Recentemente, reparei que muitas pessoas se confundem com a terminologia quando se trata de atualizações de criptomoedas. O hard fork não é um daqueles monstros técnicos assustadores, apesar de o nome soar assustador. Na verdade, é apenas uma forma de as redes blockchain evoluírem e se adaptarem.



Vamos perceber, por ordem. Um fork é uma atualização da blockchain, quando os programadores e a comunidade decidem fazer alterações importantes ao protocolo. Existem dois tipos: soft fork, quando as mudanças continuam compatíveis com a versão anterior, e hard fork, quando a blockchain literalmente se divide em duas redes independentes. O hard fork é um acontecimento em que a rede se parte e surge uma nova criptomoeda com a sua própria história.

O que acontece no momento da divisão? A blockchain divide-se em duas cadeias separadas, e cada uma requer o seu próprio software. É semelhante a uma situação em que atualiza uma aplicação, mas a versão antiga deixa de funcionar com o novo servidor. O novo token que surge como resultado não é uma cópia do original — é um ativo completamente diferente, com uma história independente, a partir do momento da divisão.

Para os utilizadores, isto significa vários pontos importantes. Em primeiro lugar, normalmente recebe-se uma quantidade equivalente de novas moedas. Se tinha 10 bitcoins antes do fork do Bitcoin Cash, em agosto de 2017, teria recebido 10 BTC e 10 BCH. Em segundo lugar, é preciso garantir que a sua carteira suporta a nova rede, caso contrário arrisca perder o acesso às novas moedas. Em terceiro lugar, o preço costuma tornar-se volátil, uma vez que os traders especulam sobre qual versão será mais valiosa.

Vamos ver exemplos concretos. O Bitcoin passou por várias divisões importantes. O Bitcoin Cash surgiu precisamente para resolver o problema da escalabilidade — o tamanho do bloco foi aumentado de 1 MB para 8 MB, para processar mais transações mais rapidamente. Depois, do Bitcoin Cash destacou-se o Bitcoin SV, em novembro de 2018, quando uma parte da comunidade quis aumentar ainda mais o tamanho dos blocos. O Bitcoin Gold, que surgiu em outubro de 2017, seguiu outro caminho — tentou democratizar a mineração através de GPU em vez de mineradores ASIC especializados.

A Ethereum também está familiarizada com os hard forks. O caso mais conhecido é a criação da Ethereum Classic, em julho de 2016, após o hack da DAO. A comunidade da Ethereum decidiu reverter a blockchain e devolver os fundos roubados, mas uma parte dos programadores não concordou e continuou na cadeia original, que passou a ser a Ethereum Classic. A Ethereum 2.0 é uma transição de grande escala do Proof of Work para o Proof of Stake, que acontece por fases e altera radicalmente o mecanismo de consenso.

Há ainda outros exemplos. O Ycash destacou-se do Zcash, em julho de 2019, devido a divergências sobre o fundo de desenvolvimento. A Dash, anteriormente conhecida como Darkcoin, passou por uma mudança de nome e por um hard fork, em março de 2015, obtendo uma gestão melhorada e funções de privacidade.

Importa compreender isto: um hard fork não é o fim do mundo para a rede original. A blockchain original continua a existir, desde que seja apoiada pela comunidade. O novo token não tem necessariamente de ser melhor — tudo depende de como o mercado e a comunidade o vão aceitar. O mais importante para si, enquanto utilizador, é não entrar em pânico, atualizar a carteira quando necessário e compreender que um hard fork é apenas mais uma etapa na evolução do sistema de criptomoedas. Prepare-se para as mudanças, acompanhe as notícias da sua moeda favorita e estará pronto para quaisquer modificações que venham a ocorrer.
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