Acabei de ver dados interessantes da Dune sobre stablecoin que despertam a curiosidade. Até agora, ouvimos frequentemente que a oferta de stablecoins já ultrapassou 300 bilhões de dólares, mas quão profundamente realmente entendemos esses ativos? Quem são os detentores, como está a distribuição, e o mais importante—para que esses stablecoins realmente são usados?



Se olharmos para o panorama de oferta mais recente (dados de abril de 2026), o total de circulação das 15 principais stablecoins na EVM, Solana e Tron atinge cerca de 304 bilhões de dólares. USDT ainda lidera com uma oferta de aproximadamente 189 bilhões de dólares, seguido pelo USDC com 77 bilhões de dólares. Esses dois tokens controlam 89% do mercado total de stablecoins. Mas o que é interessante, abaixo desses dois gigantes, 2025 foi um ano de desafiante. USDS do Sky Ecosystem/MakerDAO explodiu 376%, PYUSD do PayPal subiu 753%, e RLUSD da Ripple saltou até 1.803% do valor inicial muito pequeno. Isso indica que o mercado de stablecoins está começando a diversificar.

Do lado das blockchains, Ethereum ainda domina com 176 bilhões de dólares (58% do total), Tron traz 84 bilhões, Solana 15 bilhões, e BNB Chain 13 bilhões. Essa distribuição permanece relativamente estável ao longo do último ano.

Agora, mais a fundo—quem realmente guarda esses stablecoins? Dados da Dune mostram que as exchanges centralizadas (bursa terpusat) são os maiores detentores, com 80 bilhões de dólares, um aumento de 58 bilhões em relação ao ano anterior. Carteiras de baleia guardam 39 bilhões, enquanto protocolos de yield farming armazenam 9,3 bilhões (quase o dobro). O que é interessante, os endereços de emissores (issuer addresses) aumentaram 4,6 vezes, chegando a 10,2 bilhões de dólares, refletindo diretamente a entrada de nova oferta no mercado.

Existem 172 milhões de endereços únicos que possuem pelo menos um dos 15 stablecoins. USDT está presente em 136 milhões de endereços, USDC em 36 milhões. Mas aqui há uma reviravolta—a concentração de propriedade varia bastante dependendo do token. Para USDT e USDC, os 10 maiores wallets detêm apenas 23-26% da oferta, com índice HHI abaixo de 0,03 (muito distribuído). Mas para stablecoins desafiantes como USDS, os 10 maiores wallets detêm 90% da oferta (HHI 0,48), e USD0 é extremo, com os 10 maiores wallets controlando 99% (HHI 0,84). Isso é importante porque mostra que a interpretação dos dados de oferta deve variar para cada token.

Se olharmos do lado das transações, dados de janeiro de 2026 indicam que o volume de transferências de stablecoins atingiu 10,3 trilhões de dólares—mais do que o dobro do ano anterior. Mas a distribuição desse volume difere bastante da distribuição de oferta. Por exemplo, na cadeia base, o volume de transações foi de 5,9 trilhões de dólares, enquanto a oferta é de apenas 4,4 bilhões. Ethereum registrou 2,4 trilhões, Tron 682 bilhões, Solana 544 bilhões.

Em termos de tokens, USDC domina com um volume de 8,3 trilhões de dólares—quase cinco vezes mais que USDT, apesar de sua oferta ser 2,7 vezes menor. Isso mostra que USDC circula muito mais rápido e é usado de forma mais ativa.

O mais interessante é a divisão do uso de stablecoins. Segundo dados da Dune, 5,9 trilhões de dólares foram usados para provisionamento de liquidez em DEX—esse é o maior caso de uso. Isso significa que os stablecoins funcionam principalmente como infraestrutura para market making on-chain. A atividade de swaps em DEX foi de 376 bilhões de dólares. Em operações de flash loans, alcançaram 1,3 trilhão (arbitragem e ciclos de liquidação). Atividades de empréstimo totalizaram 137 bilhões. Fluxos de CEX (depósitos, saques, transferências internas) somaram 599 bilhões. Fluxos de pontes cross-chain atingiram 28 bilhões. Operações de emissor (minting, burning, rebalancing) quase quintuplicaram, chegando a 106 bilhões.

Quanto à velocidade de circulação (velocity), USDC é o mais rápido em Layer 2 e Solana—no Base, chega a 14x a rotatividade diária, um número impressionante considerando sua oferta relativamente pequena. USDT é mais ativo na BNB e Tron, com rotatividade diária de 1,4x e 0,3x, respectivamente. Mas na Ethereum, USDT tem apenas 0,2x—oferta grande, mas a maior parte inativa. USDe e USDS têm uma velocidade menor, pois foram projetados como stablecoins que geram yield, com a maior parte de sua oferta bloqueada em contratos de yield ou protocolos de empréstimo.

O que muitas vezes é negligenciado é que a blockchain subjacente é mais importante do que o próprio token. PYUSD, por exemplo, na Solana tem uma rotatividade diária de 0,6x, quatro vezes mais rápido do que na Ethereum (0,1x). O mesmo token, mas o padrão de uso é completamente diferente dependendo do ecossistema.

Além do dólar, os dados da Dune também rastreiam mais de 200 stablecoins que representam mais de 20 moedas fiduciárias. Stablecoins em euro existem em 17 tokens, com uma oferta de 990 milhões de dólares, real brasileiro com 141 milhões, iene japonês com 13 milhões. Há também stablecoins denominados em naira da Nigéria, xelim do Quênia, rand sul-africano, lira turca, rupia indonésia e dólar de Cingapura. A oferta total de stablecoins não-USD ainda é pequena, cerca de 1,2 bilhão de dólares, mas 59 tokens já estão ativos em seis continentes—quase 30% de todos os tokens no dataset. Infraestrutura para stablecoins locais em fiat está sendo construída, e isso é fundamental para inclusão financeira global, especialmente em mercados emergentes ainda não totalmente bancarizados.

Esses dados da Dune representam, na verdade, apenas a ponta do iceberg. O dataset completo acompanha quase 200 stablecoins em mais de 30 blockchains, com uma classificação sofisticada para cada transação. Cada transferência é mapeada para seu gatilho on-chain e classificada em uma das nove categorias de atividade. Cada saldo é segmentado por tipo de detentor, com um padrão de classificação aplicado em todas as chains.

Isso levanta perguntas que ainda não havíamos feito: quais carteiras começaram a acumular stablecoins antes do lançamento na exchange? Como a concentração de detentores muda alguns dias antes de eventos de de-peg? Como fluem os stablecoins denominados em moedas locais? Quão forte é a correlação entre o padrão de minting/burning do emissor e a pressão de mercado?

Esses dados foram projetados para suportar análises de nível institucional, publicações de pesquisa, frameworks de modelagem de risco e monitoramento de conformidade. A profundidade já está aqui—é só começar a explorar mais a fundo.
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