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Seja honesto, criptomoeda é simplesmente uma ferramenta financeira descentralizada baseada em blockchain, mas nos últimos anos o ecossistema cresceu tanto que, sem entender bem a terminologia, é fácil se perder. Vamos esclarecer o que é o quê aqui.
O blockchain na sua essência é um banco de dados eletrônico, onde informações podem ser adicionadas, mas quase impossível de excluir ou alterar. O Bitcoin foi o primeiro a realizar isso. Foi a primeira criptomoeda com seu próprio blockchain, funcionando como um registro público que verifica e registra automaticamente todas as transações. O sistema existe apenas online e é protegido por criptografia. Após o lançamento do Bitcoin, houve uma explosão — surgiram centenas de novos projetos, tecnologias, diferentes ativos.
As altcoins vieram após o Bitcoin. Nos primeiros anos, cada criptomoeda tinha seu próprio blockchain, e todas elas diferiam do Bitcoin — mais rápidas, mais anônimas, com algoritmos de mineração diferentes, ou algo mais. Esses ativos foram chamados de moedas alternativas. Podem ser divididos em três tipos: os primeiros — moedas baseadas no Bitcoin, mas com modificações para novas funções, como Litecoin ou Dogecoin. Os segundos — resultado de modificações em protocolos existentes, quando o blockchain se ramifica e uma nova moeda surge, como Bitcoin Cash ou Bitcoin Gold. Os terceiros — desenvolvimentos totalmente novos sem código do Bitcoin, como Ethereum, BNB ou Polkadot. A principal diferença das altcoins é que cada uma tem seu próprio blockchain, funcionando como um registro descentralizado.
Agora, sobre os tokens criptográficos — isso é uma história mais recente. Até 2015, isso não existia. Depois, lançaram o Ethereum e lá criaram funcionalidades para ativos digitais sem um blockchain separado. Eles operam dentro da rede principal, são transferidos entre usuários, negociados em bolsas. Criar esses tokens criptográficos é muito mais fácil do que moedas. Não é preciso escrever um protocolo do zero ou editá-lo — basta seguir as instruções de plataformas como Ethereum, BNB Chain, Cardano. Às vezes, nem é necessário programar.
A terminologia aqui é confusa. 'Criptomoeda' pode significar apenas o Bitcoin, ou Bitcoin mais altcoins, ou todos os ativos digitais. 'Altcoin' — é tudo, exceto Bitcoin, ou apenas moedas com seu próprio blockchain. 'Token' — pode ser um ativo sem blockchain, ou até uma moeda com seu próprio blockchain, como ETH na Ethereum. Se for técnico, tokens são ativos sem um blockchain separado, enquanto criptomoedas e altcoins são moedas com seu próprio.
Moedas e tokens criptográficos são tecnicamente semelhantes. Ambos usam blockchain para controle, ambos são protegidos por criptografia, ambos são rápidos e convenientes, podem ser meios de pagamento, ambos podem ser fracionados, ambos têm limite de emissão. Mas os tokens têm suas particularidades: não possuem seu próprio blockchain, quase nunca são minerados, e são criados para tarefas específicas dentro de um projeto.
A descentralização da gestão — aqui é onde está a grande diferença. Uma criptomoeda com seu próprio blockchain evolui de acordo com um algoritmo estabelecido, todos os processos sob controle de mineradores ou validadores, sem um órgão central que possa mudar as regras. Nos tokens, é diferente. Os criadores podem editar o código, ou a comunidade pode decidir por votação, ou tudo fica congelado conforme as regras. A terceira opção é ruim — o sistema não evolui. A segunda é considerada a mais adequada — é uma verdadeira descentralização. Alguns projetos passam por todas as três fases. Mineradores, de qualquer forma, não influenciam os processos internos do projeto — essa é a principal diferença.
Tipos de tokens criptográficos surgiram depois. Inicialmente, os reguladores começaram a exigir classificação. A SEC americana decidiu que alguns ativos são valores mobiliários, e que se aplicam leis específicas a eles. Surgiram dois tipos principais: security tokens e utility tokens.
Security token — é, na prática, um valor mobiliário. Criado para arrecadação de fundos para o desenvolvimento do projeto. Os investidores recebem parte dos lucros, direitos sobre ativos, dividendos, voto nas decisões. Depois, surgiram ativos tokenizados — os mesmos security tokens, mas lastreados em ouro, ações, imóveis. Essa é uma abordagem inovadora de investimento, com alta segurança e acessibilidade.
Utility token — é um token de uso, não um valor mobiliário. Usado para obter serviços dentro do projeto. Uma grande bolsa, por exemplo, oferece descontos nas taxas para quem possui seu token de uso. Os utility tokens têm muitas aplicações: acesso a serviços, pagamentos, trocas, taxas, assinaturas, gestão da comunidade, recompensas, integração com sistemas externos, aplicativos descentralizados, modelos de negócio, troca por bens virtuais e físicos, votação, staking, bônus, segurança. A troca pode ocorrer entre usuários, entre usuários e administração, ou entre desenvolvedores e usuários. O lucro com utility tokens não é garantido, a menos que sejam colocados em staking.
Na prática, esses dois tipos de tokens podem parecer semelhantes. Utility tokens são negociados em bolsas, seu valor oscila, podem gerar lucro ou prejuízo. Security tokens às vezes têm funções úteis — funcionam como meio de pagamento ou dão acesso a serviços. Mas os security tokens são menos populares — é preciso passar por procedimentos jurídicos complexos para sua emissão.
Existem também outros tipos de tokens. Stablecoins — criptomoedas atreladas a um ativo estável, como moeda fiduciária, ouro ou títulos. Podem ser security, utility ou apenas meio de pagamento. Tudo depende das características do projeto. NFT — ativos únicos, cada um em uma única cópia. Usados para tokenizar objetos digitais — quadros, músicas, vídeos, itens de jogos. Concedem direitos de uso e acesso. Em termos de funcionalidade, são utility tokens, mas se for uma obra de arte, pode valorizar, como um security token. Embora, na maioria dos países, NFTs ainda não estejam regulados como valores mobiliários.
Essa é a história dos tokens criptográficos e tudo mais. É complicado, mas dá para entender.