Por que na antiga China os atores eram considerados da classe mais baixa? Essencialmente, não se trata de uma simples discriminação profissional, mas sim de uma lógica profunda de controle social exercida pelo poder imperial feudal: todos os recursos e caminhos de sobrevivência devem estar “sob controle”, firmemente nas mãos do governo. Quaisquer grupos capazes de escapar do sistema, buscar sua própria subsistência, geralmente sofrem repressão e desprezo. Os atores são exatamente esse tipo de pessoa, que não dependem de terras, não dependem de autoridades, e podem obter renda apenas com habilidades e performances, além de serem altamente móveis, difíceis de serem integrados ao sistema de registro de residência e tributação, e ainda podem influenciar as pessoas por meio de suas obras, tocando nos limites mais sensíveis do poder. Semelhantes a eles são residentes flutuantes, comerciantes, aventureiros e artesãos, todos com uma capacidade de sobrevivência relativamente independente, por isso seus status são deliberadamente baixos no sistema. Em contrapartida, grupos que dependem totalmente do fornecimento do governo e de caminhos institucionais, como soldados rurais, estudiosos e agricultores, são mais facilmente integrados ao sistema de dominação. Assim, fica claro que a “baixa” condição dos atores não se deve à falta de habilidade ou valor, mas sim ao fato de serem excessivamente “independentes”, e essa independência é justamente o que o poder feudal mais reluta em aceitar.

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