Padrão Climático de Março no Brasil e Seu Impacto Global nos Mercados de Café

Os mercados de café enfrentam uma pressão crescente à medida que as principais regiões produtoras do Brasil experimentam chuvas acima da média no início de 2026. Embora as condições climáticas favoreçam aumentos na produtividade do maior produtor mundial de arábica, elas criam obstáculos significativos para os preços futuros do café. Os contratos de arábica de março apresentam uma ligeira valorização de +0,39%, embora o robusta tenha caído 2,24%, atingindo mínimas de 4 semanas, refletindo as dinâmicas complexas que moldam a oferta e a procura globais de café.

Precipitação recorde no coração do café brasileiro

Os padrões climáticos do Brasil em março proporcionaram uma umidade substancialmente maior às regiões de cultivo críticas. Minas Gerais, maior área de produção de arábica do Brasil, recebeu 69,8 mm de chuva na semana encerrada em 30 de janeiro, representando 117% da média histórica, segundo a Somar Meteorologia. Essa precipitação significativa supera os padrões sazonais normais e indica condições robustas para o desenvolvimento da colheita na região.

As implicações dos níveis sustentados de umidade no Brasil vão além dos benefícios imediatos de rendimento. Chuvas constantes na época de cultivo do café traduzem-se em um desenvolvimento mais saudável das plantas, mas os participantes do mercado reconhecem isso como um fator baixista para os preços de curto prazo. A combinação de precipitação acima da média e previsões favoráveis para as próximas semanas criou uma pressão de venda sustentada tanto nos contratos de arábica quanto nos de robusta.

Expansão da oferta global de café remodela a dinâmica do mercado

O panorama climático brasileiro conecta-se a uma transformação mais ampla na oferta global de café. A Conab, agência oficial de previsão de safra do Brasil, aumentou sua estimativa total de produção de café de 2025 em 2,4%, em dezembro, para 56,54 milhões de sacos, frente aos 55,20 milhões de sacos projetados em setembro. Essa revisão positiva reflete condições de cultivo melhoradas e expectativas de produção mais fortes para a temporada atual.

A dramática expansão da oferta do Vietname apresenta um desafio adicional para os preços do café. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname reportou que as exportações de café de 2025 saltaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas, consolidando o Vietname como uma força cada vez mais dominante nos mercados globais de robusta. A produção vietnamita deve subir 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas em 2025/26, marcando um recorde de 4 anos.

A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou, no final de outubro, que a produção vietnamita poderia aumentar 10% em relação ao ano agrícola anterior, se as condições climáticas favoráveis persistirem. Como maior produtor mundial de robusta, a expansão da oferta do Vietname pressiona diretamente os futuros de robusta—explicando as quedas mais acentuadas nos contratos RMH26 em comparação com os benchmarks de arábica.

Recuperação de estoques e dinâmicas técnicas

Desenvolvimentos recentes nos estoques de café monitorados pelas bolsas refletem mudanças na oferta. Após uma queda para um mínimo de 1,75 anos de 398.645 sacos em novembro, o estoque de arábica na ICE recuperou-se para 461.829 sacos até meados de janeiro. De forma semelhante, os estoques de robusta caíram para mínimas de 1 ano em dezembro, mas posteriormente se recuperaram para máximas de 1,75 meses, sinalizando reabastecimento de estoques e aliviando preocupações de escassez.

A recuperação dos estoques elimina um fator de suporte de preço que sustentou os futuros de café durante grande parte de 2025. Com as ofertas tornando-se mais abundantes, o cenário técnico para rallies sustentáveis de preços deteriora-se. Essa reversão de estoques agrava as implicações baixistas da precipitação acima da média no Brasil e da expansão da produção no Vietname.

Previsão de produção 2025/26: sinais mistos para arábica e robusta

O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou uma visão mais detalhada para a temporada 2025/26 em sua perspectiva de dezembro. A produção global de café deve aumentar 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos, mas isso mascara tendências regionais divergentes. A produção de arábica deve diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a robusta deve subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos.

Especificamente para o Brasil, a previsão do FAS indica que a produção de café de 2025/26 contrair-se-á 3,1% em relação ao ano anterior, para 63 milhões de sacos, uma leve redução em relação aos anos anteriores. A produção do Vietname, por outro lado, deve subir 6,2% em relação ao ano anterior, atingindo 30,8 milhões de sacos—um recorde de 4 anos. Globalmente, os estoques finais devem cair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, frente aos 21,307 milhões de sacos de 2024/25, indicando uma modesta redução na oferta ao final da temporada.

Perspectivas: o fator clima de março na formação de preços do café

A confluência da precipitação excessiva no Brasil, do forte crescimento da produção no Vietname e da recuperação dos estoques cria um ambiente desafiador para os preços do café. Embora os exportadores brasileiros tenham visto suas exportações de dezembro diminuir—com as exportações de café verde caindo 18,4% em relação ao ano anterior, para 2,86 milhões de sacos—essa redução modesta pouco compensa a oferta mais ampla refletida nas previsões de produção e na recuperação de estoques.

A Organização Internacional do Café relatou, em novembro, que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual caíram apenas 0,3%, para 138,658 milhões de sacos, indicando um impulso sustentado nas exportações apesar das condições mais restritas. Os padrões climáticos do Brasil em março, ao invés de criar restrições imediatas na oferta, reforçam as expectativas de estoques globais abundantes ao longo da temporada 2025/26.

Os participantes do mercado de café continuam monitorando de perto as precipitações no Brasil, pois o clima permanece uma variável crítica na equação de oferta e demanda. No entanto, os atuais padrões atmosféricos—que proporcionam chuvas acima da média nas principais regiões de arábica—parecem propensos a manter a pressão de baixa sobre os futuros de café durante o período sazonal.

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