Acabei de ver uma análise aprofundada sobre stablecoins publicada pela Dune, os dados são bastante interessantes. Antes, sabíamos que o mercado de stablecoins ultrapassava 300 bilhões de dólares, mas na verdade pouco conhecíamos sobre a situação real desse mercado.



Primeiro, a variação na oferta. Até janeiro, a oferta totalmente diluída das 15 principais stablecoins atingiu 304 bilhões de dólares, um aumento de 49% em relação ao ano passado. USDT e USDC continuam dominando, com 189,69 bilhões de dólares e 77,52 bilhões de dólares, respectivamente, representando juntos 89% do mercado. Mas o que chama atenção são os challengers em 2025. USDS cresceu 376%, chegando a 11,49 bilhões de dólares; PayPal’s PYUSD cresceu 753%, atingindo 3,44 bilhões de dólares; Ripple’s RLUSD teve um crescimento impressionante de 1803%. Esses novos entrantes, embora ainda menores em escala, estão mudando o cenário de crescimento do mercado.

Quanto à distribuição por blockchain, a Ethereum ainda é o principal campo de batalha, com 58% da oferta. Tron responde por 28%, e Solana apenas 5%. Curiosamente, essa distribuição permaneceu praticamente inalterada no último ano, indicando que a movimentação cross-chain de stablecoins não é tão intensa quanto se imagina.

Vamos ver quem detém essas stablecoins. Exchanges centralizadas possuem 80 bilhões de dólares, sendo o maior grupo de detentores. Carteiras de grandes investidores detêm 39 bilhões de dólares. Protocolos de rendimento DeFi quase dobraram suas posições, chegando a 9,3 bilhões de dólares, refletindo o crescimento das estratégias de yield farming na cadeia. Carteiras e contratos emissores cresceram 4,6 vezes, de 2,2 bilhões para 10,2 bilhões de dólares, indicando a entrada de novas stablecoins no mercado.

Um ponto importante: 172 milhões de endereços possuem essas 15 stablecoins, parecendo bastante dispersos. Mas, ao aprofundar a análise, fica claro que a distribuição de USDT, USDC e DAI é bastante ampla, com os 10 maiores endereços detendo apenas 23-26% da oferta. Por outro lado, para outras stablecoins, a concentração é extrema — USDS, por exemplo, tem 90% de sua oferta nos 10 maiores endereços; USDF, 99%; USD0, também 99%, indicando uma concentração muito maior. Isso mostra que a forma de interpretar os dados dessas stablecoins emergentes precisa ser completamente diferente.

Os dados de volume de transações de janeiro são ainda mais impressionantes. As transferências nas três principais blockchains atingiram 10,3 trilhões de dólares, mais que o dobro do mesmo período do ano passado. Curiosamente, apesar de a base de stablecoins na rede Base ser de apenas 4,4 bilhões de dólares, ela gerou um volume de 5,9 trilhões de dólares — o que indica uma liquidez extremamente ativa na rede Base. Na Ethereum, o volume foi de 2,4 trilhões; na Tron, 682 bilhões; e na Solana, 544 bilhões de dólares.

Por moeda, USDC atingiu 8,3 trilhões de dólares em transferências, quase cinco vezes o volume de USDT, que foi de 1,7 trilhão, apesar de sua oferta ser apenas um terço da USDC. Isso mostra que USDC tem uma liquidez e atividade muito maiores na cadeia. DAI movimentou 138 bilhões, USDS 92 bilhões, e USD1 43 bilhões.

O que é ainda mais interessante é a categorização do uso dessas transferências. Liquidez em DEX e negociações de mercado representam 5,9 trilhões de dólares — o maior uso, refletindo o papel central das stablecoins como instrumentos de market making e fornecimento de liquidez. Empréstimos instantâneos (flash loans) atingiram 1,3 trilhão, envolvendo arbitragem automatizada e ciclos de liquidação. Atividades tradicionais de empréstimo totalizaram 137 bilhões. Fluxo de entrada e saída em exchanges centralizadas foi de 599 bilhões. As operações de mint, burn e reequilíbrio dos emissores somaram 1,06 trilhão de dólares, um aumento de 150% em relação ao ano anterior, que foi de 420 bilhões.

Outro indicador que merece atenção é a velocidade de circulação — a relação entre volume de transferências e oferta, que mostra o quão ativas são as stablecoins como meio de troca. USDC na rede Base atinge uma velocidade diária de 14 vezes, um número surpreendente. Na Solana e Polygon, fica em torno de 1 vez. USDT na Binance Smart Chain (BNB Chain) tem uma velocidade de 1,4 vezes, e na Tron, 0,3 vezes, indicando estabilidade na movimentação, o que reforça Tron como principal canal de pagamentos transfronteiriços.

USDe e USDS têm velocidades de circulação mais baixas, mas isso é uma característica de design. Ambos são stablecoins que geram rendimento, com grande parte de sua oferta bloqueada em protocolos de yield, portanto, uma baixa velocidade não é uma falha, mas uma característica.

O mais fascinante é que a mesma stablecoin tem usos completamente diferentes em blockchains distintas. PayPal USD na Solana tem uma velocidade de 0,6 vezes, enquanto na Ethereum é apenas 0,1 — uma diferença de seis vezes, mostrando que o ecossistema é o fator decisivo.

Esses dados abrangem mais de 200 stablecoins, não apenas as de dólar. Stablecoins em euro, por exemplo, somam 17 tokens, com uma oferta total de 9,9 milhões de dólares. Há também stablecoins de real brasileiro, iene, naira nigeriana, xelim queniano, entre outros, totalizando 12 milhões de dólares. A infraestrutura dessas stablecoins de mercados emergentes está sendo construída na cadeia, com exemplos como 420 dólares trocados por naira — uma taxa que se tornará cada vez mais relevante nesses ecossistemas locais.

No geral, esse conjunto de dados oferece uma granularidade muito maior do que qualquer análise anterior. Cada transferência é categorizada por tipo de atividade, cada carteira tem uma identificação de seu proprietário. Essa abordagem é a que realmente responde à questão de "como as stablecoins são usadas". Com 90% do volume de transferências classificado por atividade, podemos entender melhor o papel real das stablecoins na pilha de tecnologia blockchain — não apenas como objetos de troca, mas como infraestrutura de liquidez, ferramentas de eficiência de capital e pontes entre blockchains.
USDC-0,01%
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