcast com Marc Andreessen, fundador da a16z, onde uma frase me marcou profundamente:
“O maior risco no investimento não é a perda, mas a mediocridade.”
Essa frase parece contraintuitiva, mas quanto mais ouço, mais percebo que ela explica quase toda a lógica subjacente às decisões críticas da a16z na última década.
Marc Andreessen é uma das figuras mais influentes do venture capital no Vale do Silício, atualmente sócio-fundador da Andreessen Horowitz (a16z), responsável pelo seu fundo de crescimento. Ele construiu quase do zero o sistema de investimentos em estágios avançados da a16z, liderando ou participando profundamente de rodadas chave de empresas como Databricks, Stripe, Figma, Coinbase, SpaceX, entre outras dezenas de bilhões ou até centenas de bilhões de dólares.
Nesta entrevista, ele sistematizou a filosofia de crescimento da a16z, sua compreensão de valuation e as atuais perspectivas sobre IA e “tecnologia dura”.
Crescimento contra o consenso: por que a a16z aposta em alta concentração?
Nos últimos dez anos, o investimento em ações de crescimento virou quase uma “corrida de multidões”. Muito capital entrou na tecnologia, com a estratégia dominante de montar ** carteiras altamente diversificadas de 30 a 50 empresas** para capturar o Beta do setor.
Porém, o fundo de crescimento da a16z é marcadamente diferente — posições altamente concentradas, com uma taxa de erro aparentemente muito baixa.
A explicação de Marc é direta:
A distribuição de retornos no setor de tecnologia, na essência, não é uma distribuição normal, mas uma lei de potências extremas.
Em qualquer época, a maior parte dos retornos vem de poucas “empresas de categoria” definidoras. Seja em early stage, growth ou late stage, essa regra se mantém quase inalterada.
Isso leva a uma dura verdade matemática:
Se você, por segurança, investe em várias empresas de segunda ou terceira categoria, seus retornos serão severamente diluídos, resultando em um resultado mediano próximo à média de mercado.
O propósito do venture capital é fornecer Alpha, não replicar índices.
Por isso, a estratégia da a16z não é “espalhar a rede”, mas pescar precisamente:
Eles estudam centenas de empresas por ano, mas só acompanham de perto 20, e só entram realmente em 2 a 3 delas.
Como investir na fase de alta valuation, naquela “empresa” específica?
Uma questão natural:
Quando uma empresa já mostra sinais de “realeza” — geralmente em rodadas D, E ou até pré-IPO —, com valuation altíssimo e muitos concorrentes, por que a a16z ainda consegue investir?
Marc responde: tempo e arbitragem de relações.
Ele acredita que a maioria pensa que investir em crescimento é uma “guerra de cheques”, mas isso é um equívoco. Se você só começa a estudar quando o banco de investimentos envia o material de captação, já virou um aceitador de preço.
A estratégia da a16z é criar uma “carteira sombra” antecipadamente.
Para aquelas empresas que eles veem como potenciais dominantes, eles começam a se envolver de dois a três anos antes do investimento real, ou até mais cedo.
Quando os fundadores nem precisam de dinheiro, a a16z já oferece ajuda:
Indicação de clientes, suporte na contratação, discussões estratégicas — sem cobrar nada.
Esse valor de longo prazo, gratuito, constrói confiança. Quando o momento de financiamento chega, os fundadores tendem a priorizar o parceiro que esteve ao lado deles na jornada, e não um estranho que aparece só para negociar preço.
“O mercado errou na duração”: valuation alto realmente significa alto risco?
Ao falar de empresas como Stripe, Databricks, SpaceX, não há como evitar uma pergunta:
Por que esses valuations podem ser tão altos?
Marc acredita que o problema não é uma insanidade do mercado, mas uma falha sistêmica de longo prazo — desalinhamento de duração.
Análises financeiras tradicionais são excelentes ao prever resultados de 12 a 24 meses, mas, ao lidar com empresas com efeitos de plataforma e rede, o mercado geralmente subestima severamente a duração do crescimento.
Muitos modelos assumem que o crescimento alto desacelera rapidamente, mas na economia digital, algumas empresas podem manter 30% a 40% de crescimento por uma década.
Ele exemplifica com um modelo simplificado:
Empresa A: receita 10x, crescimento anual de 15%, alta competição
Empresa B: receita 50x, crescimento de 40% ao ano, com atributos quase monopolistas
Mesmo que a valuation da B seja reduzida pela metade, desde que o crescimento continue, o retorno a longo prazo será bem superior ao da A.
O risco real não é pagar caro demais, mas comprar errado.
Se errar na escolha, sem crescimento e com valuation comprimido, é um duplo golpe.
IA não é SaaS 2.0, é uma redução de dimensão no modelo de negócio
Sobre IA, a postura de Marc é clara:
Não se trata de mais um ciclo SaaS.
Ele apresenta uma análise central:
Estamos evoluindo de SaaS (Software as a Service) para Service as Software.
No ciclo SaaS, o software é uma ferramenta, consumindo cerca de 5% do orçamento de TI das empresas;
Na era da IA, o software começa a entregar resultados diretamente, substituindo custos de mão de obra.
Isso significa que as empresas enfrentam não mais despesas de TI, mas entre 30% a 50% do orçamento de salários, ampliando o TAM de forma exponencial.
Com isso, a a16z segmenta investimentos em IA em três camadas:
Infraestrutura: poder computacional, dados (como Databricks, CoreWeave)
Modelos: plataformas tecnológicas de poucos vencedores (como OpenAI)
Aplicações: soluções verticais que reformulam workflows (como Cursor)
Marc reforça que a vantagem competitiva na camada de aplicações não é destruída pelos modelos básicos, mas vem de compreensão de fluxo de trabalho + experiência do usuário + acumulação de dados.
Investindo na “vitalidade” dos EUA: do Bitcoin para o Átomo
Além de software e IA, a a16z tem investido massivamente em tecnologia “dura”: espaço, defesa, manufatura. Para Marc, isso é uma consequência inevitável de mudanças de época.
Nos últimos vinte anos, Silicon Valley se concentrou demais em “bits”, enquanto o mundo real acumula problemas de “átomos”: desindustrialização, fragilidade na cadeia de suprimentos de defesa, infraestrutura envelhecida.
SpaceX, Anduril demonstram uma coisa:
Transformar hardware com mentalidade de software gera ganhos de eficiência de escala.
Esses investimentos são de ciclo longo, altos riscos, mas, se bem-sucedidos, criam uma barreira de entrada quase intransponível.
Por que a a16z cancelou o Comitê de Investimentos?
Voltando à frase inicial.
Marc acredita que decisões em grupo tendem a levar à mediocridade.
As oportunidades verdadeiramente inovadoras e fora do consenso muitas vezes são eliminadas por votação sob risco.
Por isso, a a16z adotou o sistema de decisão individual:
Quem lidera o projeto tem toda a responsabilidade de julgar e decidir.
Fracassar é aceitável,
a mediocridade, não.
Marc resume toda a entrevista com uma frase:
“Procure por futuros inevitáveis, aposte pesado neles e mantenha-se por longo prazo. A mediocridade é o maior inimigo.”
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
O maior risco do investimento não é a perda, mas a mediocridade
Começando por uma entrevista com Marc Andreessen, fundador da a16z
Recentemente, com o mercado em baixa, tive mais tempo para assistir a entrevistas detalhadas com investidores de destaque. Desta vez, assisti a um podcast com Marc Andreessen, fundador da a16z, onde uma frase me marcou profundamente:
“O maior risco no investimento não é a perda, mas a mediocridade.”
Essa frase parece contraintuitiva, mas quanto mais ouço, mais percebo que ela explica quase toda a lógica subjacente às decisões críticas da a16z na última década.
Marc Andreessen é uma das figuras mais influentes do venture capital no Vale do Silício, atualmente sócio-fundador da Andreessen Horowitz (a16z), responsável pelo seu fundo de crescimento. Ele construiu quase do zero o sistema de investimentos em estágios avançados da a16z, liderando ou participando profundamente de rodadas chave de empresas como Databricks, Stripe, Figma, Coinbase, SpaceX, entre outras dezenas de bilhões ou até centenas de bilhões de dólares.
Nesta entrevista, ele sistematizou a filosofia de crescimento da a16z, sua compreensão de valuation e as atuais perspectivas sobre IA e “tecnologia dura”.
Crescimento contra o consenso: por que a a16z aposta em alta concentração?
Nos últimos dez anos, o investimento em ações de crescimento virou quase uma “corrida de multidões”. Muito capital entrou na tecnologia, com a estratégia dominante de montar ** carteiras altamente diversificadas de 30 a 50 empresas** para capturar o Beta do setor.
Porém, o fundo de crescimento da a16z é marcadamente diferente — posições altamente concentradas, com uma taxa de erro aparentemente muito baixa.
A explicação de Marc é direta: A distribuição de retornos no setor de tecnologia, na essência, não é uma distribuição normal, mas uma lei de potências extremas.
Em qualquer época, a maior parte dos retornos vem de poucas “empresas de categoria” definidoras. Seja em early stage, growth ou late stage, essa regra se mantém quase inalterada.
Isso leva a uma dura verdade matemática: Se você, por segurança, investe em várias empresas de segunda ou terceira categoria, seus retornos serão severamente diluídos, resultando em um resultado mediano próximo à média de mercado.
O propósito do venture capital é fornecer Alpha, não replicar índices.
Por isso, a estratégia da a16z não é “espalhar a rede”, mas pescar precisamente: Eles estudam centenas de empresas por ano, mas só acompanham de perto 20, e só entram realmente em 2 a 3 delas.
Como investir na fase de alta valuation, naquela “empresa” específica?
Uma questão natural: Quando uma empresa já mostra sinais de “realeza” — geralmente em rodadas D, E ou até pré-IPO —, com valuation altíssimo e muitos concorrentes, por que a a16z ainda consegue investir?
Marc responde: tempo e arbitragem de relações.
Ele acredita que a maioria pensa que investir em crescimento é uma “guerra de cheques”, mas isso é um equívoco. Se você só começa a estudar quando o banco de investimentos envia o material de captação, já virou um aceitador de preço.
A estratégia da a16z é criar uma “carteira sombra” antecipadamente. Para aquelas empresas que eles veem como potenciais dominantes, eles começam a se envolver de dois a três anos antes do investimento real, ou até mais cedo.
Quando os fundadores nem precisam de dinheiro, a a16z já oferece ajuda: Indicação de clientes, suporte na contratação, discussões estratégicas — sem cobrar nada.
Esse valor de longo prazo, gratuito, constrói confiança. Quando o momento de financiamento chega, os fundadores tendem a priorizar o parceiro que esteve ao lado deles na jornada, e não um estranho que aparece só para negociar preço.
“O mercado errou na duração”: valuation alto realmente significa alto risco?
Ao falar de empresas como Stripe, Databricks, SpaceX, não há como evitar uma pergunta: Por que esses valuations podem ser tão altos?
Marc acredita que o problema não é uma insanidade do mercado, mas uma falha sistêmica de longo prazo — desalinhamento de duração.
Análises financeiras tradicionais são excelentes ao prever resultados de 12 a 24 meses, mas, ao lidar com empresas com efeitos de plataforma e rede, o mercado geralmente subestima severamente a duração do crescimento.
Muitos modelos assumem que o crescimento alto desacelera rapidamente, mas na economia digital, algumas empresas podem manter 30% a 40% de crescimento por uma década.
Ele exemplifica com um modelo simplificado:
Mesmo que a valuation da B seja reduzida pela metade, desde que o crescimento continue, o retorno a longo prazo será bem superior ao da A.
O risco real não é pagar caro demais, mas comprar errado. Se errar na escolha, sem crescimento e com valuation comprimido, é um duplo golpe.
IA não é SaaS 2.0, é uma redução de dimensão no modelo de negócio
Sobre IA, a postura de Marc é clara: Não se trata de mais um ciclo SaaS.
Ele apresenta uma análise central: Estamos evoluindo de SaaS (Software as a Service) para Service as Software.
No ciclo SaaS, o software é uma ferramenta, consumindo cerca de 5% do orçamento de TI das empresas; Na era da IA, o software começa a entregar resultados diretamente, substituindo custos de mão de obra.
Isso significa que as empresas enfrentam não mais despesas de TI, mas entre 30% a 50% do orçamento de salários, ampliando o TAM de forma exponencial.
Com isso, a a16z segmenta investimentos em IA em três camadas:
Marc reforça que a vantagem competitiva na camada de aplicações não é destruída pelos modelos básicos, mas vem de compreensão de fluxo de trabalho + experiência do usuário + acumulação de dados.
Investindo na “vitalidade” dos EUA: do Bitcoin para o Átomo
Além de software e IA, a a16z tem investido massivamente em tecnologia “dura”: espaço, defesa, manufatura. Para Marc, isso é uma consequência inevitável de mudanças de época.
Nos últimos vinte anos, Silicon Valley se concentrou demais em “bits”, enquanto o mundo real acumula problemas de “átomos”: desindustrialização, fragilidade na cadeia de suprimentos de defesa, infraestrutura envelhecida.
SpaceX, Anduril demonstram uma coisa: Transformar hardware com mentalidade de software gera ganhos de eficiência de escala.
Esses investimentos são de ciclo longo, altos riscos, mas, se bem-sucedidos, criam uma barreira de entrada quase intransponível.
Por que a a16z cancelou o Comitê de Investimentos?
Voltando à frase inicial.
Marc acredita que decisões em grupo tendem a levar à mediocridade. As oportunidades verdadeiramente inovadoras e fora do consenso muitas vezes são eliminadas por votação sob risco.
Por isso, a a16z adotou o sistema de decisão individual: Quem lidera o projeto tem toda a responsabilidade de julgar e decidir.
Fracassar é aceitável, a mediocridade, não.
Marc resume toda a entrevista com uma frase: “Procure por futuros inevitáveis, aposte pesado neles e mantenha-se por longo prazo. A mediocridade é o maior inimigo.”