Numa decisão considerada um marco para a indústria financeira digital, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (Federal Reserve) eliminou oficialmente uma regulamentação de restrição de longo prazo. A autoridade reviu as orientações que impediam, sobretudo, bancos—especialmente aquelas instituições sem seguro de depósito FDIC—de oferecer serviços relacionados com ativos digitais. Este movimento abre uma possibilidade histórica: as instituições bancárias tradicionais podem agora entrar oficialmente no setor de crypto.
O que foi removido como barreira?
Qual era a orientação restritiva que o Fed utilizava para negar autorização de operação a bancos interessados em explorar negócios de criptomoedas? Era uma ferramenta de gestão aplicada principalmente a bancos que operam fora do âmbito do FDIC. Essa regulamentação criava uma verdadeira barreira, impedindo a oferta de serviços de crypto por parte dessas instituições.
Um exemplo emblemático é o caso do Custodia Bank—uma entidade financeira criada especificamente para atender ao setor de ativos digitais. Quando o Custodia solicitou aprovação de conta principal junto ao Federal Reserve, o Fed utilizou essa mesma orientação restritiva como justificativa para recusar. Mas o que significa uma conta principal? É uma porta de acesso direto aos sistemas de pagamento nacionais, uma ferramenta essencial que qualquer banco precisa para operar normalmente. Essa recusa evidencia um conflito profundo entre o modelo inovador de fintech e os quadros regulatórios atuais.
Por que o Fed mudou de postura de forma repentina?
A mudança de política não ocorreu do nada. A vice-presidente de Supervisão, Michelle Bowman, recentemente declarou publicamente que o Fed precisa abordar o futuro com uma mentalidade aberta. A agência reconhece que as tecnologias fundamentais que suportam o negócio de criptomoedas têm potencial para melhorar a eficiência operacional dos bancos e elevar a qualidade dos serviços aos clientes.
Por trás dessa decisão estão três motivações principais:
Inovação segura e planejada: O Fed não deseja bloquear completamente a inovação, mas sim construir um caminho claro, sob supervisão, para que os bancos explorem o setor de ativos digitais.
Concorrência global: O sistema bancário dos EUA enfrenta pressão de economias estrangeiras. Se continuarem restritivos, os bancos americanos ficarão para trás de concorrentes internacionais que já adotaram o crypto.
Melhor gestão de riscos: Ao inserir as operações de crypto dentro de um quadro bancário regulado, a autoridade pode monitorar e mitigar riscos sistêmicos de forma mais eficaz do que se deixá-las operar fora do alcance.
O que mudará no mercado?
Essa decisão não é apenas uma mudança administrativa—é um sinal forte de que os negócios de criptomoedas deixaram de ser atividades marginais e passam a fazer parte do sistema financeiro convencional.
Para os bancos tradicionais, essa nova porta abre oportunidades:
Oferecer serviços de custódia de ativos digitais aos clientes
Apoiar pagamentos e transferências em crypto
Desenvolver produtos híbridos que combinem finanças tradicionais e tecnologia digital
Para empresas de crypto como o Custodia Bank, essa abertura pode criar oportunidades para reavaliar pedidos de recusa anteriores. Mas a realidade ainda é complexa: os bancos precisam navegar por uma rede intricada de regulações federais e estaduais, além de demonstrar que possuem sistemas robustos de gestão de riscos para lidar com a alta volatilidade dos ativos digitais.
A crescente competição entre bancos tradicionais e fintechs pode impulsionar a inovação de produtos e reduzir custos para os consumidores ao longo do tempo, embora isso não seja garantido de imediato.
Como investidores e usuários podem se beneficiar?
A longo prazo, essas mudanças podem criar canais mais seguros e familiares para comprar, vender e armazenar crypto através de bancos confiáveis. Isso aumentará a confiança e a aceitação ampla dos ativos digitais.
No entanto, é importante lembrar que o seguro FDIC continua cobrindo apenas depósitos tradicionais. A revogação das orientações restritivas permite que bancos sem seguro FDIC participem do setor de criptomoedas, mas não altera as regras atuais de seguro.
Os desafios à frente
A revogação das orientações restritivas não significa liberdade total. Os bancos ainda precisam:
Cumprir toda a legislação bancária vigente
Solicitar aprovações de acesso necessárias (como contas principais)
Demonstrar capacidade de gestão de riscos específicos para ativos digitais
Atender aos requisitos de capital e reservas
Conclusão: De proibições à cooperação
A decisão do Federal Reserve marca uma transição de uma política de proibição total para um quadro integrado e supervisionado. É um passo cauteloso, mas que demonstra uma mentalidade positiva. Estabelece um precedente importante: a inovação no setor de criptomoedas pode ter um espaço legítimo no sistema bancário regulado.
Esse consenso é fundamental para construir um sistema financeiro mais inclusivo, eficiente e alinhado com os tempos, atendendo às demandas de uma economia cada vez mais digitalizada.
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Mural de regras desmorona: Reguladores americanos concordam em permitir que bancos participem no negócio de criptomoedas
Numa decisão considerada um marco para a indústria financeira digital, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (Federal Reserve) eliminou oficialmente uma regulamentação de restrição de longo prazo. A autoridade reviu as orientações que impediam, sobretudo, bancos—especialmente aquelas instituições sem seguro de depósito FDIC—de oferecer serviços relacionados com ativos digitais. Este movimento abre uma possibilidade histórica: as instituições bancárias tradicionais podem agora entrar oficialmente no setor de crypto.
O que foi removido como barreira?
Qual era a orientação restritiva que o Fed utilizava para negar autorização de operação a bancos interessados em explorar negócios de criptomoedas? Era uma ferramenta de gestão aplicada principalmente a bancos que operam fora do âmbito do FDIC. Essa regulamentação criava uma verdadeira barreira, impedindo a oferta de serviços de crypto por parte dessas instituições.
Um exemplo emblemático é o caso do Custodia Bank—uma entidade financeira criada especificamente para atender ao setor de ativos digitais. Quando o Custodia solicitou aprovação de conta principal junto ao Federal Reserve, o Fed utilizou essa mesma orientação restritiva como justificativa para recusar. Mas o que significa uma conta principal? É uma porta de acesso direto aos sistemas de pagamento nacionais, uma ferramenta essencial que qualquer banco precisa para operar normalmente. Essa recusa evidencia um conflito profundo entre o modelo inovador de fintech e os quadros regulatórios atuais.
Por que o Fed mudou de postura de forma repentina?
A mudança de política não ocorreu do nada. A vice-presidente de Supervisão, Michelle Bowman, recentemente declarou publicamente que o Fed precisa abordar o futuro com uma mentalidade aberta. A agência reconhece que as tecnologias fundamentais que suportam o negócio de criptomoedas têm potencial para melhorar a eficiência operacional dos bancos e elevar a qualidade dos serviços aos clientes.
Por trás dessa decisão estão três motivações principais:
Inovação segura e planejada: O Fed não deseja bloquear completamente a inovação, mas sim construir um caminho claro, sob supervisão, para que os bancos explorem o setor de ativos digitais.
Concorrência global: O sistema bancário dos EUA enfrenta pressão de economias estrangeiras. Se continuarem restritivos, os bancos americanos ficarão para trás de concorrentes internacionais que já adotaram o crypto.
Melhor gestão de riscos: Ao inserir as operações de crypto dentro de um quadro bancário regulado, a autoridade pode monitorar e mitigar riscos sistêmicos de forma mais eficaz do que se deixá-las operar fora do alcance.
O que mudará no mercado?
Essa decisão não é apenas uma mudança administrativa—é um sinal forte de que os negócios de criptomoedas deixaram de ser atividades marginais e passam a fazer parte do sistema financeiro convencional.
Para os bancos tradicionais, essa nova porta abre oportunidades:
Para empresas de crypto como o Custodia Bank, essa abertura pode criar oportunidades para reavaliar pedidos de recusa anteriores. Mas a realidade ainda é complexa: os bancos precisam navegar por uma rede intricada de regulações federais e estaduais, além de demonstrar que possuem sistemas robustos de gestão de riscos para lidar com a alta volatilidade dos ativos digitais.
A crescente competição entre bancos tradicionais e fintechs pode impulsionar a inovação de produtos e reduzir custos para os consumidores ao longo do tempo, embora isso não seja garantido de imediato.
Como investidores e usuários podem se beneficiar?
A longo prazo, essas mudanças podem criar canais mais seguros e familiares para comprar, vender e armazenar crypto através de bancos confiáveis. Isso aumentará a confiança e a aceitação ampla dos ativos digitais.
No entanto, é importante lembrar que o seguro FDIC continua cobrindo apenas depósitos tradicionais. A revogação das orientações restritivas permite que bancos sem seguro FDIC participem do setor de criptomoedas, mas não altera as regras atuais de seguro.
Os desafios à frente
A revogação das orientações restritivas não significa liberdade total. Os bancos ainda precisam:
Conclusão: De proibições à cooperação
A decisão do Federal Reserve marca uma transição de uma política de proibição total para um quadro integrado e supervisionado. É um passo cauteloso, mas que demonstra uma mentalidade positiva. Estabelece um precedente importante: a inovação no setor de criptomoedas pode ter um espaço legítimo no sistema bancário regulado.
Esse consenso é fundamental para construir um sistema financeiro mais inclusivo, eficiente e alinhado com os tempos, atendendo às demandas de uma economia cada vez mais digitalizada.