Você presenciou um fenômeno interessante no mercado coreano no início do ano passado. O KOSPI subiu de forma descontrolada por 34 dias, de 5000 para 6000 pontos, mas quando houve uma tensão geopolítica no Oriente Médio, o mercado caiu drasticamente em apenas dois dias, levando a várias interrupções nas negociações, caindo de 6244 para 5440 pontos, aproximadamente 13%, a maior queda desde 2008.



A principal causa foi a combinação de vários fatores. O mercado coreano cresceu metade devido a duas ações: Samsung e SK Hynix. Ambas são fabricantes de HBM ou memória de alta largura de banda, componentes essenciais para chips de IA que a NVIDIA deseja. Essas duas empresas controlam juntas mais de 80% da capacidade de produção global, tornando o mercado de ações coreano uma aposta direta em chips de IA.

Porém, essa é uma fraqueza. Chips HBM requerem muita energia para serem produzidos. A Coreia do Sul não produz gás natural nem carvão, precisando importá-los totalmente. Cerca de 27% da energia vem dessas fontes, e a Coreia é o terceiro maior importador de gás natural liquefeito do mundo. A maior parte do gás passa pelo estreito de Hormuz, com apenas 33 quilômetros de largura.

No início de março do ano passado, o conflito entre os EUA e o Irã aumentou a tensão. O Irã ameaçou fechar o estreito, fazendo os preços do petróleo e do gás natural dispararem imediatamente. A Europa viu um aumento de quase 50%, a Ásia quase 40%, e os investidores entraram em pânico.

O mercado coreano fechou no dia 31 de março, enquanto outros mercados já haviam vendido tudo. Quando as negociações reabriram na terça-feira, a volatilidade de três dias foi condensada em velas vermelhas. Samsung caiu quase 10%, SK Hynix caiu 11,5%. Na quarta-feira, a queda foi ainda mais forte. Ao mesmo tempo, empresas que se beneficiam da tensão, como Hanwha Aerospace e LIG NEX1, que produzem armas e sistemas de defesa, subiram cerca de 20-30%. O mercado se dividiu em dois lados.

O que fica claro é que investidores estrangeiros retiraram-se rapidamente. Em um dia, venderam por 6,8 trilhões de won, o maior valor da história. No dia seguinte, venderam mais 5,1 trilhões de won. Em dois dias, foram cerca de 8,5 bilhões de dólares, metade do fluxo de entrada nas seis semanas anteriores. Quase tudo desapareceu. Os investidores locais entraram na jogada, comprando na baixa, mas não conseguiram impedir a forte saída de estrangeiros.

A lição é que mercados que sobem rapidamente, 75% em um ano, frequentemente escondem riscos. Ainda existe o chamado "desconto coreano". Mesmo com o novo presidente tentando resolver os problemas de gestão, há questões mais profundas. O mercado depende de apenas duas ações, a energia depende de importações, e essas importações dependem do estreito que pode ser fechado a qualquer momento.

As bases da SK Hynix e Samsung permanecem sólidas. A demanda por processamento de IA é real. Os pedidos da NVIDIA não desapareceram. Mas a lição mais importante é que a alta é baseada em fundamentos, enquanto a queda é impulsionada pelo sentimento. Os fundamentos se movem lentamente, mas o sentimento se move muito rápido. Uma alta de 34 dias pode cair pela metade em apenas dois dias. Quem compra ações coreanas deve entender que o mercado é uma questão de números, mas também de um mundo externo que está em constante mudança.
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