Recentemente, esta rodada de turbulências geopolíticas realmente deixou o mercado um pouco confuso. A trajetória de quarta-feira foi uma reversão de mercado digna de livro didático — de manhã ainda comemorando o acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã, e à tarde sendo brutalmente desmentida pela realidade.



Falando nisso, é bastante surreal. Os dois lados concordaram em um cessar-fogo de duas semanas, e o mercado respirou aliviado, o índice de pânico VIX caiu 18%, e o petróleo também despencou mais de 12%. Mas esse otimismo não durou nem 24 horas, e o Irã anunciou o fechamento do estreito de Hormuz para navios de petróleo, completamente revertendo as expectativas anteriores. O presidente do parlamento iraniano, Ali Larijani, acusou diretamente os EUA de violar três cláusulas-chave no primeiro dia de cessar-fogo, dizendo que, nessas condições, não há sentido em negociar.

A contradição central está aqui — os EUA apresentaram uma “proposta de 15 pontos”, mas o Irã inicialmente propôs uma “estrutura de 10 pontos”. O porta-voz da Casa Branca, Judd Deere, foi direto ao afirmar que a sugestão inicial de 10 pontos do Irã era inaceitável e já foi descartada. A linha vermelha dos EUA é clara: limitar o alcance dos mísseis balísticos do Irã e parar completamente as atividades de enriquecimento de urânio. Trump foi ainda mais direto, ameaçando que qualquer país que forneça armas ao Irã terá seus produtos vendidos aos EUA imediatamente sujeitos a uma tarifa de 50%.

Curiosamente, essa incerteza estimulou o mercado de ações. Na quarta-feira, as bolsas europeias e americanas subiram forte, o Dow Jones avançou 2,85%, o S&P 500 subiu 2,51%, e o Nasdaq cresceu 2,8%. Na Europa, foi ainda mais forte, com o DAX 30 da Alemanha subindo 5,06% e o CAC 40 da França avançando 4,49%. As ações de semicondutores tiveram desempenho especialmente forte, com o índice Philadelphia Semiconductor subindo 6,34%, Intel com alta de 11,42%, e TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) com aumento de 11,8%.

No mercado de títulos, o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos mostra uma taxa de aproximadamente 4,29%, uma queda de 1 ponto base em relação ao dia anterior. Isso reflete uma reprecificação das expectativas de corte de juros. A ata da reunião do Federal Reserve de março revelou que a maioria dos membros acredita que, se os preços do petróleo impactarem o emprego e o consumo, a situação no Irã pode forçar uma política mais acomodatícia. As expectativas do mercado de swaps também mudaram — a probabilidade de corte de juros até o final do ano saltou de quase zero no início desta semana para 60%.

No lado das criptomoedas, também há volatilidade. O Bitcoin está atualmente cotado a US$ 77.73 mil, uma queda de 0,40% nas últimas 24 horas; o Ethereum está a US$ 2,32 mil, com alta de 0,10%. Em comparação com os US$ 71.098 e US$ 2.189 mencionados no texto original, essa recuperação ainda é bastante evidente.

Minha sensação é que o mercado está apostando numa narrativa — assumindo que a situação geopolítica não vá sair do controle, as expectativas de corte de juros vão se reanimar, o que é positivo para ações, títulos e até ativos de criptomoedas. Mas o risco também é claro: se as negociações quebrarem novamente ou o conflito escalar, o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA vai subir novamente, e toda essa cadeia de lógica será quebrada. Atualmente, o mercado está buscando oportunidades nesse jogo de expectativas oscilantes.
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