Um novo relatório de pesquisa na forma de working paper, financiado pelo Banco Central Europeu (BCE), está a ser alvo de muitas críticas por parte de especialistas jurídicos em relação à abordagem utilizada para medir o grau de descentralização do setor cripto.
O relatório argumenta que os principais protocolos financeiros descentralizados (DeFi) na verdade apresentam um nível de concentração de poder mais elevado do que o esperado. No entanto, segundo o advogado Bill Hughes da Consensys, essa conclusão baseia-se em dados incompletos e estabelece um padrão jurídico quase impossível de alcançar para toda a indústria.
O Sr. Hughes observa que a pesquisa carece de um critério objetivo para avaliar o grau de descentralização: os números são apresentados, mas a interpretação subjetiva do autor sobre a posição de cada protocolo na “escala” de concentração – descentralização é questionável.
Poder concentrado nos grandes protocolos?
A pesquisa foca a análise da estrutura de governança de protocolos DeFi proeminentes como Aave, MakerDAO, Ampleforth e Uniswap.
Os resultados mostram que o poder de voto real tende a ser altamente concentrado, mesmo que os tokens de governança estejam distribuídos em vários endereços de carteira. Especificamente:
- Os 100 maiores detentores possuem mais de 80% do total da oferta de tokens de governança de todos os quatro protocolos
- As 5 maiores carteiras controlam entre 36% a 59% da oferta
- A maioria dos participantes que votam são representantes delegados, em vez de usuários finais que podem ser identificados
Segundo o grupo de pesquisa, essa estrutura cria um sistema opaco, onde um pequeno número de entidades—geralmente com ligações diretas aos protocolos—tem a capacidade de concentrar poder.
Controvérsia sobre o padrão de “descentralização verdadeira”
O Sr. Hughes critica fortemente a interpretação subjetiva dos dados do relatório. Ele argumenta que a pesquisa não estabelece um padrão objetivo, mas apenas reflete a visão pessoal do grupo de autores.
Notavelmente, o relatório define “descentralização verdadeira” como softwares que operam totalmente de forma automática e quase imutáveis. Segundo o Sr. Hughes, esse padrão é algo que praticamente nenhum projeto atual consegue atender, o que inadvertidamente restringe significativamente o âmbito que os reguladores podem considerar fora de controle.
Limitações de dados e confiabilidade
Além disso, a pesquisa também é questionada quanto à confiabilidade dos dados. O conjunto de dados foi coletado manualmente a partir de fontes públicas e anônimas, resultando em muitos “pontos cegos” significativos.
O Sr. Hughes observa que o próprio grupo de autores reconhece a possibilidade de lacunas ou distorções nos dados, destacando o risco de “dados de entrada ruins levar a resultados de saída ruins”.
No geral, o relatório suscitou um grande debate na comunidade sobre como definir e medir a descentralização—um fator fundamental, mas ainda sem um padrão unificado na indústria de ativos digitais.
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