As ações do consumo novo da China estão prestes a abrir as comportas - Quem beberá o "primeiro gole de sopa"?

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Geração de resumo em curso

Após quase três anos, o mercado A-shares está reabrindo as portas para empresas de consumo.

Recentemente, Wu Qing, presidente da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China, afirmou que será criada uma nova norma de listagem mais precisa e inclusiva na Growth Enterprise Market (GEM), apoiando ativamente empresas inovadoras de alta qualidade nos setores de consumo, serviços modernos e outros. Essa declaração foi amplamente interpretada pelo mercado como um sinal claro de que as IPOs de novas empresas de consumo estão prestes a reabrir.

Desde a implementação da “Nova Política de 27 de agosto de 2023”, o acesso ao mercado para empresas de consumo no A-shares diminuiu, levando muitas a buscar listagem em Hong Kong. Agora, com a reforma da GEM prestes a ser implementada, o mercado aguarda ansiosamente para saber qual será a primeira empresa de consumo a estrear no A-shares.

“Lançar novas normas de listagem é uma resposta às necessidades de transformação da estrutura econômica da China”, afirmou Liu Shengyu, sócio da Gaohe Investment Management. Essencialmente, isso também é um sinal importante de que o mercado de capitais está se ajustando ativamente à “nova estrutura econômica”.

Período de vazio de três anos

Nos últimos três anos, o caminho para IPOs de empresas de consumo no A-shares passou por um período de estagnação.

Desde o aperto regulatório iniciado em 27 de agosto de 2023, o processo de listagem de empresas do setor de consumo no A-shares praticamente parou. Segundo dados não completos, após a implementação da “Nova Política de 27 de agosto”, pelo menos 30 empresas de setores como vestuário, alimentação, moradia e transporte interromperam seus projetos de IPO no A-shares.

Por exemplo, a “Lao Xiang Ji”, considerada uma forte concorrente na disputa pelo título de “primeira marca de fast food chinesa”, retirou sua solicitação de listagem em agosto de 2023, encerrando uma fila de IPO de mais de um ano. Seu concorrente, “Lao Niang Jiu”, também interrompeu a revisão após o cancelamento do patrocinador. Além disso, marcas conhecidas como Bama Tea, Dezhou Braised Chicken, Wolong Food, Xianmei Lai, Ren Yang Yi Tou Niu, Xiang Nian Food, Dongcheng Group tiveram suas tentativas de listagem no A-shares frustradas.

“Naquela época, a inovação tecnológica era a principal tendência, e a listagem de empresas de consumo dava lugar às empresas de tecnologia, o que já era um consenso no círculo de investimentos”, recorda um investidor de private equity que participou do financiamento de várias empresas de consumo.

Liu Shengyu explicou que o crescimento tradicional do consumo está desacelerando, enquanto novas formas de consumo, como marcas nacionais, consumo digital, consumo emocional e consumo de serviços, estão se tornando motores importantes do mercado interno. No entanto, essas empresas geralmente apresentam características de “ativos leves, alto crescimento e lucros instáveis no início”, dificultando o atendimento completo às normas de listagem existentes.

Nesse contexto, o mercado de Hong Kong tornou-se uma opção para muitas empresas de consumo que desejam acessar o mercado de capitais. Segundo dados não completos, após a “Nova Política de 27 de agosto”, pelo menos 40 empresas de consumo, como Snow Group, Laopu Gold, China Resources Beverage, Mingming, entre outras, listaram-se em Hong Kong. Apenas em janeiro de 2026, mais de 10 empresas de consumo tentaram listar-se em Hong Kong, um número claramente superior ao de 2025.

O que é “novo consumo”?

O que é “novo consumo”? O que é “serviços modernos”?

Em 2024, o Ministério do Desenvolvimento e Reforma da China e outros departamentos divulgaram as “Medidas para criar novos cenários de consumo e cultivar novos pontos de crescimento”, que destacam a inovação em setores como alimentação, cultura e turismo, esportes e consumo digital como direções de desenvolvimento.

Segundo Wang Pu, pesquisador-chefe da Hetai Asset, o “Plano Estratégico de Expansão da Demanda Interna (2022-2035)” categoriza os novos cenários de consumo em quatro grandes áreas: primeiro, a integração online e offline, como varejo digital, lojas sem atendente, plataformas de entrega instantânea e sistemas de autoatendimento inteligente; segundo, “Internet + serviços sociais”, incluindo gestão de saúde digital, cultura e turismo digital, estádios esportivos inteligentes e educação online; terceiro, novas formas de economia compartilhada, como carregadores compartilhados, plataformas de troca de bens de luxo, carros compartilhados e escritórios compartilhados; quarto, a economia individual, incluindo lojas de comércio social, transmissões ao vivo de influenciadores, cultura digital leve e serviços de conhecimento de IP pessoal.

De acordo com a Classificação Estatística de Serviços de Modernização do Bureau Nacional de Estatísticas, o setor de serviços modernos inclui oito categorias principais: software de transmissão de informações e serviços de tecnologia da informação, pesquisa e serviços tecnológicos, setor financeiro, logística moderna, comércio moderno, serviços de vida moderna, serviços públicos modernos e serviços de desenvolvimento integrado, destacando-se por seu alto conteúdo tecnológico, alto capital humano e alto valor agregado.

Quem vai liderar o “primeiro gole”?

Liu Shengyu analisa que as novas normas de listagem na GEM podem focar mais no potencial de crescimento de receita e no espaço de mercado das empresas, relaxando requisitos de lucro de curto prazo e valorizando mais indicadores não financeiros, como força da marca, escala de usuários e capacidade de canais, apoiando principalmente empresas de plataforma, de serviços e de fusão de tecnologia de consumo.

Então, quais empresas podem ser as primeiras a representar o novo consumo na GEM? Segundo várias fontes, o mercado aposta em duas categorias principais.

A primeira são empresas que já estão na fila em Hong Kong e também têm base para listar no A-shares. O China Securities estima que a possibilidade de empresas de consumo que migraram para Hong Kong devido às restrições políticas retornarem à GEM será significativamente maior. Empresas com características de “atributos de consumo + capacitação tecnológica + replicação de escala” podem se beneficiar, incluindo novos chás, brinquedos inteligentes, economia de pets, varejo de marcas, varejo comunitário, consumo de conteúdo digital, serviços de saúde de consumo, marcas nacionais e plataformas de consumo com cadeia de suprimentos digitalizada.

Atualmente, mais de 30 empresas de consumo ainda aguardam IPO em Hong Kong, como Yuanji Food, Qian Dama, Junlebao, Nature Hall, Lao Xiang Ji, Banu International, entre outras. Algumas, como Junlebao e Lao Xiang Ji, tentaram listar-se no A-shares, mas não tiveram sucesso.

Especialmente relevantes são as empresas de brinquedos de IP, alinhadas às tendências de “economia IP” e “economia de grãos”, pois geralmente apresentam ativos leves, alta margem de lucro e crescimento explosivo. Desde 2024, empresas como POP MART, TOP TOY e Tongshifu, que representam a economia de IP de brinquedos, têm causado grande impacto no mercado de capitais. Estima-se que a “economia de grãos” atingirá um valor de mercado superior a 300 bilhões de yuans até 2027. Segundo fontes, TOP TOY e Tongshifu já apresentaram documentos em Hong Kong ou estão em processo de auditoria.

Por outro lado, alguns profissionais de bancos de investimento apontam que muitas dessas empresas de consumo que buscam listar-se em Hong Kong adotaram estruturas de red chip. “Desde o início da desmontagem dessas estruturas até o atendimento às condições de declaração no A-shares leva mais de 18 meses, além de um longo ciclo de revisão, então ‘desistir de Hong Kong e voltar ao A’ ainda é uma decisão difícil e importante para muitas empresas.”

A segunda categoria são empresas que já tiveram sucesso em Hong Kong e retornam ao A-shares, como a Laopu Gold, cujo preço das ações subiu mais de 15 vezes após a listagem, e a Snow Group, cujo valor de mercado chegou a ultrapassar HKD 200 bilhões. Analistas acreditam que esse tipo de empresa, com modelos de negócio e potencial de crescimento reconhecidos no mercado externo, ao retornar ao A-shares, terá um efeito demonstrativo significativo, fortalecendo a confiança do mercado no setor de consumo de novas empresas.

“Tendência A+H”

Vários especialistas afirmam que a febre de listagens de novas empresas de consumo em Hong Kong provavelmente continuará.

Chen Wen, chefe de análise de consumo do Instituto de Pesquisa de Wanlian Securities, prevê que no início de 2026, muitas empresas de consumo estarão na fila de IPO em Hong Kong, com destaque para os líderes do setor. Ela acredita que há múltiplos fatores impulsionando essa tendência: primeiro, a entrada de muitos fundos de VC/PE em fases de saída; segundo, a contínua valorização do setor de tecnologia em Hong Kong, que oferece um bom ambiente de financiamento para IPOs de consumo; terceiro, empresas de consumo domésticas expandindo ativamente para mercados internacionais, com listagem em Hong Kong elevando sua visibilidade global.

Uma mudança importante é que cada vez mais empresas de consumo preferem uma estratégia de “A+H”, com presença tanto na China continental quanto em Hong Kong.

Em 3 de fevereiro de 2026, a Dongpeng Beverage, já listada no A-shares, oficialmente entrou na bolsa de Hong Kong, tornando-se a primeira empresa de consumo a realizar uma listagem “A+H” em 2026. O prospecto revelou que a emissão arrecadou cerca de HKD 10,14 bilhões, com investidores de destaque como o Qatar Investment Authority e Temasek, entre outros 15 investidores institucionais.

Com a reforma da GEM se aproximando, uma nova “corrida” por empresas de consumo de alta qualidade para listar-se está se formando silenciosamente. Desta vez, os protagonistas não são mais as tradicionais “comer, vestir, morar e viajar”, mas sim as empresas de “novo consumo” que possuem capacidades digitais, de operação de IP e de inovação de modelos.

Quem será o primeiro a aproveitar essa oportunidade? Resta-nos aguardar.

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