Crise de falências de exchanges de criptomoedas: por que o risco é mais assustador do que a volatilidade dos preços das moedas?

Ameaça real ignorada

Os investidores ao entrarem no mundo da Criptomoeda frequentemente são repetidamente informados sobre a ideia de “alta volatilidade, altos retornos”, construindo expectativas psicológicas com base nas oscilações de preço das moedas virtuais. Mas a realidade costuma ser mais cruel — em comparação com a volatilidade do próprio preço, as perdas causadas pelo encerramento de uma exchange são muito mais imprevisíveis e podem até zerar instantaneamente os ativos dos usuários.

Mais alarmante ainda, isso não é um evento isolado. Segundo estatísticas de mercado, atualmente há cerca de 670 exchanges de Criptomoeda em operação globalmente, mas também dezenas de exchanges conhecidas que já fecharam permanentemente. Isso significa que, o encerramento de exchanges está se tornando um risco recorrente.

Como os antigos gigantes chegaram à decadência

Queda do MT.Gox (2014): o primeiro sino de alerta

Fundada em 2010, a MT.Gox foi uma das maiores plataformas de troca de Criptomoeda do mundo. Entre 2011 e 2013, com a valorização do Bitcoin, a MT.Gox controlava cerca de 70% do volume de negociações global, sendo considerada a “Bolsa de Nova York” do mundo das moedas virtuais. No entanto, um ataque de hackers mudou tudo de repente — a plataforma teve 850.000 Bitcoins roubados, avaliados na época em cerca de 4,73 bilhões de dólares. Este evento fez toda a indústria perceber que, uma vulnerabilidade de segurança pode destruir até o maior império.

Colapso da FCoin (2020): o preço da ganância

Lançada em 2018, a FCoin criou um mito no mercado de Criptomoeda — em apenas meio mês, seu volume de negociações superou a soma de exchanges classificadas entre a 2ª e a 7ª posição global. Os fundadores atraíram muitos usuários com o modelo de “mineração por troca + dividendos em tokens”, fazendo o preço do token da plataforma, FT, disparar.

Porém, essa ilusão de prosperidade não durou um ano. O modelo de altos dividendos esgotou as reservas da plataforma, e o volume de negociações e o preço do token começaram a despencar. Em 2020, os fundadores, após fugirem para o exterior, admitiram que entre 7.000 e 13.000 Bitcoins dos usuários não poderiam mais ser pagos. Mecanismos de incentivo que pareciam inovadores acabaram se tornando uma variação de esquema Ponzi.

Queda do FTX (2022): o colapso épico

Se os casos anteriores foram apenas alertas, o FTX foi uma catástrofe financeira.

Antes de novembro de 2022, o FTX era a segunda maior exchange de Criptomoeda do mundo, avaliada em 32 bilhões de dólares, e seu fundador, SBF, era considerado o “salvador” da indústria de Criptomoeda. Mas, em apenas duas semanas, tudo desmoronou.

A verdade é que: a rápida expansão do FTX foi sustentada por fundos da empresa relacionada Alameda Research. A Alameda tinha uma dívida de 8 bilhões de dólares, e a maior parte de seus ativos era o token nativo do FTX, FTT, com baixa liquidez. Quando um relatório de investigação revelou esses fatos, o pânico se espalhou instantaneamente — a maior exchange do mundo anunciou a venda de FTT, o preço do FTT despencou, os usuários começaram a retirar fundos em massa, e a cadeia de financiamento do FTX se quebrou.

Questões mais profundas vieram à tona: o FTX transferiu fundos dos clientes para a Alameda para investir em ativos de alto risco, uma apropriação de fundos pura e simples. No final, SBF foi condenado a 25 anos de prisão por fraude. Embora o FTX tenha iniciado um plano de compensação em 2025, os fundos recuperados pelos vítimas serão muito inferiores às perdas iniciais — calculando com o Bitcoin a menos de 20 mil dólares na falência, hoje já ultrapassa os 100 mil dólares.

Encerramento silencioso do Bittrex (2023): a lâmina da regulação

Fundada em 2014, a Bittrex foi uma das três maiores exchanges de Criptomoeda do mundo, conhecida por sua segurança, chegando a quase 23% de participação de mercado. Mas em 2023, as autoridades regulatórias dos EUA de repente apresentaram acusações, alegando operação ilegal. Apenas um mês depois, a Bittrex solicitou proteção contra falência. Segundo estatísticas, essa falência envolveu mais de 100 mil credores, com ativos entre 5 e 10 bilhões de dólares.

As raízes sistêmicas por trás do encerramento

Através desses casos, fica claro que o encerramento de exchanges de Criptomoeda não é um evento aleatório, mas segue um padrão previsível:

Defeitos na governança interna: vulnerabilidades de segurança, má gestão de chaves privadas, apropriação de fundos, ausência de sistemas de controle — quase todas as exchanges que fecharam cometeram pelo menos um desses erros.

Modelos de negócio insustentáveis: o alto retorno de FCoin, a expansão com alavancagem do FTX, tentaram atrair usuários com incentivos insustentáveis a longo prazo. Quando o mercado virou, esses modelos colapsaram imediatamente.

Risco regulatório: à medida que o mercado de Criptomoeda cresce, os governos aumentam sua fiscalização. Exchanges que não cooperam com as regulações enfrentam risco de fechamento, o que explica por que muitas encerraram suas operações repentinamente em determinados anos.

Dependência do ciclo de mercado: em mercado de alta, os preços das Criptomoedas sobem, o volume de negociações é alto, e muitas exchanges mal geridas continuam operando. Mas na baixa, a redução do volume e a queda de receita expõem problemas fatais.

Como os investidores podem se proteger

Diante desse ambiente de risco, a escolha de uma exchange não deve ser uma decisão aleatória:

Priorize a segurança: verifique se a exchange possui licença para operar, se criou fundos de reserva de risco, se seus sistemas de segurança passaram auditoria independente, se já sofreu ataques. Nunca escolha plataformas desconhecidas por uma taxa de 0,01% menor — o risco não compensa.

Avalie a estabilidade operacional: observe a posição no mercado, a base de usuários, a tendência de volume de negociações. Quanto maior a escala e mais instituições usam, menor o risco de fechamento, pois possuem mais recursos para lidar com imprevistos.

Velocidade e experiência de negociação: após garantir a segurança, considere taxas, velocidade de execução, variedade de produtos. Em momentos de alta volatilidade, plataformas lentas podem causar perdas enormes.

Diversifique seus ativos: não concentre tudo em uma única exchange. Mesmo plataformas altamente seguras devem ter planos de contingência.

Reflexão final

A onda de encerramentos de exchanges de Criptomoeda reflete uma realidade central — neste setor, o risco de contraparte é muitas vezes mais fatal do que o risco de mercado. O Bitcoin pode despencar 50%, e os ativos do investidor podem diminuir, mas ainda existir; mas o encerramento de uma exchange pode zerar seus ativos ou mantê-los congelados por anos.

Ao escolher uma exchange, na prática, você está escolhendo em quem confiar. Quando a confiança é quebrada, nem a melhor análise técnica consegue salvar. Portanto, todo investidor de Criptomoeda deve priorizar a avaliação da segurança da exchange acima de qualquer análise de mercado.

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