Jefferson Explica o Processo de Desinflação e as Perspetivas Económicas para o Início de 2026

Vice-Presidente do Federal Reserve, Philip N. Jefferson, apresentou uma análise aprofundada sobre a direção da economia e o processo de desinflação em curso, durante um discurso na Florida Atlantic University em janeiro de 2026. Com um tom otimista, porém cauteloso, Jefferson destacou que a economia está no caminho certo para continuar crescendo à medida que a desinflação rumo à meta de 2% de inflação prossegue, apesar de alguns desafios.

Crescimento Econômico Mantém-se Sólido Apesar de Obstáculos Técnicos

Jefferson começou com uma nota positiva sobre as condições econômicas dos EUA no início de 2026. No terceiro trimestre de 2025, o crescimento do PIB atingiu 4,3% ao ano, muito acima do crescimento registrado na primeira metade do mesmo ano. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pelo forte consumo e por oscilações positivas nas exportações líquidas. Os investimentos empresariais mostraram crescimento estável, embora os investimentos em habitação ainda não tenham contribuído significativamente.

Apesar de um crescimento saudável, a economia enfrentou obstáculos técnicos no quarto trimestre de 2025 devido ao encerramento do governo. Apesar dessa interrupção temporária, Jefferson projeta que a economia continuará crescendo a uma taxa firme de cerca de 2% em breve, refletindo seus fundamentos sólidos.

Mercado de Trabalho Mostra Sinais de Arrefecimento

A condição do mercado de trabalho é uma área que requer atenção na análise de Jefferson. O crescimento do emprego em 2025 desacelerou em relação ao ano anterior. Em novembro e dezembro de 2025, os empregadores adicionaram cerca de 50 mil empregos não agrícolas por mês — um número bem abaixo da tendência histórica.

A taxa de desemprego ao final de 2025 atingiu 4,4%, um pouco acima dos 4,1% do final de 2024. Essa desaceleração reflete, em parte, uma menor expansão da força de trabalho devido a fatores como imigração e redução na participação da força de trabalho. Contudo, a demanda por trabalhadores também enfraqueceu. A relação entre vagas de emprego e desempregados caiu para 0,9 em novembro de 2025, bem abaixo do período de recuperação pós-pandemia, indicando um mercado mais equilibrado. Nesse contexto, Jefferson reconhece que o risco de aumento do desemprego aumentou, embora a projeção básica continue a indicar uma taxa de desemprego estável ao longo do ano.

Inflação Lenta a Diminuir: Pressões de Preços de Bens Equilibram Queda nos Serviços

O aspecto mais complexo na análise de Jefferson é a dinâmica do processo de desinflação. Dados recentes mostram que a inflação ao consumidor (CPI) em dezembro de 2025 subiu 2,7% ao ano — igual a novembro — enquanto a inflação subjacente (Core CPI) permaneceu em 2,6%. Apesar de ambos os indicadores terem caído bastante desde o pico de meados de 2022, o ritmo de desinflação desacelerou significativamente no último ano.

Ao analisar os componentes do Core CPI, obtém-se uma visão importante sobre a complexidade do processo atual. A inflação de serviços — especialmente aluguel residencial e outros serviços não energéticos — continua a diminuir de forma significativa, alinhando-se ao retorno à meta de 2%. No entanto, essa redução nos serviços é compensada por um aumento na inflação de preços de bens essenciais.

Após um aumento muito forte durante a pandemia, a inflação de bens caiu drasticamente, chegando a níveis pré-pandemia em 2023. Contudo, a dinâmica da desinflação mudou em 2025, quando a inflação de bens essenciais subiu de forma significativa, atingindo 1,4% ao ano em dezembro de 2025. Jefferson admite que esse aumento é, pelo menos em parte, resultado de tarifas de importação mais altas, que foram repassadas aos preços de alguns bens de consumo.

Ainda assim, Jefferson mantém o otimismo de que a desinflação continuará a avançar rumo à meta de 2%. O cenário básico considerado é que o impacto das tarifas na inflação seja apenas temporário, afetando os preços de forma pontual, e não uma mudança permanente na tendência inflacionária. Com a redução das expectativas de inflação de curto prazo do pico do ano passado, e a maioria dos indicadores de expectativas de longo prazo permanecendo alinhados com a meta de 2%, os fundamentos para uma desinflação contínua permanecem sólidos.

Equilíbrio de Riscos Mantém a Política de Taxa de Juros Estável

Na análise das implicações da política monetária, Jefferson explica que o aumento dos riscos de desaceleração do mercado de trabalho no ano passado levou a uma mudança no balanço de riscos considerado pelo Federal Reserve. Como resposta, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) reduziu a taxa de juros básica em 1,75 pontos-base desde meados de 2024. Segundo Jefferson, essas ações colocaram a taxa de juros dos fundos federais em uma faixa compatível com uma taxa neutra — ou seja, que não estimula nem restringe a atividade econômica.

No cenário atual, Jefferson indica claramente que não há necessidade de ajustes adicionais na próxima reunião de política, em curto prazo. A posição atual permite ao Federal Reserve tomar decisões sobre mudanças na taxa e o momento dessas alterações com base nos dados futuros, perspectivas em evolução e uma avaliação dinâmica dos riscos.

Gestão de Balanço e Operações de Repo: Medidas Técnicas para Estabilidade do Mercado Monetário

A atenção de Jefferson se volta então para aspectos técnicos na implementação da política monetária. Desde janeiro de 2019, o Federal Reserve adotou uma estrutura de operação de reservas adequadas, que define as operações como um sistema de controle da taxa de juros dos fundos federais por meio da fixação da taxa de juros básica, sem necessidade de gerenciar ativamente a oferta de reservas. A principal vantagem dessa estrutura é sua eficácia em controlar a taxa de juros em diferentes condições econômicas.

Até dezembro de 2025, o Fed concluiu o processo de redução do seu balanço iniciado em meados de 2022, diminuindo sua carteira de títulos em cerca de 2,2 trilhões de dólares. Com a redução do balanço, as reservas no sistema bancário caíram de níveis excessivos, em torno de 3,5 trilhões de dólares, para níveis adequados. Essa mudança criou uma nova dinâmica no mercado monetário, com as taxas de repo começando a mostrar maior volatilidade, especialmente em dias de pagamento de impostos.

Reconhecendo essa dinâmica, o Federal Reserve iniciou, em dezembro de 2025, compras de gerenciamento de reservas (RPM) — uma ferramenta técnica importante para manter as reservas em níveis adequados e garantir o controle eficaz das taxas de juros. É importante destacar que as RPM não são uma flexibilização quantitativa (QE). A QE é uma ferramenta de estímulo usada quando a taxa de juros dos fundos federais atinge o limite inferior efetivo, com o objetivo de reduzir as taxas de longo prazo. Já as compras de gerenciamento de reservas envolvem a aquisição de títulos do Tesouro de curto prazo, com o objetivo de manter a duração média da carteira do Fed, ajudando na implementação da política de juros de curto prazo sem alterar as condições financeiras mais amplas.

Jefferson explica que as RPM serão aceleradas nos primeiros meses para aliviar possíveis pressões de curto prazo no mercado monetário, e depois sua velocidade será ajustada conforme a demanda por reservas. O tamanho final do balanço do Fed será definido pela demanda do mercado por seus títulos sob o regime de reservas adequadas.

Além disso, as operações de repo permanentes (SRP) desempenham papel importante ao estabelecer um teto para as taxas do mercado monetário. Em dezembro de 2025, o Fed eliminou o limite total das SRP, permitindo maior flexibilidade conforme as condições de mercado. Essa medida se mostrou eficaz no final de 2025, quando grandes liquidações de títulos do Tesouro pressionaram significativamente as taxas de repo, levando ao aumento do uso das SRP para manter a estabilidade.

Perspectivas Futuras: Otimismo Cauteloso

Para concluir, Jefferson reafirma seu otimismo cauteloso quanto ao rumo da economia. Reconhecendo que ambos os lados do duplo mandato do Fed — máximo emprego e estabilidade de preços — enfrentam riscos, Jefferson compromete-se a monitorar cuidadosamente os dados futuros. A desinflação em andamento, embora mais lenta, permanece alinhada com a meta de 2%, especialmente sob a suposição de que o impacto das tarifas seja temporário.

A capacidade do Federal Reserve de implementar suas decisões de política monetária de forma eficiente e sem contratempos é fundamental para alcançar seu mandato. Medidas técnicas como as compras de gerenciamento de reservas e as operações de repo permanentes estão bem posicionadas para apoiar esse objetivo. Com uma análise cuidadosa dos dados, avaliação dinâmica dos riscos e instrumentos operacionais flexíveis, Jefferson demonstra que o Federal Reserve está preparado para enfrentar a complexidade econômica e os desafios do processo de desinflação nos próximos anos.

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