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Então, todos estão a falar sobre a potencial IPO da SpaceX e a eventual abertura de capital da OpenAI, mas aqui está o que realmente está a acontecer nos mercados de capitais tecnológicos neste momento — tudo gira em torno de dívida, não de capital próprio.
As quatro grandes hyperscalers — Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft — estão a planear gastar perto de $700 mil milhões este ano apenas em infraestrutura de IA e capex. É uma quantia impressionante, e não estão a recorrer apenas às suas reservas de caixa. Estão a explorar agressivamente os mercados de dívida para financiar esta corrida armamentista de IA.
Tenho acompanhado os números e são bastante impressionantes. O UBS acabou de divulgar um relatório mostrando que a emissão de dívida tecnológica e de IA a nível global atingiu $710 mil milhões no ano passado e poderá chegar a $990 mil milhões em 2026. A Morgan Stanley é ainda mais otimista — prevê uma lacuna de financiamento de 1,5 triliões de dólares para toda a expansão de IA, que provavelmente será preenchida por dívida corporativa.
O que é interessante é como isto se está a desenrolar em tempo real. A Oracle iniciou a onda em início de fevereiro, anunciando planos para levantar entre 45 e 50 mil milhões de dólares para capacidade de IA e rapidamente lançou $25 mil milhões em dívida. Depois, a Alphabet veio esta semana com uma emissão de obrigações superior a 30 mil milhões de dólares, após já ter feito uma venda de $25 mil milhões em novembro. A Amazon apresentou registos de ofertas mistas. O CFO da Meta fala abertamente sobre contrair dívida. Até a Tesla sinaliza que pode recorrer a financiamento externo.
Entretanto, as notícias de IPO de hoje continuam a promover a SpaceX, potencialmente a abrir capital em meados de 2026, após Elon Musk fundi-la com a xAI numa avaliação de 1,25 triliões de dólares. A OpenAI e a Anthropic supostamente também estão a considerar debutar no mercado, mas sem um cronograma definido. O Goldman Sachs espera cerca de 120 IPOs este ano, levantando $160 mil milhões, o que parece razoável em teoria.
Mas aqui está o ponto — essa atividade de IPO está a ser completamente eclipsada pelo que está a acontecer nos mercados de dívida. O setor tecnológico basicamente está a dizer que precisa de capital AGORA para a IA, e o mercado de dívida é a forma mais rápida de obtê-lo.
O que me preocupa, no entanto, é a concentração. A tecnologia já representa cerca de 9% dos índices de dívida corporativa de grau de investimento, e os analistas acreditam que pode atingir os 15% ou mais em breve. Quando há tanta oferta de um punhado de empresas mega-cap a entrar no mercado, começa a distorcer os preços. A venda da Alphabet foi cinco vezes subscrita, mas esse volume acaba por pressionar os yields e tornar tudo mais caro para os demais.
O verdadeiro risco não são necessariamente as grandes empresas tecnológicas — elas são lucrativas e conseguem servir a dívida. É o que acontece às empresas de médio porte quando as taxas permanecem elevadas e precisam de refinanciar. Custos mais altos de serviço da dívida podem tornar-se um problema sério.
Portanto, sim, enquanto todos aguardam a próxima grande notícia de IPO no setor tecnológico, a história real é esta onda massiva de emissão de dívida que está a transformar a forma como estas empresas financiam a sua infraestrutura de IA. É aí que está a verdadeira ação nos mercados de capitais neste momento.