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A Mudança Climática de Março do Brasil Transforma a Dinâmica do Mercado de Café em Meio às Pressões de Oferta
O excesso de humidade nas principais regiões produtoras de café do Brasil está a moldar fundamentalmente as expectativas do mercado para a colheita de 2026. À medida que as chuvas tropicais continuam acima dos níveis históricos, os padrões climáticos no Brasil estão a provocar ajustes significativos nos cálculos de oferta global de café. As reações divergentes do mercado — com os contratos de arábica mostrando uma resiliência modesta enquanto o robusta enfrenta quedas mais acentuadas — refletem pressões complexas resultantes das dinâmicas de oferta impulsionadas pelo clima.
Chuvas tropicais reconfiguram perspetivas de produção de arábica
A região de Minas Gerais, o centro de produção de arábica mais importante do Brasil, registou precipitação 117% acima do normal na semana até 30 de janeiro, recebendo 69,8 mm, de acordo com a Somar Meteorologia. Este padrão de chuvas incomumente intensas reforça as perspetivas de maiores rendimentos durante a temporada 2025/26, alterando os cálculos do mercado para uma abundância em vez de escassez. A agência oficial de produção do Brasil, a Conab, já incorporou estas condições nas suas previsões, elevando a sua estimativa de colheita de 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, acima dos 55,20 milhões de sacos anteriormente previstos.
Estas perspetivas de produção abundante estão a pesar fortemente nos preços futuros do arábica, embora o suporte de curto prazo tenha surgido com a recuperação dos preços após mínimos de cinco meses. A forte pressão de baixa devido às previsões ampliadas de oferta continua a superar os repiques técnicos temporários, estabelecendo um cenário persistentemente desafiante para a estabilidade dos preços.
Excesso de oferta global intensifica obstáculos de mercado
As exportações de café do Vietname aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas em 2025, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname, reforçando a posição dominante do maior produtor de robusta do mundo. Para a temporada 2025/26, a produção do Vietname está projetada para subir 6%, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas (29,4 milhões de sacos), podendo atingir um máximo de quatro anos se o clima favorável persistir, afirmou a Associação de Café e Cacau do Vietname a 24 de outubro.
Este impulso de exportação do Sudeste Asiático adiciona uma pressão baixista significativa, juntamente com a expansão das stocks no Brasil. Os inventários na ICE refletem uma situação semelhante de stocks crescentes: os inventários de arábica recuperaram de um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos a 20 de novembro, para 461.829 sacos a 14 de janeiro, enquanto os stocks de robusta subiram de um mínimo de um ano, de 4.012 lotes em dezembro, para 4.609 lotes em meados de janeiro. Os níveis crescentes de inventário continuam a exercer pressão descendente sobre ambas as variedades de café.
Dinâmica de exportação do Brasil contraria o excesso global
Apesar dos ganhos de produção, as exportações de café verde do Brasil diminuíram 18,4% em relação ao mês anterior, para 2,86 milhões de sacos em dezembro, segundo a Cecafe. As remessas de arábica caíram 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos, enquanto as exportações de robusta despencaram 61%, para apenas 222.147 sacos. Esta fraqueza nas exportações proporciona uma estabilização temporária dos preços, embora reflita uma redução no momentum de venda de curto prazo, e não um aperto fundamental na oferta.
A Organização Internacional do Café informou a 7 de novembro que as exportações mundiais de café para o ano de comercialização atual caíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção global de café para 2025/26 atingirá 178,848 milhões de sacos (um recorde), refletindo um aumento de 10,9% na produção de robusta, para 83,333 milhões de sacos, compensando uma redução de 4,7% na produção de arábica, para 95,515 milhões de sacos.
Olhando para o futuro, o desequilíbrio fundamental entre os ganhos de produção no Brasil e a desaceleração das exportações, aliado ao forte ritmo de produção do Vietname, posiciona os mercados de café dentro de um quadro de baixa persistente. Os padrões climáticos no Brasil até março continuarão a determinar se as atuais projeções de rendimento se concretizam, embora o panorama global de oferta já indique uma abundância bem avançada até 2026.